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Blocos enormes da superfície de Vênus podem ajudar a entender Terra antiga

Vista geral da superfície de Vênus, com dados capturados pela nave Magellan, em 1991 - Nasa/JPL
Vista geral da superfície de Vênus, com dados capturados pela nave Magellan, em 1991 Imagem: Nasa/JPL

Nicole D'Almeida

Colaboração para Tilt

22/06/2021 16h53

Um recente estudo mostra que blocos enormes que formam partes da superfície de Vênus podem estar se movendo. O que indica que o planeta ainda é geologicamente ativo, além de ajudar os cientistas a entenderem mais sobre a Terra antiga.

As análises foram realizadas por Paul Byrnes, da Universidade Estadual da Carolina do Norte, e seus colegas, e o artigo publicado na revista científica PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences).

Para mapear a superfície de Vênus, Byrne e sua equipe usaram dados da espaçonave Magellan, da NASA, que orbitou o planeta de 1990 a 1994. Notou-se então 58 estruturas na superfície, que o pesquisador denominou de "campi".

Esses "campis" são enormes blocos de crosta planetária cada um de um tamanho, alguns com apenas 100 km de diâmetro e outros com mais de 1.000 km, e todos delimitados por cinturões de cristas e ranhuras na crosta.

Ao analisar esses blocos, percebeu-se que a maneira como eles se moveram desde sua formação é semelhante à forma como pedaços da crosta continental se empurram e se chocam na Terra.

Byrne explica que essas estruturas na superfície se movem porque há outras que se movem no interior do planeta. "Esses movimentos [da superfície venusiana] podem ser o resultado da convecção do manto e, se for o caso, constituem um estilo de acoplamento interior-superfície não visto em nenhum outro lugar do Sistema Solar interno, exceto nos interiores continentais da Terra", escreve no artigo.

Os cientistas acreditam que como o fluxo de calor dentro de Vênus é semelhante a como pode ter sido na Terra durante a era arqueana, período de cerca de 2,5 bilhões a 4 bilhões de anos atrás, essa movimentação da litosfera fragmentada venusiana pode oferecer uma estrutura para a compreensão de como as placas tectônicas operavam na Terra naquela época.

"Se você puder entender como é Vênus agora, isso pode nos dar algumas dicas sobre como a Terra costumava ser", conta Byrne.

Nas próximas décadas, duas das três missões que visitarão Vênus levarão instrumentos de radar que ajudarão a construir mapas detalhados da superfície do planeta. Dessa forma, poderemos compreender melhor Vênus e sua geologia.