PUBLICIDADE
Topo

Meta é condenada a pagar R$ 44 mil após idosa cair em golpe do WhatsApp

Asterfolio/Unsplash
Imagem: Asterfolio/Unsplash

Felipe Mendes

Colaboração para Tilt, em São Paulo

14/01/2022 16h14

A Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, foi condenada no Brasil a pagar uma indenização de R$ 44 mil após uma idosa ser vítima do golpe do perfil falso no WhatsApp, no qual os fraudadores utilizaram a foto de seu filho. A decisão é da juíza Rita de Cássia de Cerqueira Lima Rocha, do 5º Juizado Especial Cível de Brasília.

O processo, movido em maio do ano passado, é de autoria dos filhos da mulher, que alegam que ela foi vítima de um golpe após receber uma mensagem de um número que, embora não estivesse em sua lista de contatos, continha a fotografia de seu filho, pedindo dinheiro.

Segundo o processo, a idosa pensou que seu filho estava em alguma situação de dificuldade e efetuou um depósito via Pix para a conta informada na mensagem. Após o primeiro depósito, o golpista pediu mais dinheiro. Foi então que a idosa pediu para que sua filha, uma das autoras do processo, realizasse um depósito para ajudar o irmão.

Somente após a terceira solicitação de dinheiro que a filha da idosa desconfiou da situação e entrou em contato com o irmão, que confirmou que não era ele quem estava enviando as mensagens. De acordo com o processo, as mulheres transferiram um total de R$ 44 mil ao golpista.

Em sua defesa, a Meta afirmou que o golpista agiu por meio de um perfil vinculado a número de telefone diferente do número do filho da idosa, já que é impossível, por meio do WhatsApp, dois números serem utilizados simultaneamente. Assim, a empresa alega não ter havido falha na prestação de serviço.

A juíza não aceitou as alegações da empresa e afirmou em sua decisão ser "incontestável que o autor da fraude teve acesso aos dados do perfil do filho da vítima". De acordo com a decisão, o golpista "sabia exatamente com quem estava falando, e escolheu, obviamente, alguém cujo apelo pudesse ser verossímil, sua mãe".

Além disso, a Meta não teria tomado providências para desativar a conta fraudulenta utilizada pelos golpistas, "contribuindo, diretamente, para que houvesse tempo razoável para aplicação do golpe contra os autores (vítimas)", diz a juíza.

Em contato com Tilt, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal afirmou que o processo já está em grau de recurso. A Meta, por meio da assessoria de imprensa do WhatsApp, disse que "a empresa está recorrendo da decisão pois os fatos apresentados não decorrem de nenhuma falha de segurança do aplicativo".

Golpe recorrente

Essa tentativa de fraude utilizando a foto de algum familiar para pedir dinheiro por meio do WhatsApp vem se multiplicando. No final do ano passado, o apresentador Ratinho, do SBT, afirmou ter perdido R$ 50 mil após um fraudador se passar pelo filho.

"Um cara me deu um cano de R$ 50 mil. Se passou pelo meu filho, falou que estava nos Estados Unidos", contou. Ratinho ainda teria pedido para falar com o filho pelo telefone, mas o golpista disse que só conseguiria responder por mensagem de texto.

"Ele botou a foto do meu filho no WhatsApp, o Rafael, e ficou escrevendo. Eu falei: fala comigo, filho. 'Não, meu telefone não está falando, só escrevendo'. Eu falei: mas esse telefone eu não conheço! [...] Ele disse que estava nos Estados Unidos, e eu mandei para ele R$ 50 mil. R$ 15 mil, daí ele pediu mais R$ 35 mil, eu dei mais 35. Eu não conseguia falar com o número de telefone. Desgraçado", completou.

Além de Ratinho, há uma série de reclamações nas redes sociais sobre golpes semelhantes. Confira:

A dica de especialistas em segurança para evitar cair em golpes assim é sempre desconfiar. Entre em contato com a pessoa que está pedindo dinheiro, por meio de ligação por voz pelo telefone. Além de confirmar a autenticidade da mensagem, você ainda pode alertar a pessoa sobre o golpe.