PUBLICIDADE
Topo

Novo 'lar' do Monark? Conheça Rumble, app que une insatisfeitos com YouTube

Ex-apresentador do "Flow Podcast" pode se mudar para nova plataforma de vídeos - Reprodução/ YouTube
Ex-apresentador do 'Flow Podcast' pode se mudar para nova plataforma de vídeos Imagem: Reprodução/ YouTube

Carolina Zanatta

Colaboração para Tilt, de São Paulo

25/03/2022 12h49

Bruno Aiub, conhecido como Monark, anunciou nesta semana no Twitter que suas "férias acabaram". Demitido do "Flow Podcast" em fevereiro deste ano após defender a existência de um partido nazista brasileiro no programa, o novo destino dele pode ser o Rumble, uma plataforma de vídeos na mesma linha do YouTube que tem feito sucesso entre a direita conservadora estadunidense.

O youtuber (que também foi punido pelo YouTube pelo mesmo motivo) não confirmou qual será a plataforma que usará, mas compartilhou um tuíte com referência ao Rumble com a seguinte frase: "Ta ai uma plataforma que respeita a liberdade de expressão e que nao vai censurar ninguém (sic)".

Tilt tentou contato com Monark via redes sociais, mas até o fechamento do texto não houve retorno.

O que é o Rumble?

Lançado pelo canadense Chris Pavlovski, o Rumble se descreve como favorável ao "livre discurso" e mantém baixa moderação de conteúdo.

É por isso que, embora tenha quase uma década de existência (foi criado em 2013), somente agora o app tenha chegado aos holofotes, "surfando" na onda das remoções de conteúdos do YouTube pelo fato de violarem as políticas de uso da empresa —como espalhar fake news.

Segundo dados divulgados pela própria empresa, o Rumble atingiu a marca de 39 milhões de usuários em janeiro deste ano. O número, apesar de alto, é bem menor quando comparado aos mais de dois bilhões de usuários mensais do rival YouTube.

No entanto, entre os planos futuros de Pavlovski para sua rede de vídeos está a expansão dela para países de línguas não-inglesas — como, por exemplo, o próprio Brasil.

A maioria dos canais está em língua inglesa, e no app é possível achar conteúdos do jornalista Glenn Greenwald, o ex-presidente dos EUA Donald Trump e da apresentadora estadunidense Megyn Kelly.

Financiamento de investidores de direita

Em maio de 2021, o jornal Wall Street Journal divulgou que investidores de risco vinculados à direita conservadora dos EUA investiram cerca de US$ 500 milhões (por volta de R$ 2,4 bilhões, em conversão direta) no Rumble.

Nomes como Peter Thiel, fundador do PayPal e acionista da Meta (ex-Facebook), e do ex-assessor de Donald Trump, Darren Blanton, estão entre os apoiadores da rede de vídeos, que visa competir com o YouTube.

Diante desse cenário, a expectativa é que o Rumble use esses altos investimentos recebidos da ala conservadora dos EUA para chegar ao Brasil e a outros países que não tenham inglês como língua nativa, de acordo com o o objetivo do fundador Pavlovski.

Ao que tudo indica, o investimento deu certo: no dia 2 de março de 2022, a conta oficial da Rumble publicou uma mensagem avisando que "a próxima parada" da rede seria o Brasil.

Ainda segundo Pavlovski, a quantia recebida da direita conservadora também será usada para permitir que todos os usuários possam fazer lives na plataforma. Atualmente, apenas contas premium (pagas) têm acesso a esse recurso.

Famosos da direita se agregam

Caso vire a nova "casa" para Monark, não seria a primeira vez que o Rumble abraça um produtor de conteúdo alvo de consequências após falas ou publicações de desinformações e/ou incitação ao ódio.

Por não ter alta regulação de conteúdo, o Rumble tem atraído nomes conhecidos da direita conservadora. Estão entre os usuários da rede o ex-assessor e estrategista político Steve Bannon e o radialista e comentador Dan Bongino.

Em casos mais recentes, o veículo estatal russo RT acabou também migrando para o Rumble. Esse movimento seria consequência do banimento do canal que o noticiário possuía no YouTube. Em 1º de março, ele foi removido da plataforma do Google a pedido de governos da União Europeia, por promover desinformação sobre a guerra contra a Ucrânia.

Em fevereiro deste ano, durante a polêmica do podcast de Joe Rogan, financiado pelo Spotify, a rede de Pavlovski fez uma oferta de 100 milhões de dólares para que o apresentador trocasse a plataforma de streaming pelo Rumble.

Na época, Rogan havia sido acusado de desinformação sobre a pandemia de coronavírus, após declarações antivacina e contrárias ao uso de máscara em episódios do seu programa.

Ao que tudo indica, embora mais de cem episódios de seu podcast tenham sido removidos do Spotify, Rogan não teria aceitado a proposta.

Aberto não só para a direita

Embora tenha fama de atrair figuras da direita dos EUA, o Rumble diz estar aberto a "todos os espectros políticos", segundo declarou o fundador da rede ao jornal The New York Post.

Na entrevista, Pavlovski ainda explicou que a rede não usa algoritmos. Por isso, funciona por ordem cronológica. Além disso, sua moderação bane conteúdos pornográficos ou de cunho racista, antissemita e terrorista.