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Israel teria usado metralhadora equipada com IA para matar cientista do Irã

O cientista iraniano Mohsen Fakhrizadeh foi morto em Teerã - West Asia News Agency/Reuters
O cientista iraniano Mohsen Fakhrizadeh foi morto em Teerã Imagem: West Asia News Agency/Reuters

Renata Baptista

De Tilt, no Recife

22/09/2021 08h20

O principal cientista do programa nuclear do Irã, Mohsen Fakhrizadeh, foi assassinado em 27 de novembro do ano passado por um aparato equipado com uma metralhadora, câmeras e softwares de inteligência artificial controlado remotamente por agentes israelenses, de acordo com reportagem do jornal The New York Times.

Fakhrizadeh já havia sido alertado pelo serviço de inteligência iraniano sobre um possível plano para matá-lo. Há 14 anos, israelenses tentavam assassiná-lo, convencidos de que ele liderava os esforços para construir uma bomba atômica no Irã, segundo o jornal.

O cientista, inclusive, já tinha conseguido se esquivar de algumas tentativas de assassinato. Porém, no ataque naquela tarde de novembro a ação foi fatal. Fakhrizadeh estava em seu carro numa estrada de Absard, a leste de Teerã, acompanhado da sua mulher, quando foi atingido por 11 disparos. Ele chegou a sair do veículo, mas foi atingido por mais três tiros antes de morrer.

A arma utilizada foi um modelo especial de uma metralhadora FN MAG de fabricação belga, acoplada a um aparato robótico avançado. Ela estava em uma caminhonete Nissan Zamyad azul ao lado da estrada que conectava Absard à rodovia principal, escondida sob lonas e material de construção.

Todo o equipamento utilizado na ação pesava cerca de uma tonelada e foi contrabandeado para o Irã peça por peça, para então ser secretamente montado a tempo do ataque, coordenado por agentes do serviço secreto israelense Mossad, disseram funcionários da inteligência à publicação norte-americana.

Drone israelense estava equipado com uma metralhadora FN MAG - Divulgação - Divulgação
Metralhadora FN MAG
Imagem: Divulgação

Os 11 seguranças da Guarda Revolucionária que acompanhavam Fakhrizadeh não souberam como agir e nem de onde vinham os tiros. Quem acionou os tiros remotamente estava a mais de 1.600 quilômetros de distância, acompanhando tudo por uma tela, explicou o jornal, que afirma ter tido acesso a relatos de oficiais norte-americanos, israelenses e iranianos, incluindo dois oficiais de inteligência familiarizados com os detalhes do planejamento e execução da operação.

Na época, até mesmo o noticiário iraniano refletiu esta confusão, relatando o ocorrido com contradições e erros. Disseram que o cientista era esperado na rodovia por uma equipe de assassinos, ou que ele havia sido alvo de uma bomba. Chegaram a dizer na época ainda que o assassino era um robô.

Plano não ocorreu como o previsto

A investida, porém, não foi totalmente bem-sucedida. Explosivos deveriam ter destruído o equipamento completamente, mas isso não ocorreu— o que permitiu à Guarda Revolucionária do Irã juntar as peças e concluir que uma metralhadora controlada remotamente "equipada com um sistema de satélite inteligente" — usando inteligência artificial — realizou a ação.

"Não foi um simples ataque terrorista para alguém disparar uma bala e fugir", disse o filho do cientista, Hamed Fakhrizadeh, à televisão estatal. "O assassinato dele foi muito mais complicado do que você sabe e pensa", completou.

O assassinato de Fakhrizadeh serviu como teste para este novo equipamento: o atirador de precisão computadorizado de alta tecnologia, equipado com IA, múltiplas câmeras e operado via satélite, é capaz de disparar 600 tiros por minuto.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que foi informado em uma versão anterior do texto, a metralhadora controlada remotamente estava em um caminhão, e não em um drone.