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Presença de milícia dificulta expansão de serviços de internet no RJ

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Letícia Naísa

De Tilt, em São Paulo

06/10/2021 04h00

As operadoras de telefonia e internet têm enfrentado problemas para expandir seus serviços em regiões controladas por milícias no Rio de Janeiro. As dificuldades acontecem em pelo menos 105 comunidades no estado com presença de milícias, quadrilhas e traficantes, segundo informações da operadora Oi.

Segundo a Conexis Brasil Digital, sindicato da categoria que reúne as empresas de telecomunicações, o setor tem sofrido com ações criminosas na região, como roubos e vandalismo de cabos, que impedem a instalação e manutenção dos serviços de várias operadoras, como a própria Oi, a Vivo, a Tim e a Claro.

"O problema da segurança tem aumentado nos últimos anos. No primeiro semestre de 2021, por exemplo, foram furtados ou roubados 2,3 milhões de metros de cabos de telecomunicações", diz o sindicato. O volume foi 14,5% maior que o registrado no primeiro semestre de 2020, quando foram furtados 2 milhões de metros de cabos.

Durante apresentação no Painel Telebrasil 2021, realizado na última terça-feira (28), Alexander Castro, gerente de relações institucionais da Oi, relatou casos de vandalismo, roubos e furtos e de impedimento de acesso aos serviços. "A gente está falando de vandalismo premeditado, orquestrado, com objetivo claro de conseguir a interrupção do serviço de telecomunicações prestado com aquela infraestrutura", afirmou Castro.

Segundo o gerente, o impedimento de acesso coloca em risco a vida dos colaboradores das prestadoras e terceirizados. Quadrilhas impedem a entrada dos funcionários para fazer manutenção dos serviços e infraestrutura, o que afeta a imagem das empresas e os clientes.

Castro informou que a Oi tem comunicado a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) sobre o problema. Procurada, a agência não respondeu à solicitação da reportagem sobre o assunto até o fechamento desta matéria.

Ainda de acordo com a Conexis Brasil Digital, as empresas defendem uma ação coordenada de segurança pública envolvendo o Judiciário, o Legislativo e o Executivo nos âmbitos federal e estadual, além da aprovação de projetos de lei que aumentem a pena para esses tipos de crime e ajudem a combatê-los.

Os crimes acontecem, segundo Castro, para prestação de serviços clandestinos ou venda do material como sucata, especialmente no caso dos fios de cobre. Cerca de 1 mil equipamentos, como placas de transmissão e roteadores, foram roubados e 28 mil baterias, segundo levantamento da Telecom em 2020 mostrado pelo gerente da Oi no painel.

Em um mapeamento pela cidade do Rio de Janeiro, a Oi identificou 105 áreas controladas por milícias ou pelo tráfico que impedem a oferta de seus serviços. Foi um crescimento de 70% em um ano, de acordo com a operadora.

"Essa situação afeta toda a cadeia produtiva, o cidadão fica impedido de usufruir serviços essenciais", disse Castro. "O problema é grave e não dá mais para dizer que o problema faz parte do risco de negócio."