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Quero que o Brasil tenha sua SpaceX, diz Pontes, que deixará cargo em março

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, durante audiência pública em Brasília - Marcelo Camargo - 4.dez.19/Agência Brasil
O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, durante audiência pública em Brasília Imagem: Marcelo Camargo - 4.dez.19/Agência Brasil

Lucas Carvalho

De Tilt, em Barcelona*

01/03/2022 17h09Atualizada em 02/03/2022 18h06

Em entrevista coletiva realizada hoje (1) em Barcelona, durante a MWC (Mobile World Congress), maior feira de tecnologia móvel do mundo, o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, anunciou que pretende deixar a pasta até o fim deste mês.

Pontes será candidato a deputado federal pelo PL de São Paulo nas eleições de outubro de 2022. "Comuniquei o presidente Bolsonaro, que me deu liberdade para sugerir um sucessor", declarou o ministro a jornalistas.

Uma lista com sugestões de nomes foi entregue ao presidente, que deverá anunciar o substituto, segundo Pontes. Ele não quis adiantar nenhum dos nomes sugeridos.

Pontes é ministro da Ciência e Tecnologia desde o início do governo Bolsonaro, em 2019, quando a pasta ainda incluía o setor de telecomunicações —desmembrado em outro ministério, chefiado por Fábio Faria, em 2020.

Polêmicas e legado

Engenheiro e tenente-coronel na reserva da Força Aérea Brasileira (FAB), antes de ser ministro, ficou conhecido como o primeiro brasileiro a ocupar a Estação Espacial Internacional como astronauta por oito dias em 2006.

Ex-garoto propaganda dos "travesseiros da Nasa" da empresa catarinense Marcbrayn, sem relação oficial com a agência espacial norte-americana, Pontes já concorreu ao cargo de deputado federal antes: em 2014, pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro) de São Paulo. Alcançou apenas votação suficiente para ser suplente, com 43.707 votos.

Em 2018, foi eleito segundo suplente na chapa de Major Olímpio, que conquistou a vaga de senador pelo PSL. Não chegou a trabalhar no Congresso porque logo foi escalado para ser ministro de Bolsonaro.

À frente do ministério, criticou abertamente algumas vezes as limitações impostas pelo orçamento proposto pelo governo e aprovado pelo Congresso para a pasta. "O pessoal fala que eu só reclamo do orçamento, mas é importante o financiamento correto de ciência e tecnologia", diz.

Numa dessas, chegou a trocar rusgas com o colega Paulo Guedes, ministro da Economia, que se referiu ao astronauta como "burro".

Mesmo pressionado por um lado, Pontes continuou investindo em pautas caras ao presidente, como a exploração de grafeno e nióbio pelo superlaboratório Sirius e a exoneração do físico Ricardo Galvão do comando do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) quando Bolsonaro questionou dados de desmatamento.

De "legado", Pontes destaca seu esforço para revitalizar o programa espacial brasileiro, citando a reabertura da Base de Alcântara, no Maranhão, para lançamentos de foguetes, e a construção e operação do satélite brasileiro Amazonia-1, que ajudará a combater o desmatamento.

"Um dos meus maiores sonhos e voltar a ver um astronauta brasileiro", diz Pontes, que destaca também investimentos na fomentação de um ecossistema de startups com foco no espaço como outro de seus "legados" para o país. "Quero que o Brasil tenha sua SpaceX, Blue Origin, todas elas."

Treta com a Huawei 'ficou para trás'

O ministro participou do lançamento de duas propostas para o desenvolvimento de 5G e inteligência artificial no Brasil organizadas pela Softex (Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro) com o apoio da gigante chinesa de tecnologia Huawei.

Pontes e o presidente executivo da Huawei no Brasil, Sun Baocheng, fizeram questão de deixar claro que a polêmica sobre o 5G não abala mais a relação do governo com a empresa.

Na época das definições para o leilão do 5G, realizado em novembro de 2021, os Estados Unidos chegaram a pressionar o Brasil a barrar a entrada de empresas da China na infraestrutura da nova geração de internet no país, acusando-as de fazer espionagem para o governo chinês.

"Do meu ponto de vista, esse negócio [polêmica com 5G] ficou para trás", diz Pontes, em entrevista concedida após o evento a jornalistas.

Ele destaca, porém, que não sabe o que o Ministério das Comunicações, que comandou o leilão do 5G, tem a dizer sobre o mesmo tema. O ministro da pasta, Fábio Faria, não foi à MWC.

No anúncio de hoje, Baocheng confirmou que a empresa já está fornecendo equipamentos para as três maiores operadoras do Brasil —Vivo, Claro e Tim—, as mesmas que arremataram no leilão os direitos para distribuir 5G em todo o país pelos próximos anos.

"Com o lançamento [dos documentos], a Huawei espera criar novas oportunidades de colaboração mais estreita com o governo brasileiro, instituições acadêmicas e indústrias", disse Baocheng no discurso de lançamento da iniciativa.

Os documentos apresentados hoje reúnem sugestões da Softex, criadas em parceria com pesquisadores de instituições públicas do Brasil e com a Huawei, de como impulsionar a formação de profissionais no país preparados para trabalhar no 5G e de como ampliar os investimentos públicos e privados em inteligência artificial, com dicas de cuidados a serem tomados e áreas mais estratégicas.

Além de Baocheng e Pontes, o lançamento contou com a presença Ruben Delgado, presidente da Softex; Carlos Nazareth Motta Martins, reitor do Inatel (Instituto Nacional de Telecomunicações); Wally Menezes, reitor do IFCE (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará); e Gilberto Studart, gerente regional da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).

*O jornalista viajou a convite da Huawei.