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Comida do futuro: frango grelhado impresso em casa sai pronto para o jantar

Frango grelhado - iStock
Frango grelhado Imagem: iStock

Lucas Santana

Colaboração para Tilt

12/10/2021 13h40Atualizada em 14/10/2021 10h44

Se depender de um time de cientistas da Universidade de Columbia, uma ideia saída direta de produções sci-fi como os filmes "De Volta Para o Futuro" e "Star Trek" vai se tornar realidade em pouco tempo. Eles acabam de anunciar, por meio da publicação de um artigo científico na revista Npj Science of Food, que descobriram uma nova forma de cozinhar alimentos produzidos em impressoras 3D.

O artigo dos autores Hob Lipson e Jonathan Blutinger apresentou resultados que podem resolver um problema da atual tecnologia de impressão 3D de alimentos: o cozimento. Entre as tecnologias que existem no presente (algumas desenvolvidas pelos próprios autores da pesquisa), a mais comum é que a comida seja impressa já cozida ou sem a necessidade específica de ser levada ao fogo ou ao forno, como por exemplo itens impressos com cobertura de bolo, chocolate, queijo processado e manteiga de amendoim. Com o novo estudo de Lipson e Blutinger, seria possível não apenas imprimir o alimento como cozinhá-lo ao longo do processo.

Cozinhar a laser

O estudo de Hob e Jonathan, conduzido no Laboratório de Máquinas Criativas da Universidade de Columbia, envolveu o uso de lasers de diodo azul (5-10 watts) como fonte primária de aquecimento para cozinhar o alimento que era impresso em tempo real. Para o experimento, os cientistas utilizaram um tipo de mistura de peito de frango comprado em uma loja de conveniências perto da universidade. Eles ainda tentaram cozinhar o frango com lasers em diferentes frequências de infravermelho e utilizaram mesmo uma resistência comum, como as que são usadas em torradeiras, para poder fazer uma boa comparação entre os métodos.

O aparelho que Hob e Jonathan construíram foi feito com um acessório para impressão 3D personalizada da alimentos, um laser de diodo de alta potência, um conjunto de galvanômetros de espelho (dispositivos que detectam corrente elétrica ao desviar os feixes de luz), uma camada protetora para os lasers e uma bandeja removível para cozinhar o alimento.

"Vimos que, embora as impressoras consigam produzir ingredientes com precisão milimétrica, não existe um método de aquecimento que tenha o mesmo grau de resolução. O processo de cozimento é fundamental para desenvolver o sabor, a textura e as características nutricionais de muitos alimentos. Por isso nos perguntamos se poderíamos desenvolver um método de cozimento a laser para controlar de forma mais precisa esses atributos dos alimentos", explicou o co-autor do experimento, Jonathan Blutinger, em entrevista à Wired.

E aí? Deu certo?

Aparentemente, sim. O frango cozido no equipamento dos cientistas apresentou duas vezes mais umidade que o outro cozido de forma convencional e encolheu bem menos, sem perder o sabor.

Contudo, cada tipo de laser produziu um resultado diferente. O laser azul, por exemplo, mostrou-se ser mais eficiente para cozinhar o frango por dentro, enquanto os lasers infravermelhos foram melhores no processo de grelhar e deixar o alimento douradinho. Os cientistas usaram também uma daquelas embalagens plásticas para assar frango e o laser azul se saiu muito bem em cozinhar e grelhar. Com a nova tecnologia, os caras conseguiram até mesmo reproduzir aquele padrão visual que lembra grelhas reais.

Testes vão continuar com novos alimentos

Os autores da pesquisa afirmam que esses foram apenas testes iniciais com a tecnologia, mas que devem avançar para uma próxima etapa com novos tipos de ingredientes. Nas pesquisas futuras, a equipe espera investigar novas formas maneiras de usar diferentes comprimentos de onda laser para cozinhar tanto a parte interna como a parte externa dos alimentos. Eles também querem descobrir como reduzir a contaminação cruzada e como desenvolver software para permitir que os usuários personalizem suas próprias refeições impressas em 3D no futuro.