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Síndrome de Kessler: entenda a chuva de lixo espacial que ameaçou a ISS

Getty Images/iStock
Imagem: Getty Images/iStock

Thaime Lopes

Colaboração para Tilt, em São Paulo

18/11/2021 16h02

Poderia ter sido uma cena tirada do filme "Gravidade", mas era a vida real: na última segunda-feira (15), astronautas na Estação Internacional Espacial precisaram buscar abrigo rapidamente depois que o exército russo destruiu um satélite num teste com mísseis. Destroços se espalharam rapidamente pela órbita da Terra e ameaçaram a Estação.

Esse tipo de incidente, que pode ficar cada vez mais frequente conforme o número de objetos lançados ao espaço cresce rapidamente, pode ser uma prévia da Síndrome de Kessler, a previsão catastrófica de que, a medida que a órbita da Terra vai ficando mais e mais cheia de satélites e detritos, ir ao espaço pode se tornar uma missão perigosa, e até a vida aqui na Terra corre perigo.

Quem bolou essa tese foi o cientista Donald Kessler, da Nasa. Em 1978, ele explicou em um estudo que, conforme os satélites forem batendo uns nos outros, os destroços dessas colisões poderiam bater em outros objetos, causando ainda mais destroços até que, eventualmente, a quantidade de lixo espacial proveniente dessas batidas seja maior do que o fluxo de meteoritos em volta da Terra.

Isso poderia afetar diretamente a segurança de astronautas e qualquer nave que tentasse sair ou voltar para o planeta. O estrago seria tanto que nossa órbita poderia se tornar perigosa ou até mesmo completamente inacessível. Detritos viajando fora de controle também poderiam cair na Terra em algum momento, colocando vidas e construções em risco.

Esse efeito cascata, explicou Kessler em outro estudo publicado em 2009, não aconteceria da noite para o dia: seriam necessários anos de colisões especiais entre objetos obsoletos na nossa órbita até que a quantidade de lixo se torne perigosa.

Para se ter uma ideia, atualmente há cerca de 3 mil satélites inutilizados na nossa órbita, enquanto outros 4.700 ainda estão em pleno funcionamento. Isso significa que temos quase 8 mil objetos à deriva no espaço, numa velocidade orbital de cerca de 400 km/h, e qualquer pequena colisão nessa velocidade pode causar estragos enormes

De 1999 até 2021, a Estação Internacional Espacial teve que fazer manobras para escapar de destroços 29 vezes —neste ano, foi apenas uma vez, quando eles precisaram desviar de lixo espacial chinês.

Apesar de não termos notícia de acidentes espaciais graves por conta desse problema até agora, Kessler afirmou, em 2012, que precisamos ficar atentos: de acordo com o cientista, a Síndrome que leva o seu nome já é realidade, e todo cuidado é pouco.