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Por que está difícil e ainda mais caro pegar corridas via app no fim de ano

Uber - Divulgação
Uber Imagem: Divulgação

Abinoan Santiago

Colaboração para Tilt, em Florianópolis

21/12/2021 12h51

Se você abriu aplicativos de transporte particular, como Uber e 99, em dezembro e percebeu que demorou até conseguir um carro para a viagem ou notou valores muito altos, saiba que não está sozinho.

Passageiros das duas das principais plataformas de mobilidade urbana do país têm relatado dificuldades em encontrar um motorista disponível e um preço em conta. O aumento na demanda por viagens de carros de aplicativo no final do ano é parte do culpado por isso.

Esse crescimento de pedidos é até algo comum. Mas nem por isso a sensação de "entra ano e sai ano... nada muda" foge da percepção de alguns usuários.

O fato de que 2021 ficou marcado pela alta de cancelamento de pedidos, que se tornou comum e grande alvo de reclamação, também parece contribuir mais para o problema da falta de veículos e preços altos.

"O Uber deveria liberar a função de implorar ao motorista", diz um comentário de um internauta que viralizou no Twitter, com mais de 126 mil curtidas.

"Mais fácil eu pegar você do que um Uber nessa cidade", comentou outra usuária da plataforma.

Teve gente também que reclamou do preço aplicado às corridas. Uma usuária do Rio de Janeiro publicou o print de uma corrida ao valor de R$ 99,99, o que segundo ela, chega a custar até R$ 13.

As reclamações não são apenas contra a Uber. A 99 também virou alvo de comentários nas redes sociais e já tem gente até pensando e retornar com o uso do táxi.

Demanda alta encarece viagens

Tanto a Uber quanto a 99 informaram a Tilt que concordam que existem um aumento da demanda agora no fim de ano e que isso impactada o mercado devido a oferta de motoristas disponíveis. Quanto mais pedidos em uma localidade, maior o valor da viagem.

Esse desequilíbrio não é uniforme em todos os lugares onde o serviço funciona. É mais acentuado em lugares com menos colaboradores, por exemplo.

No fim de ano, a Uber diz que a demanda por viagens é resultado de uma crescente dos últimos meses em razão do "avanço da vacinação e a reabertura progressiva de atividades pelas autoridades" sanitárias durante a pandemia do novo coronavírus.

"Os usuários estão tendo que esperar mais tempo por uma viagem porque, especialmente nos horários de pico, há momentos em que há mais solicitações do que motoristas parceiros disponíveis para atendê-las", afirma.

O valor maior em horários de desequilíbrio, chamado pela Uber de "preço dinâmico" —tarifa maior a ser paga pelo KM rodado— é "localizado" e "entra em vigor automaticamente" pelo algoritmo do aplicativo.

"A ferramenta é eficiente porque, por um lado, faz alguns usuários adiarem a viagem à espera de um preço menor e, por outro, aumenta os ganhos dos motoristas para incentivar que mais parceiros se desloquem para atender aquela região".

Já a 99 "informa que o preço final da corrida utiliza uma equação que leva em conta a distância percorrida e o tempo de deslocamento, que é definido de acordo com a oferta e demanda". Esse valor final ainda pode ter influência de outros fatores, "como excesso de trânsito, chuva ou aumento de pedidos de carros por app".

Para a empresa, a demanda "historicamente também cresce com a proximidade das comemorações de final de ano", podendo "resultar em um maior tempo de espera para o passageiro".

"Outra forma de garantir que os motoristas parceiros sempre tenham ganhos no serviço prestado sem afetar o valor final da corrida ao passageiro é a iniciativa em que é empregada a taxa negativa, ou seja, o valor repassado ao motorista é maior que o pago pelo passageiro e esta diferença é custeada pela empresa", completou a 99.

Com maior demanda, mais cancelamentos

A Uber comenta que o desequilíbrio entre a oferta de motoristas e demanda por corridas também pode resultar em uma frequência maior de cancelamentos, tanto de usuários quanto de colaboradores.

De um lado, o passageiro pode julgar que a corrida está muito cara e cancelar, e de outro, o motorista tem a opção de rejeitar se analisar que o percurso está muito barato para o horário.

Além da oferta e demanda, a Uber enfrentou neste ano a exclusão de 1,6 mil de motoristas que cancelaram corridas além da conta por causa da inviabilidade de retorno financeiro, impulsionada pelo aumento do preço de combustíveis e inflação de insumos de manutenção dos veículos, tornando a disponibilidade de motorista ainda mais escassa.

Nos últimos 18 meses, o litro da gasolina aumentou mais de 70%, chegando a quase R$ 7. O valor do aluguel de carros ultrapassou 30%, segundo o IBGE.

Esse número de saídas das plataformas pode ainda ser maior. Levantamento da Amasp (Associação de Motoristas de Aplicativos), por exemplo, indica uma queda de 28% no número de motoristas de aplicativos em São Paulo, em 2021.

A Uber informou a Tilt que tem intensificado campanhas de indicação, dando bônus de até R$ 1 mil aos motoristas que conseguirem indicar a plataforma a novos colaboradores.

Por outro lado, a 99 busca evitar cancelamentos aplicando uma "série de políticas de incentivos ao motorista parceiro, como ganho adicional para buscar passageiros que estão mais distantes, por exemplo".

Como conseguir corrida barata?

Com tanta demanda de viagens, uma maneira de driblar os altos valores é se planejar para evitar pedir motoristas em horários de pico, período de muita demanda ao mesmo tempo.

De acordo com a Uber, como o preço dinâmico é temporário, a orientação é de que os usuários precisem esperar "algum tempo antes de verificar o preço novamente no app". Isto é, se a sua corrida deu muito cara, espere por mais um tempo para verificar se o valor abaixa na próxima consulta ao percurso.