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Twitter reage à polêmica e diz ter "desafio de não arbitrar a verdade"

ILustração - logo Twitter - Alan Carrera/ Pixabay
ILustração - logo Twitter
Imagem: Alan Carrera/ Pixabay

De Tilt, em São Paulo

06/01/2022 20h40

O Twitter reagiu a questionamentos sobre a sua capacidade de combater fake news e o negacionismo e disse, por meio de longa nota divulgada nesta quinta-feira (6), que tem o desafio de "não arbitrar a verdade" e de dar às pessoas "o poder de expor, contrapor e discutir perspectivas". Para a plataforma, "isso é servir à conversa pública".

Nos últimos dias, internautas têm acusado a empresa de ser conivente com a divulgação de notícias falsas, ou não estar reprimindo esse tipo de postagem com rigor. Também há protestos sobre o apoio dado pelo Twitter, por meio do selo de "perfil verificado", a uma youtuber bolsonarista, Bárbara Destefani, acusada de desinformação. A hashtag #TwitterApoiaFakeNews está sendo utilizado por anônimos e famosos como forma de protesto.

"Temos acompanhado as discussões sobre nossa atuação para conter a desinformação no Twitter, especialmente relacionada a Covid-19. Enquanto avaliamos internamente revisões em nossos processos e análises, gostaríamos de esclarecer alguns pontos", inicia a rede social. (Leia a nota, na íntegra, abaixo)

Desde março de 2020, o Twitter possui uma política para tratar informações enganosas sobre Covid-19. Ela não prevê a atuação em todo conteúdo inverídico ou questionável sobre a pandemia, mas em Tweets que possam expor as pessoas a mais risco de contrair ou transmitir a doença. Nossa abordagem a desinformação vai além de manter ou retirar conteúdos e contas do ar. O Twitter tem o desafio de não arbitrar a verdade e dar às pessoas que usam o serviço o poder de expor, contrapor e discutir perspectivas. Isso é servir à conversa pública. Twitter, em nova divulgada na plataforma

Nesta quinta-feira (6), o MPF (Ministério Público Federal) pediu ao Twitter explicações sobre o porquê da plataforma não ter, no Brasil, um canal de denúncias sobre notícias falsas, especialmente sobre a covid-19, como acontece na Europa e nos Estados Unidos.

O ofício, assinado pelo procurador Yuri Corrêa da Luz, da Procuradoria dos Direitos do Cidadão do MPF em São Paulo, dá 10 dias para que a empresa e sua representante legal no Brasil, Fiamma Zarife, expliquem o porquê de a ferramenta não existir, se estão sendo tomadas providências para que o canal seja criado e o porquê de conteúdos de desinformação sobre a Covid-19 continuarem circulando amplamente no Twitter brasileiro.

O Twitter brasileiro possui um canal de denúncias, mas entre os motivos para que uma conta ou postagem seja denunciado não está a disseminação das chamadas fake news, o que leva o usuário a escolher outra alternativa, que pode ser por exemplo que está incomodado com a postagem ou que incentiva suicídio. No entanto, pelas postagens com notícias falsas não se encaixarem perfeitamente nas razões, acabam não sendo retiradas do ar.

O procurador pede ainda que a plataforma explique o critério para concessão da chamada verificação das contas, um selo dado pelo Twitter para pessoas e empresas e que confere credibilidade, já que confirma que aquela não é uma conta falsa.

No entanto, o Twitter tem verificado contas conhecidas por transmitirem desinformação em relação à pandemia e outros temas. O caso mais recente foi o de Bárbara Destefani, bolsonarista que está sendo investigada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) e pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pela divulgação de notícias falsas.

O canal no YouTube de Destefani —que usa nas redes o nome "Te Atualizei"— foi incluído entre os 11 que o TSE mandou a rede social desmonetizar, ou seja, suspender os pagamentos feitos pela atração de anúncios. A informação de que a conta recebeu o selo de verificação virou um movimento contrário dentro do próprio Twitter. Em sua conta, Bárbara credita a reação a uma perseguição por ser bolsonarista.

Sobre a verificação de contas, o Twitter admite que o processo requer aprendizado e revisões e está sujeito a eventuais equívocos.

Vale lembrar que o selo azul tem como objetivo confirmar a autenticidade de perfis de alto alcance e engajamento. Porém, o processo de implementação requer aprendizado e revisões, dado que é recente e está sujeito a imprecisões e equívocos. Twitter, em comunicado

Leia nota na íntegra

Temos acompanhado as discussões sobre nossa atuação para conter a desinformação no Twitter, especialmente relacionada a Covid-19. Enquanto avaliamos internamente revisões em nossos processos e análises, gostaríamos de esclarecer alguns pontos.

Desde março de 2020, o Twitter possui uma política para tratar informações enganosas sobre Covid-19. Ela não prevê a atuação em todo conteúdo inverídico ou questionável sobre a pandemia, mas em Tweets que possam expor as pessoas a mais risco de contrair ou transmitir a doença.

Nossa abordagem a desinformação vai além de manter ou retirar conteúdos e contas do ar. O Twitter tem o desafio de não arbitrar a verdade e dar às pessoas que usam o serviço o poder de expor, contrapor e discutir perspectivas. Isso é servir à conversa pública.

Levamos em conta critérios específicos para a tomada de medidas que vão desde sinalizar um Tweet como enganoso até a suspensão permanente de uma conta.

É possível encontrá-los em nossa Central de Ajuda

Desde que a política foi lançada, atuamos em parceria com especialistas para trazer informações confiáveis ao Twitter e monitoramos conversas para identificar e tomar medidas proativamente em caso de violação às regras.

Além disso, @MomentsBrasil reúne Tweets de fontes confiáveis que contrapõem, contextualizam e desmentem afirmações controversas ou questionáveis que surgem em conversas na plataforma. É possível encontrar os conteúdos diretamente na aba Explorar.

Como costumamos fazer nas atualizações de produto, recentemente iniciamos um teste de denúncia de informações enganosas em diferentes categorias, incluindo Covid-19, nos EUA, Austrália e Coreia do Sul. A eventual implementação em todo o mundo dependerá dos resultados aferidos.

Em relação à verificação, lançamos uma nova política de acordo com comentários feitos pelas pessoas, cujos critérios estão disponíveis publicamente.

Vale lembrar que o selo azul tem como objetivo confirmar a autenticidade de perfis de alto alcance e engajamento.

Porém, o processo de implementação requer aprendizado e revisões, dado que é recente e está sujeito a imprecisões e equívocos.

Ouvimos os questionamentos e reavaliamos, onde erros foram cometidos, fizemos correções.

Todas as contas, incluindo as verificadas, devem seguir as Regras do Twitter. No caso de violação das regras por um perfil verificado, as medidas cabíveis poderão incluir a remoção do selo.

Vale reforçar que ninguém no Twitter é responsável, sozinho, por nossas decisões, e é lamentável ver pessoas que trabalham na empresa sofrerem cobranças dirigidas como se respondessem pelas medidas isoladamente.

Novos comportamentos e conversas surgem a todo momento e trabalhamos para que nossas políticas e ações reflitam essas mudanças.

Continuaremos compartilhando detalhes sobre nosso trabalho com foco na saúde da conversa pública e na segurança das pessoas.