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Tipo Saturno? Terra pode formar anéis ao redor do planeta - mas de lixo

Imagens da Agência Espacial Europeia (ESA) expõem a elevada quantidade de lixo espacial ao redor da Terra - ESA
Imagens da Agência Espacial Europeia (ESA) expõem a elevada quantidade de lixo espacial ao redor da Terra Imagem: ESA

Colaboração para Tilt, em São Paulo

26/11/2021 11h09

O planeta Terra pode estar formando anéis que lembram os de Saturno. No entanto, a notícia não é animadora: se eles de fato surgirem, serão formados por lixo espacial.

Desde as primeiras viagens dos humanos à Lua, a grande quantidade de lixo espacial se mostra como um problema cada vez mais preocupante. E a situação tende a se agravar. Embora muitos objetos e resíduos descartados próximos à órbita sejam sugados de volta para a atmosfera do planeta e, consequentemente, acabam queimados, grande parte deles permanece abandonada no espaço.

Diante deste cenário, Jake Abbott, professor da Universidade de Utah, prevê que, em breve, a Terra poderá começar a se parecer muito com o planeta Saturno, conforme afimou ao The Salt Lake Tribune.

A Terra está prestes a ter seus próprios anéis. E eles serão feitos de lixo.

Quatro dos planetas vizinhos da Terra - Júpiter, Saturno, Netuno e Urano - possuem algum tipo de anel, sendo que o segundo destes é o exemplo mais conhecido de todos.

Os anéis largos que adornam Saturno são feitos de gelo e rocha que ficaram presos na órbita do planeta. O mesmo geralmente se aplica ao resto, com composições variadas de gelo e poeira cósmica.

Mas, esse efeito, evidentemente, não se aplica à Terra, pois os materiais que rondam o planeta são produtos da ação humana, como satélites inativos e danificados, destroços de foguetes e outros resíduos de missões ao espaço.

Possíveis riscos

De acordo com a Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), existem cerca de 170 milhões de fragmentos de lixo espacial com mais de um milímetro de diâmetro em órbita. Aproximadamente 670.000 deles são maiores do que cerca de meia polegada de diâmetro.

Por outro lado, o Programa de Detritos Orbitais da NASA, que mantém registros detalhados dos objetos que circundam a Terra, aponta que existem atualmente cerca de 23.000 pedaços de resíduos orbitais que são maiores do que uma bola de Tênis e até centenas de milhões de pedaços a mais em tamanhos menores. Eles vagam em torno do planeta a aproximadamente 28 mil km/h.

Sendo assim, os maiores fragmentos representam uma séria ameaça para as viagens e pesquisas aeroespaciais, com elevado risco de colisões indiretas, que podem resultar em mais pedaços menores de lixo espacial.

Com empresas como a SpaceX lançando suas próprias constelações massivas de satélites de banda larga, a área em torno do planeta está mais poluída do que nunca.

Agora, os cientistas estão tentando descobrir como limpar a órbita de maneira segura e econômica. Abbott acredita que uma solução para desobstruir o lixo espacial seria uma grande coleta utilizando ímãs.

Girando um imã na extremidade de um braço robótico para criar correntes elétricas especiais chamadas redemoinhos, pedaços individuais de lixo espacial poderiam ser controlados e desacelerados, conforme descrito em um artigo recente publicado por Abbot na revista Nature.

"Basicamente, criamos o primeiro raio trator do mundo", disse o pesquisador ao The Salt Lake Tribune. "Agora é apenas um desafio que fica por conta da engenharia. Construindo e lançando", completou.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que foi informado em uma versão anterior da matéria, os objetos que circundam a Terra vagam a uma velocidade de aproximadamente 28 mil km/h, e não 28 km/h. O texto foi corrigido.