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Teste caseiro serve para detectar covid-19 em superfícies? Não caia nessa

Vídeo viral mostra pessoa passando swab de teste caseiro em objetos e superfícies e vendo que o resultado deu positivo. Será verdade? - Reprodução/Instagram
Vídeo viral mostra pessoa passando swab de teste caseiro em objetos e superfícies e vendo que o resultado deu positivo. Será verdade? Imagem: Reprodução/Instagram

Vinícius de Oliveira

Colaboração para Tilt, em São Paulo

28/01/2022 13h08

Sem tempo, irmão

  • Vídeo viral mostra detecção de vírus da Covid-19 em superfícies
  • Especialistas dizem que gravação é sensacionalista e pouco crível
  • De acordo com virologista, amostra de superfície seca dificilmente seria detectada por teste caseiro
  • Farmacêutica relembra que vírus fica inativo depois algumas horas de exposição na superfície

Nas últimas semanas, um vídeo em que uma pessoa supostamente pega um teste caseiro de Covid-19 e passa o swab (popularmente conhecido como "cotonete") em superfícies e na janela de um avião viralizou nas redes sociais. Após um corte de filmagem, o resultado apresentado é positivo, com a possível detecção da proteína do vírus Sars-CoV-2.

A página que publicou o vídeo, originalmente, tem mais de 600 mil seguidores e conseguiu mais de 87 mil curtidas com a publicação. Nos comentários, muita gente ficou preocupada com a possibilidade de infecção por contato na superfície, principalmente em viagens; mas outros alertaram que o vídeo é sensacionalista. Qual é a verdade?

Para a virologista Luciana Costa, diretora adjunta do Instituto de Microbiologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), o vídeo tem "muitas inconsistências técnicas". "No caso do vídeo, a amostra usada (seca) vai ter pouca eficiência e não será possível a detecção. Note também o jeito de passar o swab. Desse modo, você terá baixíssima aderência de qualquer partícula de vírus que esteja presente na superfície", alertou.

De acordo com a especialista, outro fator importante é que o vídeo não diz quanto tempo se passou entre a suposta contaminação da superfície e o teste. "Para testes rápidos de detecção de antígeno de Sars-CoV-2, a amostra recomendada é sempre nasal, da nasofaringe ou da saliva. Cada um desses testes são otimizados para um determinado tipo de amostra, por isso é muito difícil que essa detecção aconteça", explicou.

A farmacêutica bioquímica Marisol Dominguez Muro, diretora do laboratório LCA do Hospital São Vicente, em Curitiba, também acredita que o vídeo seja "sensacionalista e nada acadêmico". "Pode ser uma invenção. A forma com que o teste é feito é totalmente inadequada: sem luva, sem cuidado nenhum. Não dá para evidenciar se realmente a pessoa passou o swab nas superfícies e colocou o mesmo swab no extrator. Então, me parece algo apenas para causar impacto", disse.

"Aviões, em geral, são totalmente sanitizados depois que as pessoas saem. Todos têm que usar máscara durante a viagem e isso diminui muito o risco de contagem. O maior risco em uma viagem de avião é o embarque e o desembarque, quando há aglomeração", completou.

Apesar de classificar o vídeo como sensacionalista, Marisol relembrou que é possível detectar partículas de vírus em superfícies inanimadas. Um estudo publicado em 2021 pela Universidade Federal do Paraná no Jornal Internacional de Pesquisa Ambiental e Saúde Pública mostra que foram encontrados RNA viral e proteínas do vírus em superfícies inertes dentro de hospitais e consultórios dentários.

Das amostras coletadas, apenas 4,9% deram positivo e a maioria delas estava em itens pessoais dos profissionais de saúde, como computadores, celulares e canetas. São superfícies que acabamos tendo menos cuidado e passam por menos processos de sanitização.

"Existe, sim, a possibilidade de isolar RNA viral e proteínas dos vírus de superfícies. O vírus fica inativo após algumas horas de exposição. Os estudos sugerem que o SaRS-CoV-2 pode estar no ambiente e pode ser transmitido por contato indireto, caso leve a mão para olhos, nariz ou boca. Por isso, é importante que a gente também tenha cuidado com o ambiente", disse a farmacêutica bioquímica.

Segundo Marisol, achar o vírus "não significa que ele esteja viável". Isto é, com a exposição ao meio ambiente, o vírus perde rapidamente a capacidade de se replicar e, portanto, de deixar alguém doente. "A forma de contaminação direta, através das gotículas, continua sendo a mais grave. Temos que ter cuidado com as superfícies inertes, mas o uso da máscara e a higiene com as mãos são fatores básicos", afirmou.

Cuidados básicos contra a Covid-19

As medidas de prevenção contra a Covid-19 continuam valendo. São elas:

  • Tomar a vacina e as doses de reforço;
  • Lavar as mãos com água e sabão ou sanitizá-las com álcool 70%;
  • Usar máscaras corretamente, de preferência do padrão PFF2 ou equivalente;
  • Evitar aglomerações e ambientes poucos ventilados;
  • Não tocar olhos, nariz e boca quando as mãos não estiverem higienizadas;
  • Ficar isolado em casa, se estiver doente.

Se você não tem sintomas ou se eles são leves, mas teve contato com alguma pessoa que ficou doente, a única forma de saber se é Covid-19 ou não é fazendo um teste. A Anvisa liberou nesta sexta-feira (28) a comercialização de testes caseiros no Brasil — como o utilizado no vídeo viral.