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Falha no iPhone permitiria acesso hacker mesmo com ele desligado; entenda

iPhone desligado pode ser acessado remotamente - Laura Chouette/ Unsplash
iPhone desligado pode ser acessado remotamente Imagem: Laura Chouette/ Unsplash

Abinoan Santiago

Colaboração para Tilt, em Florianópolis

19/05/2022 15h55

Pesquisadores alemães afirmam ter descoberto uma falha na segurança no iPhone que pode causar danos aos consumidores. Um experimento conseguiu acessar os dados do dispositivo mesmo com o aparelho desligado ou descarregado.

De acordo com a análise, cibercriminosos podem utilizar um malware (software malicioso) para entrar no aparelho. O artigo com as observações foi compartilhado em 12 de maior no arXiv, repositório que recebe estudos antes que sejam publicados nas revistas especializadas.

Como a falha funciona?

A exploração, segundo o estudo, se dá através do LPM (Modo de Baixo Consumo, em português) do iPhone. Os pesquisadores verificaram que essa função do aparelho não desliga totalmente o dispositivo, o deixando ainda ativo em funcionamento por 24 horas, por 7 dias por semana.

O fato de o celular nunca desligar por completo abre brechas para que hackers invadam o aparelho e furte as credenciais do usuário — como senhas, por exemplo, segundo os pesquisadores.

Essa vulnerabilidade no LPM ocorre por meio de um chip Bluetooth, que ainda permanece ativo, não criptografado (camada extra de segurança). Para os testes, o estudo usou um iPhone 13 com o sistema operacional iOS 15 instalado.

"A implementação atual do LPM nos iPhones da Apple é opaca e adiciona novas ameaças. Como o suporte ao LPM é baseado no hardware do iPhone, ele não pode ser removido com atualizações do sistema. Assim, tem um efeito duradouro no modelo geral de segurança do iOS", afirmam os pesquisadores.

O estudo ainda critica a Apple por avaliar que a empresa levou em conta apenas "o design e funcionalidade do hardware", sem considerar "as ameaças fora dos aplicativos pretendidos", pois "não é protegida contra manipulação".

Devo me preocupar?

Os resultados da pesquisa foram enviados para engenheiros da Apple. Mas, segundo os autores do artigo, não houve retorno sobre o estudo. A empresa no Brasil informou a Tilt que "não tem comentários no momento" sobre o caso.

Apesar da descoberta, os pesquisadores dizem que uma ação cibercriminosa do tipo não é tão fácil de executar. Nesse caso, os hackers precisariam primeiro conseguir quebrar o "jailbreak", que é ato de burlar as restrições de segurança do iPhone.

Contudo, é bom ficar de olho em qualquer comportamento suspeito no aparelho ou em aplicativos instalados nele. Não se deve duvidar da astúcia dos hackers, alertam dos pesquisadores. "Os fabricantes estão adicionando recursos o tempo todo e com cada novo recurso vem uma nova superfície de ataque."

Em 2021, por exemplo, jovens conseguiram invadir remotamente um iPhone em apenas 15 segundos, em uma competição de tecnologia.