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Por que FBI, CIA e NSA usam bloqueador de anúncios para proteger segredos

Getty Images/iStock
Imagem: Getty Images/iStock

Lucas Carvalho

De Tilt, em São Paulo

26/09/2021 14h03

Apps e extensões que bloqueiam anúncios podem ser úteis não só para garantir uma navegação mais limpa e leve na internet, mas também para proteger dados sensíveis. A dica é das três principais agências de inteligência dos Estados Unidos: FBI, CIA e NSA.

A notícia de que as agências usam bloqueadores de anúncios foi revelada por uma série de documentos trocados entre membros do Senado americano e órgãos da administração federal dos EUA, obtida pelo site Motherboard.

"A CI (Comunidade de Inteligência) está usando tecnologias de bloqueio de anúncios baseadas em rede, e usa informações de várias camadas, incluindo informações do Sistema de Nomes de Domínio (DNS), para bloquear conteúdo publicitário indesejado e malicioso", disse o comando de informação da comunidade de inteligência dos EUA ao senador Ron Wyden.

Wyden compartilhou a informação com a Agência de Administração e Orçamento (OMB, na sigla em inglês) numa recente carta, solicitando uma regra geral para o uso de bloqueadores de anúncio em todos os sistemas do governo americano.

Bloqueando não só propaganda

Bloqueadores de anúncio, ou "adblockers", servem não só para esconder peças publicitárias irritantes em páginas da web. Segundo especialistas ouvidos pelo Motherboard, esse tipo de programa também ajuda a proteger contra um tipo específico de invasão: o "malvertising", expressão que mistura "malware" (vírus) e "advertising" (publicidade).

Hackers podem usar a forma como anúncios funcionam na internet para enviar vírus aos computadores e celulares de um alvo. Os programas usam a natureza dessas peças, que é de coletar seus dados para saber que anúncio deve ser mais relevante para você, para roubar informações sensíveis, invadir sua privacidade e até te monitorar em tempo real.

Além disso, corretoras de dados e agências de inteligência podem aproveitar o ecossistema para coletar informações, como endereço de IP, tipo de sistema e até a localização física de um alvo impactado por um anúncio "infectado".

Quando questionadas pela imprensa, as agências de segurança que fazem parte da comunidade de inteligência dos EUA, incluindo NSA, CIA e FBI, não disseram quais bloqueadores de anúncios elas, afirmando apenas que suas técnicas de segurança precisam ser mantidas segredo.

Problema antigo

O excesso de propagandas coletando dados pessoais de usuários na internet virou um problema tão grande que até as maiores provedoras de acesso à web no mundo estão tomando atitudes para restringir o acesso desses anúncios às informações das pessoas.

O Google, por exemplo, decretou recentemente o "fim dos cookies" e avisou que não vai substituir essa tecnologia por outro tipo de rastreador online individual. Seu navegador, o Chrome, foi o último a abolir de vez os cookies de terceiros que perseguem as pessoas pela web (e alimentam anúncios invasivos), seguindo o exemplo do Safari (Apple) e Firefox (Mozilla).