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"Sol artificial" chinês supera em mais de 10 vezes temperatura do nosso Sol

Nasa/SDO, AIA
Imagem: Nasa/SDO, AIA

Sarah Alves

Colaboração para Tilt

02/06/2021 15h10

O reator de fusão nuclear chinês EAST (Tokamak Experimental Supercondutor Avançado), conhecido como "sol artificial", atingiu na última sexta-feira (28) um novo recorde de temperatura: 120 milhões de graus Celsius por 101 segundos.

Também foram registrados 160 milhões de graus Celsius, mas apenas por 20 segundos. Esta última marca, no entanto, supera em mais de dez vezes a temperatura do Sol (15 milhões de graus Celsius). Antes, o recorde do reator era de 100 milhões de graus Celsius por 100 segundos.

A expectativa dos cientistas é que o Tokamak se torne uma importante fonte de energia sustentável ilimitada. Ele está localizado no Instituto Hefei de Ciências Físicas da Academia Chinesa de Ciências, em Pequim.

Reator de fusão nuclear chinês EAST - Divulgação/Xinhua - Divulgação/Xinhua
Imagem: Divulgação/Xinhua

Segundo Li Miao, diretor do departamento de física da Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul da China, o próximo passo é estabilizar a temperatura por uma semana ou mais.

"A descoberta é um progresso significativo e o objetivo deve ser manter a temperatura em um nível estável por um longo tempo", afirmou ao jornal estatal chinês "Global Times".

Implementação deve levar 30 anos

Projetado para atingir altas temperaturas, o EAST reproduz de forma controlada a fusão nuclear que ocorre no Sol e nas estrelas como uma alternativa à geração de energia sustentável e, por isso, é conhecido como "sol artificial".

Mas mesmo com os avanços conferidos pelos recentes recordes, a implementação está distante. O diretor do Centro Chinês para Pesquisa em Economia de Energia da Universidade de Xiamen, Lin Boqiang, explicou que a aplicação comercial deve demorar 30 anos e reiterou que a fonte de energia é a mais limpa e confiável.

"É mais como uma tecnologia do futuro que é crítica para o impulso de desenvolvimento verde da China", afirmou Boqiang ao Global Times.

O reator integra o ITER (Reator Termonuclear Experimental Internacional), maior esforço de pesquisa de fusão nuclear do mundo e que perde em tamanho apenas para a ISS (Estação Espacial Internacional). O projeto, com sede na França, é organizado em conjunto pela China, União Europeia, Índia, Japão, Coreia do Sul, Rússia e Estados Unidos.