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Sem tomadas: sala emite energia pelas paredes para carregar celular

Quarto magnetizado consegue recarregar celulares pelo ar - Universidade de Tóquio/Nature Electronics
Quarto magnetizado consegue recarregar celulares pelo ar Imagem: Universidade de Tóquio/Nature Electronics

Lucas Carvalho

De Tilt, em São Paulo

18/09/2021 18h05

Imagine chegar em casa depois de um dia agitado, com a bateria do celular nos últimos 3% de energia, e assim que você abre a porta, o telefone começa a carregar sozinho. Sem cabos ou baterias externas, mas pelo ar. Pois saiba que isso não é mais só imaginação.

Pesquisadores da Universidade de Tóquio, no Japão, construíram uma sala com paredes que emitem energia pelo ar, capazes de abastecer qualquer aparelho compatível, de luminárias a TVs e smartphones. O experimento foi revelado em um artigo na revista científica "Nature Electronics".

A sala mede 9 metros quadrados e tem piso, paredes e teto feitos de alumínio. Dentro dessas paredes há uma série de capacitores que geram um campo magnético dentro do cômodo, e que, graças ao alumínio, reverbera ali dentro, levando energia a todos os cantos.

Atualmente, a sala consegue gerar 50 watts de energia sem ultrapassar os limites de segurança definidos pela FCC (Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos, órgão regulador da área de telecomunicações e radiodifusão do país).

Essa potência é suficiente para recarregar 10 celulares simultaneamente, disse ao site Fast Company o pesquisador Alanson Sample, professor de ciência da computação e engenharia na Universidade de Michigan, nos EUA, e um dos autores do estudo junto com Takuya Sasatani, da Universidade de Tóquio.

Pontos cegos

O projeto parece mágica, mas ainda tem muitos obstáculos a superar antes que possa ser usado em casas e escritórios do mundo real. Para começar, o de compatibilidade: um celular comum, como o que você usa hoje, pode não ser capaz de captar essa energia toda do ar.

Segundo Sample, a eficiência da recarga depende da "química da bateria" de cada celular. No experimento feito pela Universidade de Tóquio para testar o cômodo carregador foi usado um aparelho chinês modificado e não identificado.

Além disso, para captar a energia do ar, os aparelhos precisam de uma espécie de receptor feito com fios de cobre. No caso de uma lâmpada, por exemplo, foi preciso criar uma "gaiola" com esses fios. No caso de um celular, seria necessário uma capinha ligeiramente pesada.

Há ainda a necessidade de que o quarto possua um pilar bem no meio, também recheado com os capacitores que ajudem a gerar o campo magnético, para garantir que a energia conseguirá se espalhar por todo o espaço e não sobrarão pontos cegos.

Mas os cientistas garantem que essa tecnologia poderia ser aplicada em casas e escritórios que já existem hoje, sem a necessidade de uma reforma muito complexa. "Os campos magnéticos podem passar através de drywall ou madeira ou qualquer outro material que você utilize", disse Sample ao Fast Company.

Aplicação

Segundo Sample, a tecnologia pode ser aplicada a lares, escritórios e, principalmente, a galpões de grandes empresas de tecnologia, que já têm vários pilares e operam com centenas de robôs. "Se você tem 10 mil pequenos robôs, não precisará ligá-los todos à tomada", diz.

Outra aplicação que interessa os pesquisadores é no campo da saúde. Dispositivos de assistência ventricular, que ajudam a bombear o sangue do coração para o resto do corpo, precisam de fios que atravessam a pele do paciente e constantemente causam infecções.

Com a tecnologia de energia elétrica pelo ar, como se fosse uma rede wi-fi, esses implantes médicos poderiam abrir mão de cabos e dar mais segurança e liberdade aos pacientes.