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Espaçonave da Nasa vai passar perto da maior lua de Júpiter nesta segunda

Representação artística mostra a sonda Juno fazendo uma de suas passagens próximas sobre Júpiter - NASA/JPL-Caltech
Representação artística mostra a sonda Juno fazendo uma de suas passagens próximas sobre Júpiter Imagem: NASA/JPL-Caltech

Renata Baptista

De Tilt, em São Paulo

06/06/2021 12h28Atualizada em 07/06/2021 10h22

A maior lua de Júpiter e do nosso sistema solar vai receber seu primeiro registro em mais de 20 anos nesta segunda-feira (7). A missão Juno, da Agência Espacial Norte-Americana (Nasa), fará uma passagem a apenas 1.038 km da superfície de Ganimedes por volta das 14h35 (horário de Brasília).

É o mais perto que se chega do satélite desde que a espaçonave Galileo fez em sua penúltima aproximação, em maio de 2000.

Câmeras a bordo da Juno vão capturar imagens de Ganimedes, enquanto outros instrumentos podem coletar dados que ajudarão os cientistas a aprender mais sobre a composição da lua - incluindo sua casca de gelo, sua ionosfera e magnetosfera.

A coleta de dados terá início cerca de três horas antes do ponto em que vai ocorrer a maior aproximação do satélite com a aeronave. Pela velocidade com que a Juno viaja - cerca de 19 km por segundo -, Ganimedes passará de um pontinho de luz a um disco visível e novamente um pontinho de luz em um intervalo de apenas 25 minutos.

Com 5.262 km de diâmetro, esta lua gigante é maior do que o planeta Mercúrio e é a única no sistema solar com seu próprio campo magnético. Isso faz com que as auroras brilhem em torno dos polos norte e sul da lua.

"A Juno carrega um conjunto de instrumentos sensíveis capazes de ver Ganimedes de maneiras nunca antes possíveis", disse Scott Bolton, o principal pesquisador da Juno no Southwest Research Institute em San Antonio.

"Ao voar tão perto, traremos a exploração de Ganimedes para o século 21, complementando futuras missões com nossos sensores exclusivos".

É possível que haja um oceano subterrâneo no satélite e os astrônomos descobriram ainda evidências de uma fina atmosfera de oxigênio na lua em 1996, utilizando o telescópio espacial Hubble. Esta atmosfera é muito tênue para suportar vida.

O radiômetro de microondas da Juno vai fornecer a primeira investigação aprofundada de como a composição e a estrutura do gelo variam com a profundidade, levando a um melhor entendimento de como a camada de gelo se forma e dos processos contínuos que ressurgem no gelo ao longo do tempo.

"A casca de gelo de Ganimedes tem algumas regiões claras e escuras, sugerindo que algumas áreas podem ser gelo puro, enquanto outras áreas contêm gelo sujo", explicou Bolton.

Os resultados irão ainda complementar os da futura missão JUICE, da Agência Espacial Europeia (ESA), que observará o gelo usando radar em diferentes comprimentos de onda quando se tornar a primeira espaçonave a orbitar uma lua diferente da nossa em 2032.

A sonda Juno começou a coletar dados de Júpiter em julho de 2016. Recentemente, a agência norte-americana autorizou que a missão fosse estendida até setembro de 2025, ou até quando a sonda aguentar.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que foi publicado em versão anterior do texto, o diâmetro de Ganimedes é de 5,2 mil quilômetros, e não 5,2 quilômetros. A informação já foi corrigida.