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Compra do Twitter pode demorar e coloca ações de Musk na Tesla em risco

Patrick Pleul/Pool/AFP
Imagem: Patrick Pleul/Pool/AFP

Barbara Mannara

Colaboração para Tilt*, do Rio de Janeiro

29/04/2022 15h01

O acordo de venda do Twitter para Elon Musk foi oficializado nesta semana em uma operação estimada em US$ 44 bilhões, mas o processo de compra ainda pode demorar para ser finalizado. Além de o negócio estar sujeito a aprovações regulatórias dos Estados Unidos, o empresário ainda precisará desembolsar uma fortuna gigantesca.

Musk é a pessoa mais rica do mundo, mas já está sendo apelidado de o "CEO mais endividado da América". Isso porque grande parte do dinheiro para a compra da rede social sairá de seu próprio patrimônio. O empresário está se comprometendo a direcionar cerca de US$ 21 bilhões de sua fortuna para custear parte da aquisição. Mas e o restante? Entenda a seguir o que está em jogo.

Quanto dinheiro o Musk tem?

Calcula-se que o patrimônio líquido do empresário seja de cerca de US$ 250 bilhões. O montante vem, basicamente, da divisão:

  • maior parte da riqueza de Musk vem de suas ações na Tesla, empresa de carros elétricos fundada por ele.
  • outra parte vem de sua participação na SpaceX, também fundada pelo empresário com foco no mercado aeroespacial.
  • tipos variados de empreendimentos, como a startup The Boring Company, avaliada em quase US$ 5,7 bilhões.

Tesla entrou no acordo de compra do Twitter?

No acordo com o Twitter, fechado na última segunda-feira (25), as ações da Tesla entraram como parte da garantia de um empréstimo bancário de US$ 12,5 bilhões feito por Musk para a aquisição da rede social.

Nesta sexta-feira (29), foi anunciado que o executivo vendeu cerca de US$ 4 bilhões de suas ações na empresa de carros elétricos. Acredita-se que isso foi feito para levantar mais dinheiro para o negócio com o Twitter.

Desafio: a questão é que desde o início do mês, quando Musk anunciou ter comprado 9,2% do Twitter, as ações da Tesla caíram cerca de 20%. Isso indica que o mercado está preocupado com as novas aquisições do empresário.

O preço das ações da fabricante despencou 12,2% só na terça-feira (26), dia seguinte ao fechamento do acordo de compra do Twitter. A porcentagem representou menos US$ 21 bilhões no valor da participação de Musk na Tesla. No total, mais de US$ 125 bilhões foram eliminados do preço de mercado da montadora com essa queda.

Em resposta a um comentário sobre suas ações da Tesla, Musk tuitou: "Não há mais vendas de TSLA planejadas depois de hoje" (Em tradução direta para o português). Será que ele quis acalmar o mercado?

Musk está endividado?

Para comprar o Twitter, as movimentações financeiras atreladas ao empresário estarão bem altas.

Estima-se que US$ 90 bilhões em ações que ele possui já estejam envolvidas com empréstimos, segundo a pesquisa da empresa Audit Analytics. Ou seja, cerca de um terço da sua fortuna.

Por isso, o apelido de "CEO mais endividado". Essa movimentação toda torna Musk o maior devedor de ações em dólares, considerando os executivos e diretores da América.

Com esse cenário, a compra do Twitter chega como mais uma dívida na carteira financeira de Musk. E os investidores da Tesla seguem preocupados de que o empresário tenha que vender mais parcelas de ações para financiar a aquisição da rede social.

Investimento no Twitter pode ser cilada?

Segundo reportagem da Fortune, o Twitter revelou que teve prejuízo financeiro no primeiro trimestre deste ano (gastou mais do que ganhou). A empresa apontou um aumento de 35% nos custos e despesas trimestrais, além de "queimar" US$ 35 milhões em caixa no mesmo período.

O que manteve o Twitter "vivo" nos últimos meses foi a entrada de US$ 970 milhões de lucro proveniente da venda da sua subsidiária MoPub — plataforma de monetização, em janeiro.

A rede social afirmou ainda que os totais de usuários ativos diários monetizáveis estavam errados. Ou seja, o volume de pessoas que geram dinheiro na plataforma não é tão alto como a empresa acreditava ser.

Ao ajustar os cálculos, o Twitter constatou 1,9 milhão a menos de usuários dentro da categoria no último trimestre, já que certas contas duplicadas foram contabilizadas indevidamente. Essa soma também precisou ser ajustada nos relatórios de 2019, que estavam com falhas.

Desafio: Por esse contexto todo existe o temor de que a rede social continue dando mais prejuízos do que lucro.

Qual será o futuro da rede social?

Em fevereiro deste ano, o Twitter havia estabelecido a meta de pelo menos dobrar sua receita anual para US$ 7,5 bilhões ou mais em 2023, destacou a reportagem da Fortune. Em 2020, a companhia conseguiu gerar US$ 3,7 bilhões.

As orientações para os próximos dois anos do Twitter, porém, foram arquivadas logo após o anúncio de compra de Elon Musk. A rede social cancelou também sua tradicional teleconferência de resultados trimestrais, que aconteceria na última quinta-feira.

Desafio: com a compra, o bilionário terá um longo caminho pela frente para fazer o Twitter dar certo. Posts pagos e assinatura de usuários podem ser algumas alternativas para que Musk lucre com o Twitter.

Quem ficará no comando do Twitter?

Ainda é uma pergunta sem resposta. O atual CEO da empresa, Parag Agrawal, afirmou na quarta-feira (27), depois do acordo de aquisição de Musk, que:

"Aceitei este trabalho para mudar o Twitter para melhor, corrigir o curso onde precisamos e fortalecer o serviço. Orgulho do nosso pessoal que continua fazendo o trabalho com foco e urgência apesar do barulho", (em tradução direta para o português).

*Com informações do The Guardian e Reuters.