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Lua será atingida a 9 mil km/h por 3 toneladas de lixo espacial 'sem dono'

Lua será atingida por lixo espacial - Aly Song/Reuters
Lua será atingida por lixo espacial Imagem: Aly Song/Reuters

Barbara Mannara

Colaboração para Tilt*, no Rio de Janeiro

02/03/2022 14h07Atualizada em 04/03/2022 08h29

A Lua vai sofrer um impacto de três toneladas de lixo espacial na próxima sexta-feira (4). Especialistas afirmaram ser restos de um foguete chinês, que cairá em solo lunar a uma velocidade de 9.300 km/h. Com o impacto, cientistas preveem a abertura de uma cratera de 10 a 20 metros de diâmetro. O culpado pela colisão "clandestina" ainda não assumiu a responsabilidade.

Inicialmente pensava-se ser destroços de equipamento da SpaceX, empresa aeroespacial do bilionário Elon Musk. Apesar de especialistas desvendarem que o lixo espacial pertence a um foguete que a China lançou há quase uma década, as autoridades do país não confirmam a autoria.

Lado distante da Lua

O impacto vai acontecer do "outro lado da lua", conhecido como o "lado oculto" do satélite. Com isso, a colisão fica fora do alcance dos telescópios profissionais ou de astrônomos amadores. Por conta da falta de visibilidade do solo lunar nessa região, a confirmação da queda do foguete pode demorar algumas semanas.

O lado oculto da Lua é o hemisfério do satélite que não pode ser visto da Terra por conta da rotação sincronizada com o nosso planeta. A China tem um módulo de pouso lunar neste outro lado do solo, mas que estará distante do local de impacto nesta sexta-feira. Já a NASA conta com o Lunar Reconnaissance Orbiter, mas que também estará fora de alcance.

Com a abertura da cratera, estima-se que a poeira lunar voe centenas de quilômetros espaço adentro. Por outro lado, vale lembrar que especialistas não esperam problemas maiores em relação ao impacto.

A Lua é repleta de crateras, com a maior sendo de 2.500 km de diâmetro (Bacia do Polo Sul-Aitken). Isso acontece porque o satélite não tem uma atmosfera de defesa - como a da Terra - capaz de barrar meteoros ou até a colisão de lixo espacial ocasionalmente.

Space X fora da mira

No início deste ano, foi detectada a rota de lixo espacial em direção à lua. Inicialmente, pensava-se ser destroços do foguete Falcon 9, da Space X, lançado em 2015 da base situada na Flórida, Estados Unidos.

No entanto, em 12 de fevereiro, o astrônomo Bill Gray emitiu uma nota de errata, tirando a culpa da SpaceX. Após cálculos mais detalhados, o pesquisador chegou à conclusão de que na verdade se tratava de um foguete chinês que foi lançado em 2014, o Chang'e 5-T1.

Gray emitiu ainda um pedido de desculpas formais no site Project Pluto, projeto que desenvolve focado em observações espaciais de elementos ao redor da Terra.

Gray acredita que seja realmente o foguete chinês e chegou a comentar: "Tornei-me um pouco mais cauteloso em relação a esses assuntos". E completou: "Mas eu realmente não vejo como poderia ser outra coisa" - para o site de notícias Phys.

Ninguém assume a responsabilidade

Rastrear o lixo espacial próximo à Terra é uma missão mais fácil do que ter controle sobre destroços lançados ao espaço profundo. Com isso, não há muitas normas de responsabilidade para impedir que todos esses restos de equipamentos fiquem flutuando por aí.

"Estamos agora em uma era em que muitos países e empresas privadas estão colocando coisas no espaço profundo, então é hora de começar a acompanhar isso", disse Jonathan McDowell, do Harvard and Smithsonian Center for Astrophysics.

Funcionários do governo chinês negam que se trata do seu foguete. Segundo o ministério do país, o equipamento espacial já teria caído na atmosfera da Terra e entrado em combustão.

Pesquisadores acreditam que o governo possa estar confundindo o lixo espacial de suas duas missões semelhantes. A primeira seria um voo de teste e a segunda uma missão de retorno com amostras lunares que aconteceu em 2020.

Por outro lado, o Comando Espacial dos Estados Unidos, que detecta lixo espacial, chegou com uma nova informação na última terça-feira (1). A organização afirmou que o ''estágio superior" - uma das partes de um lançador espacial - do foguete chinês lançado em 2014 nunca saiu de órbita. No entanto, o Comando Espacial não consegue confirmar a origem do equipamento ou país responsável pelos destroços que impactarão a lua nos próximos dias.

*Com informações do Phys.Org.