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Tecnologia ajuda a acolher pessoas, diz benzedeira que atende via WhatsApp

A benzedeira Pâmela Silva Souza é neta de benzedeiras - Prefeitura de Santo André
A benzedeira Pâmela Silva Souza é neta de benzedeiras Imagem: Prefeitura de Santo André

Priscila Gorzoni

Colaboração para Tilt, em São Paulo

25/06/2021 04h00Atualizada em 25/06/2021 19h57

Se antigamente alguém contasse que usa a tecnologia para benzer pessoas, muitos torceriam o nariz. Mas, com a pandemia do coronavírus, a alternativa foi intensificar a prática com ajuda do WhatsApp e de redes sociais. Tudo para manter a segurança entre os envolvidos.

Os rituais de benzimentos, rezas, banhos de ervas, entre outras receitas, seguem a tradição. O que muda é que os ensinamentos e orientações por trás deles são feitos de forma online.

"É importante deixar claro que não existe benzimento virtual. A tecnologia ajuda a acolher as pessoas. Virtual é apenas o meio", explica a benzedeira Pâmela Silva Souza, 27, que acrescenta que a prática não depende de religião.

Segundo a jovem, os pedidos ao longo da pandemia têm se concentrado em proteção e apoio para vítimas da covid-19. "Primeiro, era o medo do vírus. Depois, vieram pedidos para as pessoas próximas que estavam internadas e entubadas", lembra. "O último pedido de benzimento é para suportar o luto."

Pâmela é neta de benzedeiras, mas começou a se aprofundar no tema na Escola de Benzimentos Florescer Bento, que fundou em 2016 na cidade de Santo André (SP). A instituição, onde atua como professora, já formou mais de 1.600 benzedores. Atualmente, conta com mais de 18 mil seguidores no Facebook e 11,7 mil inscritos em seu perfil no Instagram.

A jovem prefere benzer presencialmente, mas, em tempos de distanciamento social, o uso do WhatsApp e redes sociais foi fortalecido, meios que se tornaram comuns nos últimos anos. Para isso, um grupo no serviço de mensagens foi criado para reunir benzedores com tempo disponível para ajudar. Hoje, eles estão em 63 pessoas, que se organizam e se dividem para dar conta do volume de pedidos. O trabalho é todo voluntário e sem cobranças em dinheiro, conta Pâmela.

De acordo com a benzedeira, é comum o recebimento de 120 pedidos por dia, e muitas pessoas aproveitam para desabafar sobre os seus problemas. Com a pandemia, as solicitações de benzimento aumentaram 500% no local em que é voluntária.

O farmacêutico Alex Sandro Pianura, 34, é um dos integrantes do grupo de benzedores do WhatsApp. Benzedor há sete anos, ele chegava a atender mais de 300 pessoas por dia antes da pandemia. Com a covid-19, o número subiu para 500, conta ele.

"A tecnologia nos ajuda a chegar nas pessoas para acolhê-las e ajudá-las", ressalta. "O benzimento pedido em rede social funciona da mesma forma que o presencial. A pessoa nos passa o nome, data de nascimento e, assim, conseguimos realizar o benzimento à distância."

De acordo com Pâmela, os atendimentos presenciais na instituição só retornarão após a vacinação de todos. "Independentemente de ser por meio de tecnologia ou presencial, o procedimento é o mesmo. Usamos um prato de ágata, água, azeite, nome e data de nascimento de quem será benzido", reforça.

O psicólogo Javert Fernandes Menezes, 55, é mais um benzedor que vê a tecnologia como algo agregador para a prática. Ele faz atendimentos particulares (gratuitos) e seus benzimentos à distância (via WhatsApp) ocupam em média mais de seis horas por dia.

Javert conta que aprendeu a prática com seus tios e tias e faz pesquisas na área desde 1977. "Nada mudou na maneira de benzer. Apenas temos mais meios de comunicação como o WhatsApp, Telegram e Facebook para trabalhar e divulgar a arte do benzimento", ressalta o psicólogo, que também é autor de livros sobre o tema.

Como funciona

No caso da instituição Florescer Bento, o ambulatório de benzimento à distância publica um post nas redes sociais apresentando o trabalho e selecionando as mensagens que foram benzidas.

Quem deseja ser benzido precisa enviar o seu nome completo e data de nascimento para o WhatsApp, Instagram, Telegram ou Messenger da instituição, explica Pâmela. "Toda segunda e terça do mês, o ambulatório é destinado somente aos animais, e dedicado a São Francisco. Nos demais, são para os animais e as pessoas."

Os atendimentos com o psicólogo Javert também seguem um processo parecido: enviar o nome completo e data de nascimento para o WhatsApp, Instagram, Telegram ou Messenger dele.