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Antes de Frances, ex-funcionários do Facebook alertaram problemas parecidos

Frances Haugen (à dir.), ex-funcionária que fez denúncias sobre o Facebook à CBS News - Robert Fortunato/CBS News via Reuters
Frances Haugen (à dir.), ex-funcionária que fez denúncias sobre o Facebook à CBS News Imagem: Robert Fortunato/CBS News via Reuters

Felipe Mendes

Colaboração para o Tilt, de São Paulo

09/10/2021 16h07

As declarações da ex-gerente de integridade do Facebook Frances Haugen no Senado dos Estados Unidos causam rebuliço na terça-feira (5), mas ela está longe de ser a primeira ex-funcionária da companhia de Mark Zuckerberg a alertar sobre os problemas da empresa.

Segundo ela, o Facebook sabe como tornar suas redes sociais (incluindo aí o Instagram) mais seguros, mas não o fazem "pois colocaram seus lucros astronômicos acima das pessoas". Semanas antes, ela havia vazado documentos confidenciais para a imprensa.

Antes dela, Brian Waismeyer, que também era membro do time de integridade da rede social, postou uma mensagem de despedida da empresa e aproveitou para demonstrar seu descontentamento. Segundo o Washington Post, ele afirmou que a rede social se tornou "excepcionalmente difícil" para pessoas com o emprego como o dele: reformadores em um serviço focado no crescimento.

"A ponto de impedir o progresso e esgotar aqueles que lutam contra ele", disse.

Waismeyer passou mais de um ano trabalhando em um projeto para ajudar vítimas de pornografia de vingança a denunciar tais postagens. O projeto foi abruptamente encerrado durante uma reorganização interna, o que teria incomodado ele e toda equipe participante.

O trabalho na empresa pode ser emocionalmente prejudicial pela "exposição repetida a conteúdo ou contato nocivo, por meio de entrevistas ou pesquisas, com pessoas que foram prejudicadas ou que prejudicaram outras pessoas nas redes sociais", escreveu ele.

Um outro funcionário, que não teve seu nome divulgado, descreveu ao Washington Post a descoberta de sérios problemas em grupos privados do Facebook, que operam "além dos olhos do público" e abrigam conteúdo odioso. Os funcionários esperavam ajudar a rede social a resolver esses problemas, mas dizem ter encontrado barreiras internas.

"Eles [o Facebook] estavam apenas zero por cento interessados", disse.

O jornal também afirma ter tido acesso a relato de dezenas de funcionários e ex-funcionários na rede social interna da empresa que dizem que o Facebook está obcecado pelo crescimento, não quer assumir reformas sistêmicas prontas para afetar os politicamente poderosos —como o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, antes de ele ser banido da plataforma, em 6 de janeiro deste ano.

Zuckerberg se defendeu em uma postagem no blog oficial do Facebook na última terça-feira (5), dizendo que é "ilógico" pensar que a raiva seja usada para ter lucro.

"É difícil acompanhar uma cobertura que representa de maneira errada o nosso trabalho e as nossas motivações. No nível mais básico, acredito que muitos de vocês não reconheçam a falsa imagem da empresa que foi apresentada", afirmou.

Citando as mudanças feitas pelo Facebook ao longo dos últimos anos, Zuckerberg ainda afirmou que "não é verdade" que "nós priorizamos o lucro em detrimento da segurança e do bem-estar" e que "nós ganhamos dinheiro através de publicidade, e os anunciantes têm nos dito de forma constante que não querem seus anúncios próximos de conteúdos ruins ou raivosos".