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Concreto feito de urina e sangue pode ser chave para colônia em Marte

Amostra do concreto feito com urina e sangue que pode ser usado em Marte - Divulgação/Universidade de Manchester
Amostra do concreto feito com urina e sangue que pode ser usado em Marte Imagem: Divulgação/Universidade de Manchester

Adriano Ferreira

Colaboração para Tilt, em Florianópolis

26/09/2021 17h02Atualizada em 27/09/2021 20h35

Como construir uma colônia humana em Marte sem as condições necessárias para preparar o concreto? Segundo pesquisadores da Universidade de Manchester, na Inglaterra, o material poderia ser produzido pela mistura do solo marciano com materiais orgânicos encontrados no corpo humano, como urina e sangue.

O estudo, liderado pelo físico Ader Roberts, sugere que a logística e o custo de retirar do planeta Terra os materiais necessários para futuras construções em Marte dariam muito mais trabalho e seria muito mais caro do que produzir o material lá mesmo. Desse modo, seria mais fácil, econômico e rápido usar parte dos insumos da tripulação de astronautas.

Como funciona

As construções, de acordo com os estudos, poderiam se basear em uma estrutura de tijolos de concreto resistentes, que combinam uma proteína encontrada no plasma do sangue humano, um composto conhecido como ureia (originado de urina, suor ou lágrimas) e o solo marciano.

Roberts afirma que as tentativas dos cientistas de elaborar materiais próximos do concreto, na superfície de Marte, nunca tinham envolvido recursos que estão dentro das próprias pessoas. Embora, no decorrer dos séculos, o sangue humano já tenha sido usado para argamassa em diferentes culturas.

Nos experimentos, os cientistas conseguiram simular terra lunar e marciana, e o misturaram com a proteína mais abundante no corpo humano: a albumina sérica humana (HSA). O resultado foi um material batizado de ERB's (biocompósitos de regolito extraterrestre), provenientes da mistura das substâncias dos testes, quase tão forte quanto o concreto.

A adição de ureia na mistura levou a uma sobrecarga nos ERB's que produziram substâncias ainda mais fortes que o concreto. Esses biocompósitos poderão ser produzidos através de impressoras 3D, garantindo uma produção mais mecanizada em locais distantes e uma ajuda nas obras de casas para colônias.

Futuras aplicações

"Não existe outra forma fácil de fazer matérias-primas para a construção", disse Roberts em entrevista ao jornal britânico Newsweek.

Em 72 semanas (aproximadamente um ano e meio), cada astronauta seria capaz de produzir proteína e ureia suficientes para a construção de um habitat espacial, isso se cada material fosse utilizado na forma de uma argamassa em sacos de areia.

Porém, o impacto de fatores estressantes na doação de sangue, os efeitos do isolamento e as doses maiores de radiação ainda precisam ser estudados antes que a invenção esteja 100% pronta para as futuras missões a Marte.