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Cofundador do Twitter, Jack Dorsey deixa cargo de presidente da empresa

Jack Dorsey - Divulgação
Jack Dorsey Imagem: Divulgação

Guilherme Tagiaroli e Lucas Carvalho

De Tilt, em São Paulo

29/11/2021 13h09Atualizada em 29/11/2021 15h23

O norte-americano Jack Dorsey, 45, um dos cofundadores do Twitter, anunciou hoje (29) que decidiu deixar o posto de CEO (diretor-presidente) da rede social, cargo que ocupa desde 2015. A notícia, que começou a circular na imprensa norte-americana na manhã desta segunda, foi confirmada pelo próprio executivo em seu perfil no Twitter.

Parag Agrawal, atual presidente de tecnologia da empresa (CTO), assume o cargo a partir de já.

"Fala-se muito sobre a importância de uma empresa ser 'liderada pelo fundador'. Em última análise, acredito que isso é muito limitante e um ponto único de falhas. Trabalhei muito para garantir que essa empresa pudesse se distanciar de seus fundadores e sua fundação", disse Dorsey num email enviado à sua equipe e compartilhado por ele mesmo no Twitter.

Além de promover Agrawal ao cargo de presidente executivo, Dorsey anunciou a entrada de Bret Taylor, presidente e diretor de operações da Salesforce (uma importante investidora do Twitter) no conselho administrativo da rede social. Dorsey também vai deixar o cargo de presidente do conselho em maio de 2022 para "dar ao Parag o espaço de que ele precisa para liderar".

Outros motivos

De acordo com a CNBC, a saída de Dorsey se deve ao fato de ele ocupar o cargo de diretor-presidente de duas empresas — no caso o Twitter e a Square (uma companhia de meios de pagamentos).

Um dos articuladores da remoção de Dorsey seria o bilionário republicano norte-americano Paul Singer, do fundo de investimentos Elliott Management, que comprou ações do Twitter no ano passado. Para ele, ainda segundo a CNBC, o atual líder da rede social deve ser CEO de apenas uma companhia.

Singer comprou ações do Twitter em 2020 e na época já tinha intenção de remover Dorsey do cargo de diretor-presidente do Twitter, por entender que ele não conseguiria dar a atenção necessária ocupando dois cargos de liderança.

Além disso, de acordo com o Guardian, pesa contra o atual manda chuva da rede social o desejo de viver e trabalhar de países africanos durante o período de um ano — a sede do Twitter fica em San Francisco, na Califórnia (EUA).

Futuro do Twitter

Agrawal, o próximo diretor-presidente da rede, tem como objetivo dobrar as receitas até 2023 —a empresa planeja monetizar 315 milhões de usuários ativos diários em dois anos.

Enquanto isso, a companhia tem implementado novas funcionalidades, como a criação de salas de chat em voz e a possibilidade de dar dinheiro para alguns criadores de conteúdo.

Outro desafio tem relação com lidar com o discurso de políticos. Dorsey foi responsável pelo estabelecimento de regras que fizeram até o ex-presidente dos EUA Donald Trump ser expulso da rede social. No Brasil, tivemos casos semelhantes, com tuítes sobre a pandemia, publicados pelo presidente Jair Bolsonaro, marcados com um alerta.

Somente os rumores da saída de Dorsey da liderança do Twitter fizeram as ações da companhia terem uma alta de 11% na bolsa de valores americana Nasdaq.

Histórico do Twitter

O Twitter foi fundado em 2006, e Dorsey foi o primeiro diretor-presidente da rede. Ele deixou o cargo em 2008, quando foi substituído por Evan Willians, outro cofundador do Twitter.

Neste meio tempo, Jack Dorsey fundou a Square em 2009, uma startup de meios de pagamento nos EUA. Em 2015, voltou ao Twitter como CEO e acumulou também a função de liderança da Square.