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Estudo sugere que cicatrização limita capacidade humana de regenerar órgãos

Axolote, um tipo de salamandra, pode revelar segredos para a regeneração de partes do corpo - ROBERT MICHAEL/AFP (Getty Images)
Axolote, um tipo de salamandra, pode revelar segredos para a regeneração de partes do corpo Imagem: ROBERT MICHAEL/AFP (Getty Images)

Renata Baptista

De Tilt, em São Paulo

04/06/2021 16h07Atualizada em 05/06/2021 15h38

O nosso processo de cicatrização é uma das habilidades mais incríveis do ser humano. Mas já imaginou que essas mesmas cicatrizes podem impedir uma forma mais incrível de cura, como a regeneração de partes do corpo? É isso o que sugere o resultado de uma nova pesquisa científica.

No estudo, publicado na revista Developmental Dynamics, os pesquisadores quiseram analisar as diferenças imunológicas de respostas à lesões em mamíferos. Para isso, contaram com ajuda de uma espécie muito especial de salamandra — que já foi reverenciada como divindade pelos astecas — chamada axolote.

Os axolotes, que estão ameaçados de extinção da natureza, possuem a capacidade única de regenerar uma ampla gama de partes do corpo.

Como eles, algumas salamandras e outros lagartos e anfíbios também são capazes de regenerar algo como uma cauda, mas o axolote leva essa habilidade ao extremo. Ele é capaz de regenerar não apenas cauda, perna e pele, como também desenvolver novos pulmões, ovários, medulas espinhais e até mesmo um cérebro ou coração, se necessário.

Na pesquisa, liderada por James Godwin, do Laboratório Biológico Mount Desert Island (MDI Biological Laboratory), foi realizado um comparativo de feridas a nível molecular em axolotes e camundongos — que são mamíferos que não possuem habilidades regenerativas tão apuradas. A partir daí, cientistas descobriram que as células imunológicas que desencadeiam uma resposta após uma lesão, chamadas macrófagas, são determinantes para explorar a capacidade de um animal de regenerar partes do corpo.

"Nossa pesquisa mostra que os humanos têm um potencial inexplorado de regeneração", disse James Godwin, em comunicado à imprensa.

"Se pudermos resolver o problema da formação de cicatrizes, podemos desbloquear nosso potencial regenerativo latente. Axolotes não cicatrizam, que é o que permite que a regeneração ocorra. Mas, uma vez que uma cicatriz se forma, o jogo termina em termos de regeneração. Se pudéssemos prevenir cicatrizes em humanos, poderíamos melhorar a qualidade de vida de várias pessoas", completou.

Indo mais fundo no estudo realizado, foi descoberto que um tipo específico de proteína pode ser responsável pela resposta das células macrófagas.

Godwin pontua que estamos cada vez próximos de compreender como elas atuam na regeneração do axolotes, e isso nos deixa mas perto de como regenerar tecidos humanos em vez de criar cicatrizes, o que pode melhorar muito a recuperação dos pacientes de doenças que danificam órgãos como coração, rins, fígado ou pulmões.