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Como a inteligência artificial vai revolucionar o 'detector de mentiras'

Professora Yael Hanein assinou artigo com resultados do estudo junto com outros cientistas da Universidade de Tel Aviv - Reprodução/ Tel Aviv University
Professora Yael Hanein assinou artigo com resultados do estudo junto com outros cientistas da Universidade de Tel Aviv Imagem: Reprodução/ Tel Aviv University

De Tilt, em São Paulo

18/11/2021 19h57Atualizada em 19/11/2021 11h17

Uma nova tecnologia pretende descobrir mentiras analisando apenas "movimentos faciais sutis" de pessoas interrogadas. A proposta, que deseja substituir o tradicional detector de mentiras, ainda está em fase inicial de desenvolvimento, mas já obteve 73% de precisão em seus testes.

A novidade pertence a uma equipe de pesquisadores da Universidade de Tel Aviv, em Israel, que publicaram um estudo no último mês comparando seus resultados com os do polígrafo, que tem 80% de confiabilidade, ainda insuficiente para garantir seu uso em processos nos tribunais. Mas, apesar da aparente derrota, a equipe garante que o futuro da alternativa é promissor.

No projeto, os pesquisadores instalaram sensores nos rostos dos voluntários, na área próxima aos lábios, na bochecha e acima das sobrancelhas.

Esses sensores, dotados de Inteligência Artificial, notaram rapidamente mudanças pequenas e quase imperceptíveis nos movimentos musculares do rosto enquanto os interrogados contavam alguma mentira.

Esses movimentos foram verificados usando adesivos impressos com eletrodos, capazes de monitorar e medir nervos ou músculos em trabalho conjunto da inteligência artificial com o chamado aprendizado de máquina.

foto 1 - Reprodução/ Tel Aviv University/ Brain and Behavior - Reprodução/ Tel Aviv University/ Brain and Behavior
Sensores foram colocados na face dos voluntários na bochecha e acima das sobrancelhas
Imagem: Reprodução/ Tel Aviv University/ Brain and Behavior

"Muitos estudos mostraram que é quase impossível para nós dizer quando alguém está mentindo. [...] Os detectores de mentiras existentes são tão pouco confiáveis em seus resultados que não são admitidos como evidência nos tribunais, porque praticamente qualquer um pode aprender a controlar seu pulso e enganar a máquina", argumentou o professor Dino Levy ao tabloide britânico Daily Mail.

Levy, que também assina o artigo israelense, explicou que essa defasagem cria a necessidade de desenvolver uma tecnologia mais precisa. "Nosso estudo se baseia na suposição de que os músculos faciais se contorcem quando mentimos e até agora nenhum eletrodo foi sensível o suficiente para medir essas contorções", detalhou o cientista sobre os próximos passos da equipe.

O uso prático

Depois de colocado os adesivos nos rostos dos voluntários, eles foram colocados em duplas, sentados um de frente para o outro. Cada um escutou através de um fone de ouvido as palavras "linha" ou "árvore" e foram instruídos a mentirem ou falarem a palavra que de fato escutaram. A tarefa a ser feita pelo voluntário à sua frente era dizer se a pessoa estava mentindo ou não.

Os resultados apontaram que os participantes foram incapazes de detectar com precisão estatística significativa as mentiras ditas. Mas os sinais elétricos captados pelos adesivos detectaram as mentiras em 73% das vezes.

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Imagem ilustrativa; Estudo analisou pequenos movimentos de músculos na face e apontou 73% de precisão na detecção de mentiras
Imagem: Thinkstock

"Como esse era um estudo inicial, a mentira em si era muito simples. Normalmente quando mentimos na vida real nós contamos algo mais longo que inclui componentes enganosos e verdadeiros", ressalta Levy.

Eles treinaram o programa criado para identificar as mentiras por meio de sinais EMG (eletromiografia) vindo dos eletrodos. "Aplicando esse método, alcançamos uma precisão de 73%, não perfeita, mas muito melhor do que qualquer tecnologia [do tipo] existente", garantiu.

No futuro, os pesquisadores acreditam que a tecnologia de IA terá impacto em diversas esferas de nossas vidas, incluindo bancos, interrogatórios policiais, aeroportos e entrevistas de emprego virtuais. Mas, para alcançar esse patamar, os pesquisadores ainda precisam concluir a etapa experimental, treinar os algoritmos e fazer o acabamento dos eletrodos.

"Nossas descobertas demonstram a viabilidade do uso de matrizes de eletrodos vestíveis na detecção de mentiras humanas em um ambiente social e prepara terreno para pesquisas futuras", concluem os cientistas.

O artigo é assinado por Yael Hanein, Dino J. Levy, Anastasia Shuster, Lilah Inzelberg, Ori Ossmy e Liz Izakson, e foi publicado no Journal Brain and Behavior.