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Empresa quer que pessoas que morreram continuem 'vivas' no metaverso

iuriimotov/ Freepik
Imagem: iuriimotov/ Freepik

Leticia Marques

Colaboração para Tilt, em São Paulo

19/04/2022 04h00

Imagine continuar "vivo" depois de morrer ao ter os dados da sua consciência transferidos para um mundo digital. Essa é um pouco da ideia por trás da série "Upload", da Amazon Prime Video, e serve para ilustrar o que o Somnium Space, empresa de realidade virtual, deseja fazer.

A companhia afirma estar desenvolvendo um sistema chamado "Live Forever" (viver para sempre, em tradução livre), que permitirá que qualquer pessoa tenha suas expressões e voz coletadas para que algoritmos recriem, com base nesses dados, avatares dentro do metaverso que vão agir como se fosse a pessoa na vida real. As informações são da revista Vice.

Para Artur Sychov, presidente-executivo do Somnium Space, o seu sonho é fazer com que as pessoas consigam conversar (ao menos online) com entes queridos que já morreram.

Como a ideia surgiu?

Há cerca de cinco anos, o pai de Artur Sychov foi diagnosticado com um câncer avançado. Os médicos informaram que ele teria pouco tempo de vida.

O receio de Sychov, segundo a reportagem, era que seus filhos pequenos não tivessem a chance de criar memórias com o avô. Por isso, decidiu investir em desenvolver soluções para que experiências do tipo pudessem ser amenizadas com a tecnologia.

Abaixo você pode ver um exemplo de como o ambiente virtual da Somnium Space é:

Como pode funcionar?

A ideia é que a pessoa que deseja "viver para sempre" no metaverso permita que a empresa recolha seus dados pessoais, expressões corporais/faciais e armazene informações de conversas realizadas na plataforma digital.

Um sistema de inteligência artificial controlará e utilizará esse volume de informações para criar um personagem virtual que conseguirá reproduzir a aparência, voz e personalidade.

"Se eu morrer —e eu tiver esses dados coletados-, as pessoas ou meus filhos podem entrar e podem conversar com meu avatar, com meus movimentos, com minha voz afirmou à reportagem.

Para Sychov a tecnologia pode ser tão avançada que talvez nos primeiros 10 minutos de conversa com o avatar, uma pessoa pode nem descobrir que está falando com uma IA. "Esse é o objetivo."

"A quantidade de dados que potencialmente poderíamos registrar sobre você provavelmente é da magnitude de, eu diria realisticamente, 100 a 300 vezes mais do que quando você está em um telefone celular", acrescentou o executivo.

A Somnium Space fechou parceria com a Teslasuit (não tem relação com a Tesla, de Elon Musk) para o desenvolvimento de traje sensível ao toque de corpo inteiro para uso dentro de tecnologias de realidade virtual.

A ideia é que as pessoas que utilizem a roupa consigam sentir toques e reações geradas a partir do ambiente digital. Ao mesmo tempo, o traje irá coletar dados do usuário (como batimentos cardíacos).

Uma das vantagens da empresa é que sua plataforma já possui compatibilidade com headsets de realidade virtual, o que auxilia em uma maior imersão 3D da experiência dentro do metaverso.

Sobre os aspectos de privacidade e poder diante do alto volume de dados de indivíduos que a empresa terá para criar avatares de pessoas reais, o executivo afirmou que não tem interesse no dinheiro e que as informações não serão comercializadas indevidamente.

"Somos um mundo descentralizado", disse. "Não queremos saber seu nome. Não nos importamos com quem você é", disse.

As pessoas que quiserem desistir, acrescenta o executivo, terão a opção de ativar e desativar a função de "vida eterna". Será possível também pedir que a empresa exclua todos os dados permanentemente.

O jeito é aguardar para saber os desdobramentos dessa ideia que, por enquanto, ainda parece longe de se tornar realidade.