PUBLICIDADE
Topo

Ano de 2022 terá duas superluas; entenda o fenômeno e quando observá-lo

Nasa
Imagem: Nasa

Marcella Duarte

Colaboração para Tilt, em São Paulo

13/01/2022 04h00

O ano de 2022 nos presenteará com dois eventos astronômicos conhecidos como "superlua". Nestes dias, a Lua cheia pode parecer ainda maior e mais brilhante no nosso céu, pois está mais próxima da Terra.

À parte dos significados culturais e místicos, é um bom momento para observar nosso satélite natural. Saiba quando ocorrem as superluas, por que acontecem, e como vê-las:

14 de junho - Superlua de Morango

Nasce por volta das 18h, logo após o pôr do Sol, e será visível durante toda a noite.

A Lua cheia de junho era conhecida pelos povos nativos norte-americanos como "Lua de Morango", pois marca o mês em que os frutos selvagens amadurecem naqueles países, no final da primavera (outono no hemisfério Sul).

Diferença em perspectiva de uma superlua e uma microlua - Catalin Paduaru - Catalin Paduaru
Diferença em perspectiva de uma superlua e uma microlua
Imagem: Catalin Paduaru

13 de julho - Superlua dos Cervos

Nasce alguns minutos antes das 18h, e também será visível noite adentro.

Nas tradições norte-americanas, a Lua cheia de julho recebia o apelido de "Lua dos Cervos", pois nesta época crescem os chifres de animais silvestres da família dos cervos - todos os anos, a galhada dos machos cai no inverno e se regenera no verão.

Como ver?

Não há nenhum segredo para observar uma superlua. É bem fácil encontrar um astro deste tamanho e brilho no céu - a não ser que o tempo esteja muito fechado. A Lua cheia nasce sempre na sequência do pôr do sol, na direção leste (lado oposto ao que o Sol se puser).

O melhor horário para observar é justamente durante a primeira hora após o nascimento, pois a Lua pode mostrar belas variações de tonalidade, amarelada, alaranjada ou até avermelhada, devido ao efeito óptico da refração atmosférica. Também teremos a impressão de que ela está ainda maior, por causa da comparação com referenciais terrestres.

Quando estiver mais alta no céu, ela continuará igualmente ou até mais brilhante - mas nos parecerá menor. No horizonte, a Lua aparenta ser maior porque a vemos em meio a objetos mais próximos, como casas e árvores - por isso, as mais belas fotos de superluas são com ela bem baixa. No alto do céu, só com o pano de fundo das estrelas e sem interferências da atmosfera, o efeito é oposto e ela "fica" menor e mais branca.

O horário exato em sua cidade pode ser consultado em sites como o Heavens Above. Se tiver alguma dificuldade em localizá-la, use a bússola do celular ou um app de observação astronômica, como Stellarium, Star Walk, Star Chart, Sky Safari ou SkyView.

Não é preciso qualquer instrumento para observar; a olho nu já é um belo espetáculo acompanhar o movimento de subida da Lua. Mas quem tiver um binóculo, telescópio ou câmera com zoom, pode enxergar mais detalhes, como as crateras da superfície lunar. As áreas que vemos brilhantes são mais altas e com crateras, compostas por rochas ricas em cálcio e alumínio; as escuras são mais baixas, chamadas de "mares", com rochas basálticas que refletem pouco a luz.

Os dois dias seguintes às superluas também são ótimas janelas para observação e fotos, pois ela ainda estará com bastante brilho e nascendo no início da noite.

Por que há superluas?

Superlua é o nome popular para quando a fase da Lua cheia coincide ou é bem próxima ao seu perigeu - o momento em que nosso satélite está mais perto naquele mês. Nestas datas, teremos um alinhamento triplo: de um lado da Terra, o Sol; do lado oposto, a Lua, mais próxima. Isso faz com que ela apareça até 15% maior e 30% mais brilhante.

Devido às influências gravitacionais, a órbita da Lua ao redor da Terra - bem como as dos planetas ao redor do Sol - não é um círculo perfeito, mas sim uma elipse (uma espécie de oval). Por isso, ela se afasta e se aproxima de nosso planeta durante essa movimentação. O ponto em que fica mais distante é chamado de apogeu; o mais próximo, perigeu.

Durante o perigeu, a Lua fica a aproximadamente 360 mil quilômetros da Terra; no apogeu, a distância é de cerca de 400 mil quilômetros.

Isso não é algo raro, ocorre todos os meses: a Lua demora aproximadamente 28 dias para dar uma volta completa na Terra, passando por suas quatro fases. Vale lembrar que nosso satélite não tem luz própria; brilha porque reflete a luz do Sol. E, como está sempre girando, nós a vemos de diferentes formas com o passar dos dias.

O perigeu pode ocorrer em qualquer uma das fases; se coincide com a Lua cheia, temos a chamada superlua. Da mesma forma, uma Lua cheia no apogeu é uma microlua.

Apesar dos nomes, a diferença não é tão perceptível ao olho humano. Sem parâmetros comparativos, o que veremos no céu em junho e julho será uma Lua cheia normal, tão linda como qualquer outra. Só com instrumentos, como um telescópio, ou comparando por meio de fotografias dos meses anteriores, será possível notar a diferença de brilho e tamanho.

Lua cheia e tradição

Toda Lua cheia é um belo espetáculo a ser observado. Elas também costumam ser relacionadas a significados místicos — que não têm qualquer embasamento astronômico — e culturais. Tanto que povos nativos norte-americanos batizaram todas as Luas cheias do ano, associando-as a fenômenos naturais, como estações do ano, plantas e animais.

Aqui no Brasil, com as estações do ano invertidas em relação ao hemisfério Norte, a maioria destes nomes não faz sentido. De qualquer forma, são metáforas que valem a pena conhecermos.

Veja o calendário de todas as Luas cheias de 2022 e seus principais apelidos:

  • 17/1 - Lua do Lobo
  • 16/2 - Lua de Neve
  • 18/3 - Lua dos Vermes
  • 16/4 - Lua Rosa
  • 16/5 - Lua das Flores (também conhecida como Lua de Sangue)
  • 14/6 - Lua de Morango
  • 13/7 - Lua dos Cervos
  • 11/8 - Lua do Esturjão
  • 10/9 - Lua da Colheita
  • 9/10 - Lua do Caçador
  • 8/11 - Lua do Castor
  • 8/12 - Lua Fria