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Chefe do Google: tecnologia remove barreiras e veio para ficar nas escolas

Zach Yeskel, gerente de produto do Google para Educação e um dos criadores do Google Classroom - Divulgação
Zach Yeskel, gerente de produto do Google para Educação e um dos criadores do Google Classroom Imagem: Divulgação

Letícia Naísa

De Tilt, em São Paulo

13/12/2021 04h00

Há 15 anos, o professor de matemática Zach Yeskel deixou as salas de aulas físicas para se dedicar ao desenvolvimento de ambientes virtuais para estudantes ao chegar no Google. Sua experiência ensinando adolescentes o ajudou a criar a plataforma de educação a distância Classroom, que viu seu acesso crescer durante a pandemia de covid-19, escolas fechadas e estudantes passando mais tempo na frente do computador.

O Google Classroom soma hoje 170 milhões de usuários em diferentes países. Como gerente de produto do setor de educação da empresa, Yeskel tem a missão de continuar expandindo a plataforma. O desafio atual, segundo ele, é fazer com que várias ferramentas que não foram pensadas originalmente para o ensino pela internet sejam adaptadas para atender a crescente demanda de alunos e professores.

Alguns exemplos são o Google Meet (de reunião virtual), Google Calendar (calendário digital), Google Docs (arquivos de edição de texto e planilha, por exemplo), Google Drive (de armazenamento de arquivos). Yestel recebeu a reportagem de Tilt virtualmente para contar sobre os bastidores do Google Classroom e sua visão sobre o futuro da educação. Confira:

Tilt: Como começou o projeto do Google Classroom e como você se envolveu nele?

Zach Yeskel: Sempre fui apaixonado por educação. Eu me tornei professor quando me formei na faculdade, ensinava matemática e usava muita tecnologia na sala de aula. Então eu quis aprender como desenvolver tecnologia para a área da educação. Entrei no Google pouco tempo depois, na equipe do Google Apps para Educação, tínhamos uma equipe pequena trabalhando nessa área e passamos muito tempo conversando com professores e diretores de escola. Percebemos que muitos usavam nossas ferramentas de jeitos inovadores e então precisávamos pensar em formas de tornar o trabalho deles mais fácil. Foi assim que nasceu o Google Classroom, mais por meio de conversas e adaptando as ferramentas às necessidades dos professores.

Foi há uns dois anos que começamos a pensar em como juntar tudo isso em uma "sala de aula virtual" com lugar para os trabalhos, o feedback [para estudantes], e que facilitasse a comunicação para todos conseguirem usar as ferramentas e cumprir seus objetivos.

Tilt: Quantas pessoas trabalham na equipe do Google Classroom?

ZY: É difícil mensurar, porque nós trabalhamos com as equipes do Drive, do Meet, do Docs, do YouTube, de busca, do Gmail, do calendário. Todo o Google está envolvido.

Tilt: Como a pandemia afetou a dinâmica do Google Classroom?

ZY: Tudo mudou. Os educadores do mundo todo saíram da sala de aula pessoalmente e tiveram que se adaptar, adotar e aprender sobre as novas tecnologias. Alguns que nunca haviam usado tecnologia antes na sala de aula. Tornou-se uma oportunidade para os professores reimaginarem o que a educação poderia ser e como eles poderiam alavancar a tecnologia.

Num panorama mais amplo, [a pandemia] acelerou o papel da tecnologia dentro da educação. Se tivéssemos essa conversa há dois anos, diríamos "o futuro, os estudantes vão usar tecnologia para aprender" e isso seria uma frase corriqueira, mas agora todos, de fato, estão. A tecnologia tornou-se parte da infraestrutura para uma escola hoje. Isso tudo é potencialmente transformador.

Tilt: Alguns alunos ou professores podem ter dificuldades para se adaptar às tecnologias. Alguns professores são de gerações mais velhas e alguns alunos ainda são muito pequenos para conseguir prestar atenção nas aulas nesse período de EAD. Como o Google Classroom está atingindo quem tem essas dificuldades?

ZY: Tem coisas que a tecnologia não pode resolver, que até a nossa tecnologia não consegue resolver sozinha. Mas acho que nossa regra de ouro é a simplicidade para usar as ferramentas, esse sempre foi o nosso objetivo. Nosso propósito é que nós nem precisemos ensinar alguém a usar a nossa tecnologia, porque ela deve ser familiar. Mas isso ajuda até certo ponto. Então lançamos programas, desde o ano passado, para ajudar professores e diretores de escolas, pais e estudantes a ter toda a assistência aos recursos que for necessária.

Mas, houve pedras no meio do caminho, seja por não saberem usar alguma coisa ou os estudantes tirando vantagem dos professores que não estavam adaptados às ferramentas. Não foi fácil e eu reconheço como foi enorme a transição para tanta gente e como esses professores e alunos têm sido resilientes desde o ano passado. Mais do que nós, são eles que arregaçaram as mangas para fazer o trabalho acontecer. Nós tentamos manter as atualizações rápidas enquanto todo o mundo se adaptava às ferramentas.

O Google Meet, por exemplo, não foi feito pensando em educação. Fizemos muitas mudanças para garantir que seria um espaço seguro para aprendizagem, como permitir que apenas os professores pudessem abrir uma sala, assim os alunos não poderiam mutar o professor [tirar o seu acesso ao microfone da sala virtual] ou coisas do tipo. Uma das principais demandas foi de que dois professores pudessem dar aula juntos, então colocamos uma ferramenta de co-professores. São detalhes importantes para garantir a produtividade do ambiente de ensino.

Tilt: Tanto aqui no Brasil quanto nos EUA, há lugares com acesso remoto à internet, o que dificulta o uso dessas ferramentas para estudar. Vocês têm algum projeto de acessibilidade no Google Classroom?

ZY: O que estamos fazendo é melhorar o acesso às ferramentas pelo celular [Android] e permitindo que elas sejam acessíveis offline. Mesmo quem não tem um bom sinal de internet poderá interagir com os professores

Tilt: Como o Google garante a privacidade de quem usa as ferramentas do Classroom, especialmente de menores de idade?

ZY: É muito importante garantir a segurança das informações e dados. É um dos nossos principais compromissos. Temos os termos de privacidade do Google para Educação que garante conformidade com as regras de privacidade de cada governo. Considerando que as escolas têm acesso aos dados dos alunos, é possível controlar quem pode fazer download desses dados. E nós não usamos dados de estudantes para publicidade.

Tilt: Como você vê o futuro da educação? A tecnologia vai ser parte dela quando voltarmos para a sala de aula definitivamente?

ZY: Acredito que essas tecnologias vieram para ficar. Digo isso porque nossas ferramentas são usadas globalmente e, com isso, temos visto que, mesmo em lugares onde as escolas voltaram para o ambiente físico, as pessoas continuam usando nossas ferramentas de educação. Mas a verdade é que as ferramentas do Google não foram pensadas para estes fins de educação a distância, mas conforme as escolas forem voltando ao modelo presencial, nosso trabalho é garantir que elas continuem ajudando na educação.

Quanto aos aparelhos, o celular sem dúvida será parte importante, como é. De forma geral, o papel da tecnologia deve ser remover os obstáculos entre alunos, professores e escolas. Hoje, vale a pena refletir sobre quais são esses obstáculos e de que formas a tecnologia pode ser mais útil para quem usa, sabe?