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Apagão do Facebook acende alerta: cada um é responsável por seu backup

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Imagem: Reprodução

Renata Baptista

De Tilt, em São Paulo

06/10/2021 10h00

O apagão do Facebook na segunda-feira (4) mostrou o quanto podemos ser dependentes das plataformas da empresa. Os problemas no acesso, que duraram pelo menos sete horas, impediram 3,5 bilhões de pessoas de usarem o WhatsApp, Instagram e Facebook. Muita gente ficou impedida de trabalhar e sem acesso a conteúdos, vídeos e imagens, que ficaram "trancados" nas plataformas.

A lição que dá para tirar disso é que as tecnologias podem falhar — até mesmo as de uma empresa gigante do setor como Facebook. Não foi o caso desta semana, mas imagine as consequências desse apagão se ele fosse maior, resultando na perda de nossos dados? E se todas fotos publicadas no Instagram sumissem? Ou todos os documentos e conversas do WhatsApp?

Marcelo Chiavassa, professor de direito digital da Universidade Presbiteriana Mackenzie de Campinas, explica que as empresas que lidam com plataformas digitais se comprometem com o armazenamento das nossas informações. Além disso, a legislação brasileira dá instrumentos para exigir serviços de qualidade das organizações, e elas podem até mesmo oferecer aquilo que os termos de uso de aplicativos não dispõem.

Contudo, todos estamos vulneráveis a ataques virtuais, que estão cada vez mais complexos, diz. "Ainda que a gente possa ter a compensação financeira por meio de ações na Justiça pelo prejuízo, há coisas que uma vez perdidas não há como ter de volta."

A resposta para aumentar a proteção é simples, mas nem todo mundo pratica: é investir no bom e velho backup, termo em inglês que significa "cópia de segurança".

Na prática, trata-se de uma cópia dos arquivos importantes em outros locais, como um serviço em nuvem, um HD externo ou até mesmo um pen drive. Fazendo um backup você consegue restaurar e recuperar os arquivos originais perdidos quando necessário.

Tipos de backup

Nuvem

A nuvem é um serviço totalmente online no qual os arquivos são armazenados em um servidor, ou seja, fora de um aparelho físico. Nesse tipo de armazenamento, você consegue acessar seus dados a qualquer momento e em qualquer lugar. Basta acessar a sua conta de nuvem em um navegador ou app diante de uma conexão ativa de internet.

Os serviços do tipo mais conhecidos são Google Drive, iCloud (da Apple), Dropbox, One Drive, entre diversos outros. Em geral, eles oferecem planos gratuitos nos quais disponibilizam um espaço mínimo para armazenamento. Caso queira mais, os valores variam dependendo do pacote de GBs/TBs e empresa contratados.

Pedro Saliba, pesquisador da Associação Data Privacy Brasil de Pesquisa, diz que há riscos de perda de documentos salvos na nuvem, mas eles são mínimos.

Em situações de perigo, a ameaça está mais relacionadas à concentração de mercado em poucas empresas, como Google, Apple e Microsoft, para a escolha do armazenamento em nuvem do que qualquer outra coisa. Uma alternativa é não fazer o backup em apenas uma destas empresas. Opte por várias.

HD externo

Já o HD externo, como o nome já diz, é uma memória física, ou seja, um espaço de armazenamento oferecido por um dispositivo.

É uma boa opção para armazenar uma grande quantidade de arquivos. Os problemas estão relacionados aos custos, que variam de acordo com os TBs (terabytes, isso é, 1 mil gigabytes de espaço digital) e das marcas disponíveis no mercado.

Um novo apagão pode acontecer?

Para coordenador de direito e tecnologia do ITS-Rio (Instituto de Tecnologia e Sociedade), Christian Perrone, as chances de um novo apagão de plataformas online acontecer e de levar todos os nossos dados arquivados são bem remotas.

E por um motivo bem simples, segundo ele. Há interesse comercial que as grandes empresas, como o Facebook, estabeleçam uma relação de confiança e de mercado com quem utiliza seus serviços. Por isso, o investimento para a manutenção de vários graus de proteção dos dados, inclusive física, é altíssimo.

"As perdas do Facebook com o apagão de ontem foram enormes. Houve uma exposição de mercado tremenda, com muita gente passando para o Signal e Telegram, que são concorrentes. Não é isso que eles querem", diz Perrone.

A preocupação maior, de acordo com ele, está relacionada à infraestrutura básica da internet no que tange a segurança da informação. Ameaças virtuais como os ataques de ransomware, que sequestra o acesso aos dados do sistema criptografando-os, são muito mais preocupantes no momento. "O Brasil ainda está engatinhando nesse debate. Estamos muito vulneráveis", afirma.

*Com informações sobre backup de matéria publicada em 11 de abril de 2021.