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WhatsApp quer combate a fake news, mas critica rastreamento de mensagens

Will Cathcart, presidente-executivo (CEO) do WhatsApp - Divulgação/Facebook
Will Cathcart, presidente-executivo (CEO) do WhatsApp Imagem: Divulgação/Facebook

Lucas Carvalho

De Tilt, em São Paulo

06/12/2021 12h00Atualizada em 06/12/2021 20h22

Durante uma entrevista coletiva concedida a um seleto grupo de jornalistas nesta semana, o presidente-executivo do WhatsApp, Will Cathcart, admitiu que está acompanhando o desenrolar do Projeto de Lei 2.630/20, conhecido como PL das Fake News, na Câmara dos Deputados do Brasil.

"Nós concordamos completamente com o objetivo de enfrentar fake news e desinformação", disse Cathcart a Tilt. "Mas discordamos de detalhes, como, por exemplo, a questão da rastreabilidade —que acreditamos ser a solução errada."

O PL das Fake News foi criado para tipificar o crime de distribuição de notícias falsas pela internet. O texto original foi aprovado em junho de 2020 pelo Senado.

Além de proibir disparos em massa de mensagens e definir regras para o uso de bots (perfis automatizados, robôs) nas redes sociais, a atual versão do texto traz de volta um assunto que já havia gerado polêmica no ano passado: ele exige rastreabilidade de mensagens —isto é, que as empresas sejam capazes de rastrear a origem de uma mensagem que viralizou.

A proposta surgiu inicialmente com a intenção de descobrir autores de crimes na internet, mas especialistas e entidades civis enxergam a ideia como um risco à privacidade, e, no caso do WhatsApp, uma ameaça à sua tecnologia de criptografia de ponta a ponta.

Segundo Cathcart, a exigência de rastreabilidade "traz problemas muito, muito sérios para a liberdade das pessoas, sua habilidade de conversar livremente, e para a sua privacidade".

O executivo também diz que apoia a regulamentação de apps como o WhatsApp por parte do governo, "desde que seja bem pensada e considerada", e que algumas exigências do PL, como a limitação de encaminhamentos de mensagens, já foram adotadas.

Questionado sobre a possibilidade de o WhatsApp deixar o Brasil caso o PL das Fake News fosse aprovado da mesma forma como se encontra hoje, Cathcart desconversou.

"Nós trabalhamos de forma proativa, sem qualquer regulamentação, para combater fake news", disse. "Estou ansioso para ver a versão final do projeto de lei e torço para que ele continue a proteger a respeitar a privacidade das pessoas, sem incluir coisas como rastreabilidade."

Aprovado no Senado em 2020, o PL das Fake News agora está com a Câmara dos Deputados, que criou um grupo de trabalho para analisar o tema, mas não tem prazo para entregar uma versão final à presidência da casa.

Eleições de 2022

Cathcart também disse a Tilt que a sua equipe está de olho nas eleições brasileiras de 2022, e em contato com a Justiça Eleitoral, para desenvolver recursos que ajudem a preservar o pleito do ano que vem.

"Trabalhamos muito nos últimos anos para fazer coisas como detectar disparo de mensagens em massa e limitar o encaminhamento", diz o executivo, sem dar mais detalhes sobre o que está sendo preparado para o ano que vem.

Durante as eleições municipais de 2020, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) repassou ao WhatsApp 1.020 denúncias de disparo de mensagens em massa. Por sua vez, a empresa baniu 256 contas por violar diretrizes do app.

Também no ano passado, o WhatsApp ajudou o TSE a criar um chatbot (robô de conversa) para tirar dúvidas de eleitores durante as eleições e até um pacote de figurinhas temáticas.