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'Sem precedentes': como funciona campanha de ódio contra Meghan e Harry

Harry e Meghan durante visita a Joanesburgo, na África do Sul em 2019 - Getty Images
Harry e Meghan durante visita a Joanesburgo, na África do Sul em 2019 Imagem: Getty Images

Marcos Bonfim

Colaboração para Tilt, em São Paulo

27/10/2021 16h41Atualizada em 27/10/2021 17h18

Há muito tempo o casal Harry e Meghan Markle, duque e a duquesa de Sussex, são vítimas de ataques nas redes sociais. Já citaram, inclusive, a toxicidade das mídias como um motivo importante na decisão que tomaram de se afastarem da realeza britânica. Também saíram das plataformas como uma forma de evitar o bombardeamento constante.

Agora, um relatório do Bot Sentinel, uma plataforma que faz investigação de posts e campanhas de ódio no Twitter, revelou uma ação coordenada de ódio e assédio direcionado à duquesa Meghan na plataforma.

As estratégias usadas surpreenderam pela forma de disseminação orquestrada dos ataques, segundo o presidente-executivo do Bot Sentinel, Christopher Bouzy, que disse ainda nunca ter visto algo parecido até então.

Sem precedentes

O ineditismo da ação, de acordo com o executivo, está na forma como as pessoas estão manipulando os algoritmos e o próprio Twitter para evitar a detecção dos conteúdos e a suspensão das contas.

O nível de complexidade da campanha de ódio e assédio demonstra que esses usuários sabem o que estão fazendo e são pagos para executar tais ações.

A conclusão foi feita após análise de mais de 114 mil tweets envolvendo ataques contra o casal. De acordo com o levantamento feito, 83 contas no Twitter foram responsáveis por aproximadamente 70% do conteúdo negativo e, muitas vezes, odioso, detectados.

Os perfis somam mais de 187,6 seguidores, que alimentam e turbinam o discurso de ódio envolvendo Meghan e Harry.

Como estratégia, os grupos misturam tuítes com discursos de ódio com outros que não violam os termos de serviço da ferramenta. Às vezes, como artifício, combinam um post negativo sobre o casal com um positivo sobre outros membros da família real britânica.

Em outros momentos, tornam as contas privadas ou as desativam temporariamente, retornando alguns dias depois. "Essas contas estão realmente voando sob o risco. Eles estão bem no limite. Eles estão fazendo coisas que nossa tecnologia não vai pegar", disse Bouzy ao site norte-americano Buzzfeed.

O Sentinel já acompanhou as ações que buscavam deslegitimar os resultados da eleição dos Estados Unidos de 2020, como o movimento #StoptheSteal; iniciativas de desinformação sobre a covid-19; e casos de assédio online contra jogadores de futebol do Reino Unido após a derrota na final do Euro 2020.

"Não há motivo [para os ataques]. São essas pessoas que a odeiam? É racismo? Eles estão tentando prejudicar a credibilidade de [Harry e Meghan]?", questionou Bouzy.

Ao portal, um porta-voz do Twitter informou que eles estão "investigando ativamente as informações e contas mencionadas neste relatório. Tomaremos medidas em contas que violam as Regras do Twitter", completou.

A engenharia da ação coordenada

Das 83 contas identificadas, 55 foram classificadas como "primárias", aquelas responsáveis pela grande maioria do conteúdo negativo original e derivado contra Meghan. As outras 28 são apontadas "secundárias", servindo como amplificadoras das postagens do primeiro "time".

De acordo com o relatório, as publicações dos dois grupos respondem por 70% do conteúdo de ódio negativo direcionado ao casal no Twitter. A estimativa Bot Sentinel é de que tenham um alcance potencial combinado de, pelo menos, 17 milhões de usuários, o que permite criar muito barulho.

"Essas contas primárias e secundárias estão empurrando [o ódio e a desinformação], e então estão sendo assumidos pelo ódio orgânico", afirmou Bouzy. "Você tem os líderes, depois as contas secundárias e, em seguida, uma rede externa que também amplifica e empurra uma certa narrativa."

O próprio Bouzy e a equipe do Sentinel, ao revelarem que fariam uma investigação sobre os ataques ao casal, se tornaram vítimas de campanhas das contas anti-Meghan.

O especialista afirma que os usuários começaram a enviar spam para sua linha do tempo, fizeram denúncias em massa no Twitter e compartilharam desinformações, como estratagema para desacreditar a investigação.