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Facebook põe medidas de proteção na Ucrânia; Rússia ameaça restringir apps

Militares ucranianos andam em um veículo blindado na cidade oriental de Kramatorsk, na Ucrânia - David Mdzinarishvili/ Reuters
Militares ucranianos andam em um veículo blindado na cidade oriental de Kramatorsk, na Ucrânia Imagem: David Mdzinarishvili/ Reuters

De Tilt*, em São Paulo

26/02/2022 17h00

A crise entre a Ucrânia e a Rússia ganhou mais uma dimensão: a virtual. Para além do conflito armado, há uma guerra cibernética em curso entre os dois países.

A Ucrânia acusa Belarus (também conhecida como Bielorrússia, aliada de Vladimir Putin, presidente da Rússia) de um ciberataque a seu exército. Hackers ligados ao governo do país teriam enviado uma avalanche de emails de phishing para contas privadas de militares ucranianos e seus associados.

Não se sabe quão bem-sucedida foi a tentativa de invasão, mas há o risco de terem fornecido informações úteis aos serviços de inteligência de Belarus — e, consequentemente, às forças russas que agora atacam a capital ucraniana, Kiev.

A Bielorrússia foi fundamental na invasão, a primeira porta de entrada para a Ucrânia.

Na noite de ontem (25), o grupo de hackers Anonymous derrubou sites do governo russo em sinal de protesto contra a invasão à Ucrânia. O site do canal estatal "Russian Today" foi atacado e as páginas do Kremlin e do Ministério da Defesa russo foram derrubadas.

Ameaça às redes sociais

A Meta (ex-Faceboook) anunciou medidas para combater a propagação de fake news e atos ilícitos no Facebook, levando mais segurança à população ucraniana durante o conflito com a Rússia. Em resposta, o governo Putin ameaçou restringir os serviços no país.

A empresa de Mark Zuckerberg montou um centro de operações especiais para reagir, em tempo real, a atividades suspeitas na plataforma. Com analistas fluentes nas línguas da região, o objetivo é remover rapidamente conteúdos que violem os termos de uso, como notícias falsas, discurso de ódio e organização de atos criminosos.

Também ativou um recurso adicional no Facebook, que permite que os ucranianos "tranquem" seus perfis, adicionando uma camada extra de privacidade e proteção às suas informações. Basta um clique para ativar. Assim, ficam bloqueados downloads e compartilhamentos da foto de perfil por desconhecidos, bem como o acesso às publicações.

Além disso, está colocando etiquetas em conteúdos identificados como falsos pelas análises da Meta e nas notícias postadas pelas quatro empresas de mídia controladas pelo governo russo.

As medidas foram anunciadas anteontem (24), após os Estados Unidos alertarem a ONU de que Rússia possuiria "listas de morte" de cidadãos da Ucrânia, que seriam assassinados ou presos em campos de guerra.

O Kremlin reagiu, pedindo para que a Meta pare com o "fact-checking" (checagem de fatos, para ver se notícias são verdadeiras) independente e deixe de colocar as etiquetas nas postagens das estatais.

Como a empresa — que controla Facebook, Instagram e WhatsApp — recusou o pedido, a Rússia disse que seus serviços seriam restringidos no país.

Estas ferramentas já foram usadas em outros locais em situação de risco, como o Afeganistão, no ano passado, após a tomada pelo talibã.

Esquema de desinformação

O Twitter também sugere que os ucranianos preventivamente desativem suas contas, ou pelo menos as deixem privadas e não marquem localizações nos tweets, para se proteger de hackers e fake news.

De acordo com a plataforma de monitoramento de desinformações Cyabra, a quantidade de informações falsas no Facebook e no Twitter disparou nas últimas semanas. Desde o dia 14, conteúdos negativos para a Ucrânia aumentaram 11.000% no Twitter. No mesmo período, 56% das postagens sobre o país no Facebook foram feitas por perfil não-autênticos, como bots ou contas falsas.

A Rússia tem um histórico de espalhar desinformação e manipular eventos políticos, em um sofisticado esquema nas redes sociais.

*Colaborou Marcella Duarte