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Empresa do programa espião defendido por Carlos Bolsonaro é vetada nos EUA

Empresa fabrica programa de espionagem - Getty Images
Empresa fabrica programa de espionagem Imagem: Getty Images

Abinoan Santiago*

Colaboração para Tilt, em Florianópolis

03/11/2021 16h48

O Departamento de Comércio dos Estados Unidos colocou hoje (3) em sua "lista vermelha" a empresa israelense NSO Group, fabricante Pegasus, programa espião que esteve no centro de uma crise política envolvendo Carlos Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

De acordo com o governo norte-americano, a entrada da empresa na lista significa que ela agora não pode negociar com outras no país, além de estar proibida importar ou exportar itens, sem expressa autorização do Departamento de Comércio.

A NSO Group fabrica e vende um spyware espião usado para coibir a ação de criminosos e terroristas. O programa, contudo, passou a ser usado por governos, a exemplo de México, Índia e Arábia Saudita, para invadir celulares e monitorar conversas de adversários políticos, ativistas e jornalistas.

Em maio, o UOL revelou que Carlos Bolsonaro atuava na intermediação para a contratação da empresa pelo Ministério da Justiça, que lançou licitação para contratar um programa espião. Após a reportagem, o NSO Group se retirou do certame.

Por que EUA vetaram empresa

Segundo o Departamento de Comércio, a decisão foi tomada contra a empresa por suposto "envolvimento em atividades que sejam contrárias à segurança nacional ou aos interesses da política externa dos Estados Unidos".

Em comunicado, o departamento ainda afirma que o programa tem como intenção "atingir de forma maliciosa funcionários do governo, jornalistas, empresários, ativistas, acadêmicos e funcionários de embaixadas".

"Essas ferramentas também permitiram que governos estrangeiros conduzissem a repressão transnacional, que é a prática de governos autoritários visando dissidentes, jornalistas e ativistas fora de suas fronteiras soberanas para silenciar os dissidentes. Tais práticas ameaçam a ordem internacional baseada em regras", explicou.

Empresa se diz surpresa

O grupo NSO afirmou que está "consternado" com a medida e que "trabalhará para garantir que essa decisão seja modificada", disse um porta-voz da empresa à agência AFP.

O representante da empresa complementou que os serviços prestados seguem um "estatuto ético rigoroso baseado nos valores americanos ".

Como Pegasus funciona

Semelhante a um vírus, o Pegasus permite rastrear em segredo todas as atividades da pessoa que teve o aparelho infectado.

Desde mensagens enviadas e digitadas até informações de acesso a contas bancárias, redes sociais e email. Também é possível usá-lo para ativar remotamente o microfone do celular espionado para ouvir ligações e tirar fotos com a câmera, além de acessar a localização e monitorar os sites navegados com o tempo de acesso em cada um deles.

O programa faz tudo isso explorando uma série de falhas e brechas de segurança nos códigos do iOS, o sistema operacional dos iPhones, e no Android. Apple e Google já corrigiram muitas das falhas que permitem a espionagem do Pegasus, mas o software ainda se aproveita de aparelhos que não foram atualizados ou de novas brechas ainda não descobertas.

*Com informações da matéria de Sarah Alves.