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Entenda a tecnologia por trás do autoteste de covid-19

Guilherme Zamarioli/Arte UOL
Imagem: Guilherme Zamarioli/Arte UOL

Rodrigo Lara

Colaboração para Tilt, em São Paulo

10/02/2022 04h00

Com a disseminação da variante ômicron da covid-19, os casos da doença voltaram a crescer no Brasil nos últimos meses, o que resultou em uma corrida de pessoas com sintomas para testagem em hospitais e farmácias.

Uma solução para evitar filas e ter uma ideia se você está ou não infectado é utilizar um autoteste. O produto, cuja venda foi autorizada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e está previsto para estar disponível no mercado ainda em fevereiro, permite que as pessoas façam um teste rápido capaz de detectar a presença do vírus no corpo humano.

Mas você sabe como esse dispositivo funciona?

Como funciona

A tecnologia por trás do teste de covid - Guilherme Zamarioli/Arte UOL - Guilherme Zamarioli/Arte UOL
Imagem: Guilherme Zamarioli/Arte UOL

Basicamente, o autoteste é similar ao de antígenos, técnica utilizada nos testes rápidos. Ele utiliza o chamado método imunocromatográfico, que indica a presença ou não de um antígeno por meio de cor.

O seu formato é similar ao de um dispositivo de testagem para gravidez. Consiste em um invólucro plástico, dentro do qual há uma fita com anticorpos contra a proteína "N" do nucleocapsídeo viral do SARS-CoV-2 imobilizados, combinados com a substância ouro coloidal.

Paralelamente, há um recipiente dentro do qual há um reagente líquido. Sua função é quebrar as partículas virais e, com isso, expor um fragmento de proteína típico dos vírus.

O que a pessoa a ser testada tem que fazer é esfregar uma haste com algodão em sua mucosa nasal — em geral não precisa ir fundo como em um teste PCR — e, em seguida, mergulhar essa haste dentro do recipiente com o reagente, pressionando contra o fundo.

Feito isso, deve-se fechar o frasco com reagente, agitar e colocar gotas dele em uma área específica do dispositivo que mostrará o resultado.

A partir daí, esse líquido entrará nesse dispositivo e fará contato com a fita contendo os anticorpos imobilizados. A primeira marca que aparece é a indicada pela letra "C", que funciona como controle de qualidade para garantir que há amostra suficiente para a análise.

Uma vez que haja a presença da proteína viral, os anticorpos da fita reagirão. Como eles estão marcados com ouro coloidal, aparecerá uma listra onde há a letra "T".

Há três resultados, portanto, para o teste.

  • Caso apareça apenas uma listra na letra "C", é sinal de que você não está infectado -- ou possui uma carga viral baixa demais para o teste detectar.
  • Se aparecerem duas listras, é sinal de que você está infectado.
  • Se não aparecer nenhuma, ou apenas o "T" ficar marcado, é provável que o teste tenha sido feito de forma incorreta. Aí não tem jeito: tem que usar um novo kit de testagem.

Dúvidas comuns

Esse teste é similar ao PCR realizado em hospitais e clínicas especializadas?

Não, são princípios diferentes. Ele é comparável ao teste rápido de antígeno, bem diferente do RT-PCR. Apesar do método de coleta ser similar, a principal diferença está na precisão dos resultados e, nesse sentido, o PCR é considerado o padrão-ouro para diagnóstico da covid-19, oferecendo os resultados mais confiáveis.

Ao invés de ser um teste de antígeno, o PCR usa a reação em cadeia da polimerase seguida de transcrição reversa. Trata-se de um teste molecular que identifica o RNA do SARS-COV-2. Esse método amplifica o conteúdo genético viral, e é capaz de detectar o vírus em quantidades mínimas no organismo, mesmo em indivíduos assintomáticos, o que faz dele o teste mais sensível dentre os disponíveis.

Já os testes de antígeno, como o autoteste, dependem que o indivíduo tenha uma carga viral expressiva, o que geralmente ocorre na fase sintomática da doença.

Por fim, os testes de antígenos são qualitativos, isso é, mostram se há ou não presença do vírus. Já o teste RT-PCR é quantitativo, sendo capaz de determinar a carga viral do indivíduo testado.

Como garantir que uma pessoa não treinada colheu a amostra corretamente?

Esse é um dos pontos mais críticos dos autotestes. Não há como garantir que o procedimento foi correto, o que pode causar resultados que não correspondem à realidade.

Em países nos quais os autotestes são amplamente usados, os governos distribuem diversas unidades por indivíduo, de forma que a testagem possa ser repetida por várias vezes. Além disso, as pessoas são instruídas a reportar seus resultados de volta às plataformas públicas digitais para compor o banco de dados epidemiológico dos países.

Sendo assim, especialistas afirmam que o autoteste tende a ser mais eficiente se usado como uma ferramenta de controle epidemiológico, como estratégia de triagem dentro de um plano de testagem mais amplo que tivesse o RT-PCR como teste prioritário disponível à população.

E qual é a taxa de precisão desse teste?

O que determina a taxa de precisão de um teste do tipo é a sua sensibilidade e a sua especificidade. A sensibilidade consiste na capacidade do teste em detectar com sucesso o vírus em uma população de indivíduos que estão, de fato, infectados. Já a especificidade trata de garantir que os resultados sejam negativos em todos os indivíduos não infectados.

No caso do autoteste baseado em antígenos, segundo o que foi aprovado pela Anvisa, o requisito é uma sensibilidade de pelo menos 80% e uma especificidade acima de 97%. Para comparação, o RT PCR tem um sensibilidade de 99%, pelo menos, e especificidade acima de 98%.

Fontes: Luciana Costa, diretora adjunta do Instituto de Microbiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro; Wilson Scholnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed (Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica); Eduardo Razza, doutor em Biotecnologia e Farmacologia e gerente de Desenvolvimento de Mercado da Thermo Fisher Scientific no Brasil.