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Brasil está de olho na internet de Musk para o sertão; entenda a Starlink

Elon Musk é fundador da SpaceX e da Tesla - Getty Images
Elon Musk é fundador da SpaceX e da Tesla Imagem: Getty Images

Renata Baptista

De Tilt, em São Paulo

16/11/2021 16h38Atualizada em 17/11/2021 11h34

O ministro das Comunicações, Fábio Faria, se reuniu com o fundador da SpaceX, Elon Musk, em Austin, nos Estados Unidos, para discutir uma possível parceria com a empresa do bilionário. O objetivo, segundo Faria, será conectar regiões remotas do Brasil e "ampliar a conectividade e proteção da Amazônia".

Com sua empresa SpaceX, o Brasil seria apenas um dos países que está de olho em usufruir do plano ambicioso de Musk de construir uma constelação gigante de 42 mil satélites da SpaceX para a oferta de internet de alta velocidade pelo mundo.

A iniciativa recebeu o nome de Starlink, mas como ela funcionará? Confira a seguir algumas perguntas e respostas sobre o plano do bilionário.

Por que chama Starlink?

Em sua conta do Twitter, Elon Musk explicou que a escolha do nome "Starlink" foi inspirada no livro "A Culpa é das Estrelas", do autor norte-americano John Green.

O nome remete a "link de estrelas" em tradução livre.

Quantos satélites já estão no espaço?

Atualmente existem mais de 1.600 satélites da Starlink, que orbitam em baixa altitude, a até 2.000 km da Terra, para fornecer internet a quase 70 mil usuários ativos.

Desde 2019, a SpaceX tem lançado esses satélites na órbita de forma constante, com a ajuda dos foguetes Falcon 9.

Os planos da Starlink são de lançar um total de 42 mil satélites até 2027, como parte de uma rede em órbita baixa na Terra para fornecer serviços de internet de alta velocidade e baixa latência (tempo de resposta entre um comando e outro) ao redor do mundo, voltados particularmente a áreas remotas que a infraestrutura terrestre de internet tem dificuldade de atender.

Como a rede Starlink funciona?

De acordo com a empresa, os satélites da Starlink orbitam a Terra numa distância que chega a ser até 60 vezes menor do que os tradicionais. Com isso, o envio de dados do espaço para cá é mais veloz, o que resulta numa experiência de internet mais rápida.

Em julho deste ano, a Starlink fechou com o governo chileno o fornecimento de internet via satélite para comunidades rurais e/ou isoladas com problemas de conectividade digital, por meio de uma licença especial para a empresa realizar suas operações sem fins lucrativos..

Qual será a velocidade da rede de internet?

A companhia de Musk promete oferecer conexão de até 1 Gb/s (gigabit por segundo) quando a rede da Starlink estiver funcionando plenamente, o que deve ocorrer só em alguns anos.

Quais países já usam a rede?

A empresa iniciou testes dessa rede de internet em alguns países, como EUA, Canadá, Reino Unido, Irlanda, Bélgica, Alemanha, França, Áustria, Portugal, Dinamarca e Nova Zelândia, segundo informações de seu site.

Quanto custa?

De acordo com o site da Starlink, é necessário pagar US$ 99 (quase R$ 545, na cotação atual sem impostos) para reservar o acesso à internet.

Os valores são 100% reembolsáveis em caso de desistência. O pagamento do depósito não garante o serviço na sua localidade. Logo, é por conta e risco de quem decidir pagar pela rede da SpaceX.

Os interessados precisarão comprar ainda um roteador da SpaceX e uma antena. O kit que permitirá o acesso à rede Starlink custa US$ 499 (cerca de R$ 2.475, sem impostos).

Uma rede desse tamanho pode prejudicar pesquisas científicas?

Sim. A preocupação de alguns astrônomos é que os satélites de Musk podem atrapalhar estudos e observações do espaço. Não só os satélites da Starlink, como também o de outras empresas, como OneWeb e a Amazon. Isso porque alguns fenômenos certamente não serão descobertos como resultado de uma interferência destas megaconstelações de satélites artificiais.

E podem gerar lixo espacial?

Sim. O lixo espacial também é outra preocupação. A Starlink tem lançado mais e mais lotes no espaço todo mês.

O objetivo é ter 12 mil deles funcionando até 2027 — o número pode chegar a 42 mil. Para se ter uma ideia da dimensão disso, há cerca de 9.000 estrelas visíveis a olho nu ao redor da Terra.

O perigo dos restos espaciais ainda é uma questão sem solução, porque não existe ainda uma "nave-caminhão de lixo" capaz de trazê-los de volta para atmosfera ou lançá-los para fora da órbita da Terra.

Já tem Starlink no Brasil?

A companhia iniciou a pré-venda de seus serviços de internet em fevereiro deste ano. Porém, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), ainda não havia dado o aval para o funcionamento da empresa no Brasil.

Em maio, a empresa de Musk solicitou o direito de exploração de satélites para a Anatel. Alguns equipamentos terrestres da Starlink já foram homologados pela agência, incluindo antenas de satélite com capacidade de transmissão de até 4 Gb/s e um roteador doméstico de primeira geração.

Mas é preciso esclarecer que a Starlink começou a vender um serviço que ainda não existe em escala comercial. O que ela pede para os interessados é um depósito no valor de US$ 99 para reservar o acesso à internet prevista para funcionar entre 2022 e 2023, dependendo da localização da pessoa.

De acordo com o site da empresa, as encomendas serão processadas por ordem de chegada.

Diálogo com concorrentes da Starlink

Não é só a Starlink que está de olho em fazer parte do mercado brasileiro. O ministro Fábio Faria também se reuniu com a britânica OneWeb, outra empresa de satélites de baixa órbita. O encontro ocorreu em Glasgow durante a COP26 (Conferência do Clima das Nações Unidas), que teve início neste mês de novembro, e foi noticiado pelo ministro em sua conta do Twitter.

Segundo Faria, a empresa irá lançar dois centros de controle no Brasil e "têm grande interesse em colaborar para atender localidades e escolas rurais, além de ajudarem na proteção da Amazônia".

A outorga para utilização de satélites de baixa órbita não exige uma licitação, como ocorreu com o 5Gque movimentou R$ 46,7 bilhões e gerou obrigações para as empresas que arremataram os lotes para os próximos 20 anos.