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Mar de gente: como a ciência explica tragédia em show de Travis Scott

6 de novembro de 2021 - ambulância passa pela multidão no festival Astroworld, nos EUA - Twitter @onacasella via Reuters
6 de novembro de 2021 - ambulância passa pela multidão no festival Astroworld, nos EUA Imagem: Twitter @onacasella via Reuters

Thaime Lopes

Colaboração para Tilt, em São Paulo

12/11/2021 14h13

No último dia 5 (sexta-feira), o festival de música Astroworld, promovido pelo rapper Travis Scott, foi palco de uma grande tragédia: nove pessoas morreram e centenas ficaram feridas na multidão do show, que tinha tanta gente (50 mil pessoas) que o público sequer conseguia se mexer por vontade própria.

Mas além do pânico criado pela aglomeração, que teve que abrir espaço para que ambulâncias resgatassem as pessoas desmaiadas e mortas, há uma explicação mais científica por trás do caso.

Pesquisadores ouvidos pelo site Business Insider explicam que quando um ambiente tem até até quatro pessoas por metro quadrado, há espaço suficiente para que elas se movam livremente. O problema é que, no Astroworld, havia mais de seis pessoas por metro quadrado.

Isso significa que, de repente, as pessoas não se mexiam independentemente, mas sim como se fizessem parte de uma onda fluída, como se fosse literalmente um "mar de gente", em que os movimentos são determinados pelo conjunto, e não pelos indivíduos — assim como o mar se movimento em ondas, não pelas gotas individualmente.

Quando um grupo de pessoas está extremamente aglomerado, ondas de choque são capazes de movimentar o grupo inteiro como se fossem uma única pessoa. A explicação é do engenheiro John Fruin, em um estudo publicado em 1993. Esse movimento, somado à pressão dos corpos unidos e à ansiedade gerada no momento, podem dificultar a respiração do público, levando a desmaios, por exemplo.

Em Astroworld, foi exatamente isso o que aconteceu. Vídeos nas redes sociais circularam mostrando dezenas de pessoas desmaiadas no meio da multidão de 50 mil espectadores. E quanto mais gente desmaiava e caía no chão, mais o público tropeçava, se mexia e mais pessoas ficavam no chão, criando um efeito dominó.

Um dos problemas apontados pelas autoridades de Houston, cidade texana onde aconteceu a tragédia, é que, no momento em que Travis Scott apareceu no palco, a multidão foi inteira para a frente, pressionando principalmente quem estava perto das grades.

Apesar de muitos veículos terem dito que o acidente aconteceu após parte do público entrar em pânico, os cientistas ouvidos pela Business Insider acreditam que as vítimas não podem ser culpadas. Segundo eles, quando uma multidão está para se reunir, seja para um show ou outra atividade, é necessário que organizadores do evento e autoridades pensem no fluxo de pessoas, além de criar "bolsões" para que haja espaço livre no meio do público, justamente para evitar esse tipo de coisa.

Desde a tragédia do festival, o rapper e os organizadores do evento já receberam dezenas de processos das famílias das vítimas. Na quinta-feira (11), Scott publicou em suas redes sociais que está cooperando com as autoridades para prestar auxílio a todos que ficaram feridos e aos entes queridos dos que morreram.