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O que você faria em um ataque nuclear? Realidade Virtual mostra como seria

Programa de realidade virtual simula ataque nuclear - Divulgação/ Universidade de Princeton
Programa de realidade virtual simula ataque nuclear Imagem: Divulgação/ Universidade de Princeton

Simone Machado*

Colaboração para Tilt, em São José do Rio Preto (SP)

26/12/2021 04h00Atualizada em 26/12/2021 05h38

Você já imaginou o que faria se fosse o presidente dos Estados Unidos e tivesse que enfrentar um ataque nuclear? Como seria agir em situações emergências onde milhares de pessoas podem morrer diante de uma ação ou comando seu e todas as decisões tivessem que ser tomadas em poucos minutos?

Foi para levar essa sensação de pressão e estresse às autoridades norte-americanas, que a Universidade de Princeton criou o "Nuclear Biscuit", uma simulação de realidade virtual (RV) que mostra o que um presidente do país enfrentaria diante de um cenário de ataques.

O simulador coloca o usuário na sala de guerra após a notícia de que a Rússia lançou uma série de mísseis nucleares contra os EUA. A ferramenta está sendo testada por autoridades norte-americanas, como legisladores e especialistas em segurança nacional, para ajudar a melhorar as decisões tomadas em situações extremas e reavaliar o uso de armas nucleares.

O projeto foi desenvolvido pelo Programa de Ciência e Segurança Global da Universidade de Princeton, em colaboração com um grupo de desarmamento nuclear Global Zero, e apresentado na Conferência de Segurança de Munique.

Para a sua criação foram feitas entrevistas com ex-oficiais, sobre o que aconteceria se os EUA estivessem — ou acreditassem estar — sob ataque nuclear.

Como funciona o simulador

No simulador de realidade virtual, os usuários usam óculos de RV e fones de ouvido. Através dos equipamentos, eles são introduzidos a um cenário em que assumem o papel de presidente dos Estados Unidos se tornando os responsáveis por decidir como responder a um ataque nuclear.

A experiência começa com o usuário sentado na mesa do presidente no Salão Oval no momento em que é informado de que uma emergência nacional está em andamento.

Na sequência, o "presidente" é levado a uma sala de situação emergências na Casa Branca, onde é informado de que centenas de mísseis balísticos intercontinentais russos estão a caminho do litoral oeste do país.

Ao longo de 15 minutos, o tempo de tomada de decisão da vida real diante de tal cenário, os participantes têm a oportunidade de interagir com os consultores, fazer perguntas e determinar um curso de ação apropriado para o momento. Vale lembrar que uma ação errada nesse cenário pode resultar na morte de ao menos 5 milhões de inocentes.

"Nosso objetivo ao criar essa experiência de realidade virtual é forçar as pessoas a lidarem com as consequências da atual estratégia nuclear dos Estados Unidos. Portanto, devemos prestar atenção à questão ucraniana por causa da segurança do continente. A propagação da guerra em caso de invasão russa à Ucrânia será muito mais ampla", disse Sharon Weiner, professora associada da American University.

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Realidade virtual óculos metaverso tecnologia
Imagem: rawpixel.com/ Freepik

Reação das pessoas ao testarem o simulador

O ex-negociador dos Estados Unidos para o controle de armas nucleares com a União Soviética Richard Burt foi uma das pessoas que testou o simulador.

"Você entra nessa simulação e sai uma pessoa mudada", disse ao terminar o experimento.

O embaixador Ivo Daalder, ex-representante permanente dos EUA na Otan, também passou pela experiência de ser o presidente por alguns minutos e a classificou como aterrorizante.

"Esta simulação mostra como seria verdadeiramente aterrorizante se um presidente tivesse que decidir sobre o lançamento de armas nucleares dos EUA poucos minutos após receber avisos de um ataque. É por isso que precisamos fazer tudo o que pudermos para evitar que tal situação aconteça", disse.

Julian Borger, jornalista do The Guardian, também fez o uso do simulador por 15 minutos. O profissional descreveu a experiência como avassaladora, já que ele teve que tomar uma decisão que poderia incitar uma guerra mundial.

"A pressão para tomar uma das opções apresentadas pelo Pentágono foi quase insuportável. Nos 15 minutos disponíveis seria impossível colocar todas as alternativas viáveis diante de um presidente, então quem as reduz tem um poder enorme", relatou o jornalista.

Os criadores do simulador planejam levar o equipamento ao Congresso e assim levar essa experiência de enfrentar uma guerra nuclear aos legisladores.

"Esperamos que os membros do Congresso venham a experimentar isso e pelo menos vejam as consequências das escolhas que fizeram sobre as questões das armas nucleares", acrescentou Sharon Weiner, professora associada da American University, que atuou no projeto.

Crise entre Rússia e Ucrânia

Desde o mês passado, a Ucrânia acusa a Rússia de despachar milhares de soldados para a fronteira entre os dois países. A ação teria o objetivo de uma possível invasão ou ação militar de grande escala.

No entanto, a Rússia nega e diz que não planeja atacar o território ucraniano, mas sim garantir a própria segurança. O país acusa ainda os EUA de estar adotando um comportamento desestabilizador na região.

Nas últimas semanas, os Estados Unidos, a Otan e a União Europeia têm expressado preocupação com a movimentação das tropas russas em volta da Ucrânia, temendo uma possível invasão.

O leste da Ucrânia está mergulhado em uma guerra entre o governo de Kiev e os separatistas pró-russos desde 2014, que estourou pouco após Moscou anexar a Crimeia. Desde então, o conflito deixou mais de 13.000 mortos.

*Com informações dos sites Futurism e The Guardian.