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Covid: cientistas criam vacina cultivada em planta que dispensa geladeira

Além de serem administradas na forma tradicional por meio de injeções, as vacinas resultantes podem ser usadas como implantes ou adesivos de microagulha - iStock
Além de serem administradas na forma tradicional por meio de injeções, as vacinas resultantes podem ser usadas como implantes ou adesivos de microagulha Imagem: iStock

Colaboração para Tilt*, em São Paulo

11/10/2021 04h00

Um dos grandes desafios de logística com relação às vacinas contra a covid-19 é a necessidade de armazenamento em temperaturas baixas. No entanto, engenheiros da Universidade da Califórnia, em San Diego, nos Estados Unidos, estão se esforçando para dar um jeito nisso.

O objetivo é desenvolver imunizantes a partir de vírus de plantas e bactérias, que possam suportar o calor e não precisem ser armazenados em geladeira. Segundo artigo publicado no início do mês passado no Journal of the American Chemical Society, os resultados são promissores, ainda que o estudo esteja em estágio inicial.

"O empolgante sobre nossa tecnologia é que ela é termicamente estável, de modo que pode facilmente chegar a lugares onde instalar freezers de temperatura ultrabaixa ou ter caminhões circulando com esses freezers é impossível", diz Nicole Steinmetz, professora de nanoengenharia da Escola de Engenharia da Universidade da Califórnia.

O que rolou?

Para desenvolver os imunizantes, os pesquisadores utilizaram feijão e bactérias E. coli a fim de cultivar milhões de cópias de vírus na forma de nanopartículas, explicam os pesquisadores em comunicado divulgado pela Universidade da Califórnia.

Após coletar essas nanopartículas, eles anexaram um pequeno pedaço da proteína spike do SARS-CoV-2 (nome oficial do coronavírus que causa a covid-19) à superfície. Esse pedaço de proteína estimula o corpo a gerar uma resposta imunológica contra o coronavírus.

O resultado, segundo os pesquisadores, será uma vacina mais resistente, fácil de armazenar e transportar. Além dos benefícios de logística, o uso de vírus a partir de plantas e bactérias pode gerar economia na hora de produzir em larga escala.

"O cultivo de plantas é relativamente fácil e envolve infraestrutura não muito sofisticada", explica Steinmetz. "E a fermentação com bactérias já é um processo estabelecido na indústria biofarmacêutica".

Por que isso importa?

Além de serem administradas na forma tradicional com injeções, as vacinas com nanotecnologia podem ser aplicadas por meio de implantes ou adesivos de microagulha.

Os implantes, que são injetados por baixo da pele e liberam o imunizante lentamente ao longo de um mês, só precisariam ser administrados uma vez. Já os adesivos de microagulha, que podem ser usados no braço, permitiriam as pessoas autoadministrar a vacina.

"Imagine se os adesivos de vacina pudessem ser enviados em caixas de correio a pessoas mais vulneráveis, em vez de elas terem que deixar suas casas e se expor ao risco", disse Jon Pokorski, professor da Universidade da Califórnia e chefe da equipe que desenvolveu a tecnologia de implantes e adesivos de microagulha.

A novidade é animadora, mas as novas vacinas ainda estão no estágio inicial de desenvolvimento. Em camundongos, os imunizantes desencadearam alta produção de anticorpos. Agora é preciso saber se elas serão seguras em humanos.

Os pesquisadores ainda testarão in vivo para saber se as vacinas protegem contra a infecção do covid-19, bem como suas variantes.

*Com informações do site Fast Company