PUBLICIDADE
Topo

Reveladas imagens inéditas de radiação sendo 'cuspida' por buraco negro

Imagem do jato expelido pelo buraco negro possui resolução 16 vezes mais nítida - Divulgação/Nature Astronomy
Imagem do jato expelido pelo buraco negro possui resolução 16 vezes mais nítida Imagem: Divulgação/Nature Astronomy

Colaboração para o UOL

20/07/2021 18h03

Novas imagens obtidas pelo telescópio Event Horizon mostraram, com detalhes sem precedentes, o momento em que um poderoso jato de radiação é emitido a partir de um buraco negro supermassivo. Um corpo celeste supermassivo ou supermaciço é aquele que tem várias vezes a massa do Sol.

As imagens mostram o momento da emissão no centro da galáxia Centaurus A, com uma precisão dez vezes maior e uma resolução dezesseis vezes mais nítida do que era possível capturar antes.

"Isso nos permite, pela primeira vez, observar e estudar um jato de radiação extragaláctica em escalas menores do que a distância que a luz viaja em um dia", disse, em comunicado à imprensa, o astrônomo Michael Janssen, do Instituto Max Planck de Radioastronomia da Alemanha e da Universidade Radboud, na Holanda. "Podemos ver com clareza como nasce um jato monstruosamente gigantesco, lançado por um buraco negro supermassivo."

Os dados do telescópio revelam lóbulos massivos de emissões de rádio emanando de um buraco negro que parece bastante pequeno quando observado da Terra. Os cientistas disseram que, quando ampliado por um fator de 1 bilhão, o buraco negro pareceria tão pequeno quanto uma maçã na superfície da lua observada da Terra, enquanto os lóbulos de rádio, ou jatos, seriam 16 vezes maiores como a própria lua. No entanto, o buraco negro no centro de Centaurus A tem massa equivalente a 55 milhões de sóis.

A galáxia Centaurus A, também conhecida como NGC 5128 ou Caldwell 77, é um dos maiores e mais brilhantes objetos do céu noturno, quando observada em comprimentos de onda de rádio. Em 1949, a galáxia, localizada na constelação de Centaurus, foi identificada como a primeira fonte conhecida de ondas de rádio fora de nossa galáxia, a Via Láctea.

"É incrível que possamos estudar a Centaurus A, agora com a resolução extrema do Event Horizon", disse Maciek Wielgus, co-autor do estudo e pesquisador do Centro de Astrofísica de Harvard & Smithsonian. "Nunca vimos esse núcleo antes, pois não tínhamos resolução suficientemente alta e não estávamos olhando para frequências altas o bastante."

Ele acrescentou que o buraco negro no centro de Centaurus A parece muito diferente daquele localizado no centro da Via Láctea, que o telescópio também está estudando, e também emite muito mais energia.

Imagens mostram momento em que jato de radiação é emitido pelo buraco negro - Divulgação/Nature Astronomy - Divulgação/Nature Astronomy
Os cientistas ainda estão estudando o que impulsiona a criação dos misteriosos jatos emitidos pelo buraco negro
Imagem: Divulgação/Nature Astronomy

As novas imagens vêm de medições obtidas durante a campanha de imagens de 2017, que produziu as primeiras imagens de um buraco negro, no centro da galáxia Messier 87.

Cientistas estudam liberação dos jatos

Os cientistas ainda estão desvendando o que impulsiona a criação dos misteriosos jatos de buracos negros, os borrifos ou "cuspe" de material que, de alguma forma, conseguem escapar da poderosa atração dos buracos negros e, em vez de ficarem presos em sua escuridão, acabam viajando milhões de anos-luz por distâncias maiores do que o tamanho das galáxias em que se originaram.

As novas imagens também revelam que as áreas do jato mais distantes do centro são mais brilhantes do que as partes mais próximas do buraco negro, um fenômeno até então inexplicável que foi observado anteriormente.

"Teoricamente, os jatos podem colidir com o gás galáctico e aquecer a borda, mas os detalhes de tal processo tão próximo ao buraco negro são um completo mistério", completa Koushik Chatterjee, coautor do estudo e pesquisador do Centro de Astrofísica em Harvard & Smithsonian, também em comunicado. "O contraste de brilho entre o centro e a borda pode potencialmente nos fornecer novos insights sobre a física do plasma dentro e ao redor dos jatos."