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Cientistas investigam o que pode ser o 1º planeta achado fora da Via Láctea

Sistema binário que consiste em uma supergigante azul e um buraco negro (direita); raio-x emitido de sistema permitiu descoberta de novo planeta - Reprodução/ESA/Hubble
Sistema binário que consiste em uma supergigante azul e um buraco negro (direita); raio-x emitido de sistema permitiu descoberta de novo planeta Imagem: Reprodução/ESA/Hubble

De Tilt, em São Paulo

25/10/2021 23h24Atualizada em 26/10/2021 09h43

Astrônomos podem ter avistado o primeiro planeta já descoberto em outra galáxia. O astro em potencial, que ganhou o nome de M51-ULS-1b, orbita uma estrela "gigante" e uma outra morta na galáxia de Whirlpool, a cerca de 28 milhões de anos-luz da Terra (um ano luz equivale a 9,46 trilhões de quilômetros).

Se confirmada, a existência do planeta sugere que muitos "exoplanetas extragalácticos" ainda podem ser descobertos pelos astrônomos, afirma um estudo publicado na revista científica Nature Astronomy.

"Nós provavelmente sempre achamos que existiam planetas em outras galáxias", disse a astrofísica Rosanne Di Stefano, pesquisadora na Universidade de Cambridge, em entrevista divulgada pelo site Science News. "Mas realmente encontrar algo é uma coisa bela, uma lição de humildade".

Mais de 4.800 planetas foram descobertos orbitando estrelas que não são o Sol, mas todos eles fazem parte da Via Láctea. Por outro lado, não existem motivos para pensar que não existem planetas fora dela, destaca a mídia científica.

Infelizmente, a "caça" aos planetas de outras galáxias são dificultadas pela distância, já que as estrelas acabam aparecendo muito unidas e dificultam uma observação individual para identificar planetas ao seu redor.

Em 2018, Di Stefano e a astrofísica Nia Imara, parte do corpo de pesquisa da Universidade da Califórnia, sugeriram que a procura por esses planetas fosse feita com a identificação de "binários de raio x", uma classe de estrelas binárias.

Em geral, essas duplas são compostas por uma grande estrela e os restos de uma segunda grande estrela que "colapsou", se transformando em um buraco negro ou uma estrela de nêutrons. A estrela morta "rouba" material da viva e a esquenta, alcançando temperaturas tão altas que emite raios x muito brilhantes, se destacando das demais estrelas.

A região que emite esses raios pode ser menor que um planeta gigante, então, se algum planeta existente passar ou transitar em frente a esse sistema binário, mudando a perspectiva dos astrônomos que observam da Terra, ele poderia bloquear os raios x, "entregando" sua existência.

Apesar da técnica da equipe de Di Stefano ter funcionado em uma primeira observação, ela destaca que não espera voltar a ver o M51-ULS-1b, já que pode levar décadas até que ele passe em frente às estrelas hospedeiras novamente. "O teste de verdade é encontrar mais planetas", conclui a astrofísica em declaração ao Science News.