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Frente fria: qual é a diferença entre 'geada branca' e 'geada negra'?

Existem dois tipos de geada, a chamada "branca" e a "negra" - Divulgação/seagri/PR
Existem dois tipos de geada, a chamada 'branca' e a 'negra' Imagem: Divulgação/seagri/PR

Renata Baptista e Felipe Oliveira

De Tilt e colaboração para Tilt, em São Paulo

27/07/2021 19h08Atualizada em 30/07/2021 19h26

Devido às baixas temperaturas, grande parte da região Sul do Brasil e áreas nos estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais viram os campos e as ruas ficarem cobertos de gelo (e até neve). Dois tipos de geadas, "a branca" e "a negra", preocupam as áreas produtoras de alimentos ao longo dos próximos dias, a "geada negra" e a "geada branca", principalmente em regiões do Paraná.

A geada é o processo de congelamento do orvalho sobre qualquer superfície. Dependendo da temperatura e das condições ao redor (como ventos fortes), o fenômeno pode contribuir resultar na queima das plantas a partir do congelamento da seiva no interior delas.

A geada normalmente forma-se pela manhã, depois de uma noite sem nuvens, com pouco vento e temperaturas muito baixas. O céu limpo é ideal para a formação dela porque o calor retido durante o dia vai embora mais rápido quando o céu está sem nuvens.

A atmosfera e o solo se resfriam naturalmente durante a madrugada e, com a presença do ar polar, esse resfriamento será ainda maior.

A "geada branca" tem como característica o congelamento de uma área superficial. Quando a temperatura na relva atinge perto de zero grau, as gotículas de água que ficam sobre folhas, plantas e até mesmo sobre os carros viram gelo.

A região Sul do país é onde mais o fenômeno é acontece, podendo ocorrer várias vezes no período de outono-inverno. Estados como São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro também registram esse tipo de geada com frequência neste período. Mas ela pode ocorrer até mesmo no verão, desde que as condições atmosféricas sejam adequadas.

Já a "geada negra" se manifesta em temperaturas menores (menos de 10º C). O seu nome foi dado por agricultores por conta da sua capacidade de congelar a parte interna das plantas. Eles se basearam na cor queimada da vegetação após a ocorrência do fenômeno.

O impacto dessa geada atinge principalmente os tipos de vegetação mais baixos e rasteiros, próximos ao solo. As plantações que podem ser mais impactadas são as de hortaliças e fumo, mas o café também entra na lista.

"O café é uma planta muito sensível a baixas temperaturas. As plantas são formadas por água e essa água, devido às baixas temperaturas, acaba congelando por dentro. Toda seiva que tem dentro da planta congela e isso acaba necrosando o tecido vegetal, 'queimando' a planta e a matando", explica a meteorologista Samantha Martins, formada no IAG (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas) da USP (Universidade de São Paulo).

"Nesse caso, ela até muda a coloração, ficando meio amarronzada ou preta, daí o nome geada negra", acrescenta. A combinação incomum, em geral, acontece pela passagem de massas de ar de origem polar, principalmente as mais intensas.

E a neve?

A neve surge a partir do congelamento do vapor d'água suspenso na atmosfera. Se o fenômeno for intenso, os flocos de neve são capazes de formar grandes blocos de gelo.

Caso contrário, a neve pode cair como se fosse chuva, mas com pequenos formatos de gelo — que podem derreter antes mesmo de atingirem o solo.

*Colaborou Vlamir da Silva Junior, bacharel em meteorologia pelo IAG-USP