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TV em cores completa 50 anos no Brasil; veja o que vem pela frente

Há 50 anos TV brasileira tinha sua primeira transmissão em cores - Getty Images
Há 50 anos TV brasileira tinha sua primeira transmissão em cores Imagem: Getty Images

Simone Machado

Colaboração para Tilt*, em São José do Rio Preto (SP)

21/02/2022 16h47Atualizada em 22/02/2022 12h13

Há cinco décadas a primeira transmissão de um programa em cores da TV acontecia no Brasil. Em 19 de fevereiro de 1972, com imagens da TV Difusora de Porto Alegre, a Rede Globo transmitiu com cenas coloridas a 12ª Festa da Uva de Caxias do Sul (RS) com narração do famoso jornalista e locutor Cid Moreira e presença do então Presidente General Emílio Garrastazu Médici.

A exibição durou cerca de uma hora e se tornou um marco histórico na história das telinhas brasileiras.

Pouco mais de um mês depois, em 31 de março, as emissoras nacionais começaram a transmitir seus programas através de um novo padrão de imagens chamado PAL-M. E foi exatamente nesse mesmo dia que os apaixonados por futebol de todo o país puderam acompanhar o primeiro jogo ao vivo e em cores. A partida entre Caxias e Grêmio terminou em zero a zero.

O surgimento das transmissões coloridas colocou a televisão a um outro patamar, levando mais emoção e realismo ao telespectador e atraindo cada vez mais os olhares e a atenção do público.

No entanto, nem todos os programas exibidos eram com imagens coloridas devido ao alto custo dos equipamentos — telecines, câmeras, transmissores e equipamentos de vídeo.

Alguns anos depois, em 1973, foi a vez de as novelas ganharem cores. O clássico "O Bem Amado" fez história na teledramaturgia.

A evolução nas telinhas não parou, em 1974 a Copa do Mundo de Futebol foi exibida inteiramente em cores e acelerou a venda de aparelhos de TV no Brasil. Três anos mais tarde, em 1977 os conteúdos em preto e branco deixaram por completo a televisão brasileira.

Como enxergamos as cores na TV

Em tempos de resoluções 4K e 8K, é até difícil para os mais novos imaginar como era assistir a programas sem tanta definição e apenas em preto e branco. O bom é que as tecnologias evoluem com o tempo.

A cor da imagem nas TVs é resultado da combinação do material fluorescente que reveste a tela. Ao ser atingida por feixes de elétrons, o display emite luz.

Luiz Fausto, coordenador do Módulo Técnico do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (Fórum SBTVD), explica, em comunicado, que as telas que permitem a transmissão de imagens coloridas combinam para cada ponto da imagem (chamado "pixel") três componentes de luz cor que o olho humano absorve: vermelho, verde e o azul — ou RGB, do inglês red, green, blue.

Para isso funcionar, as câmeras que capturam as cenas gravadas (ou transmitidas ao vivo) precisam ser capazes de capturar esses três componentes de cor.

Nas televisões mais antigas, a analógica envolvia um espaço de cores suportado em cerca de 32% das cores visíveis. Isso mudou com a TV Digital, que ganhou resolução de vídeo e passou a trabalhar com maior espaço de cores.

A primeira TV no Brasil

A história da televisão no Brasil começou bem antes da chegada das cores. Na primeira metade do século 20 as primeiras transmissões experimentais começaram a ser feitas.

Mas foi no dia 18 de setembro de 1950 que a primeira emissora de TV do país foi inaugurada, a TV Tupi de São Paulo, que teve como seu fundador Assis Chateaubriand. A emissora também foi a primeira da América do Sul.

Com programações em preto e branco e ao vivo, a emissora transmitia programas educativos, informativos, pronunciamentos presidencial e apresentações musicais. O primeiro telejornal brasileiro foi ao ar no dia 19 de setembro daquele mesmo ano.

A década seguinte foi marcada pela expansão das emissoras por todo país. Com a inauguração da nova capital, Brasília, foi realizada, em 21 de abril de 1960, a primeira transmissão em rede pela TV Tupi. A chegada do ex-presidente Juscelino Kubitschek com a sua comitiva a Brasília também foi televisionada.

Foi nessa década também, por meio da tecnologia do videoteipe, as gravações passam a tomar conta das programações. Os programas de auditório, com o surgimento de figuras como Silvio Santos e Hebe Camargo, conquistaram a população e a fizeram se apaixonar cada vez mais pelo universo da televisão.

Na década de 70, com a chegada das transmissões em cores, a importância da televisão como meio de entretenimento e informação cresceu e a TV passou a fazer parte e integrar a vida dos brasileiros.

TV 3.0 e o futuro

Passados 50 anos da transmissão da Festa da Uva de Caxias do Sul (RS), as inovações na TV são inúmeras e não param. Elas vão desde o streaming até aparelhos ultramodernos, mostrando que o caixote com imagens veio realmente para ficar.

A TV digital como conhecemos hoje deve mudar nos próximos anos. O Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (Fórum SBTVD), responsável pelo desenvolvimento de normas técnicas do setor, anunciou os primeiros resultados da segunda fase de teste do novo modelo, chamado de TV 3.0, que vai começar a ter as primeiras transmissões nesse formado em 2024.

De maneira resumida, a próxima geração de transmissão de TV aberta poderá proporcionar ao telespectador imagens 4K (3.840 x 2.160 pixels), além de um sistema de som imersivo e conexão à internet.

Nos primeiros testes da TV 3.0 foram avaliados novos formatos de vídeo, áudio e processamento de cores, assim como o potencial das chamadas Camadas Física e de Transporte, que diz respeito a transmissão de dados (internet). O novo sistema deve trazer melhorias como som de alta qualidade, imagem de altíssima resolução, conteúdo segmentado por regiões e integração entre TV aberta e internet.

Investimentos

Assim como aconteceu com a implantação da TV digital, as emissoras de televisão aberta e os consumidores vão precisar fazer investimentos (trocar os aparelhos) para terem acesso ao novo sistema que será implantado no país em um futuro não tão distante.

No entanto, não precisa se desesperar para trocar o aparelho, já que toda essa mudança será gradual.

TV digital brasileira

A primeira versão TV aberta digital foi inaugurada no país em 2007, mas apenas cinco anos depois a cobertura chegou a todas as capitais brasileiras, tendo um processo de implantação lento e gradual.

Naquele período, muitos aparelhos de TV passaram a ser lançados com receptor como resultado de uma política industrial do governo, em que o consumidor final não precisava gastar com um aparelho extra.

Nas primeiras versões, o sinal analógico foi substituído pelo sinal digital, que possibilitou a melhoria da qualidade de imagem de uma equivalente a SD para HD, assim como as primeiras ferramentas de interatividade, como menus com informações e múltiplos canais de áudio e vídeo.

*Com informações de Agência Brasil e Lucas Santana, em Colaboração para Tilt