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Eta Aquáridas: pico da chuva de meteoros é nesta madrugada; saiba como ver

Eta Aquáridas registrada no parque Yosemite, na Califórnia (EUA) em 2014 - Getty Images
Eta Aquáridas registrada no parque Yosemite, na Califórnia (EUA) em 2014 Imagem: Getty Images

Marcella Duarte

Colaboração para Tilt

05/05/2021 12h56

Na madrugada desta quarta-feira (5) para quinta-feira (6), uma das mais belas chuvas de meteoros do ano, a Eta Aquáridas, atinge seu pico. A partir das 3h, olhe para o leste e você poderá ver até 50 "estrelas cadentes" por hora.

O que faz deste evento astronômico especial é o ponto onde os meteoros convergem, na constelação de Aquário (por isso o nome), e, principalmente, a sua composição: resquícios do famoso cometa Halley.

A Eta Aquáridas também é conhecida por sua rapidez e densidade. Milhares de pequenas rochas espaciais viajam a impressionantes 70km/s, e ficam incandescentes ao atingir a atmosfera da Terra, deixando rastros muito brilhantes no céu noturno. Alguns deles podem até parecer explodir.

Como todas as chuvas de meteoros, ela é visível a olho nu, sem necessidade de usar telescópios ou equipamentos especiais. E no Brasil o espetáculo ainda será mais bonito: as regiões tropicais do hemisfério Sul do planeta são privilegiadas na observação.

Teoricamente, podem ser vistos entre 40 e 50 meteoros por hora - mas isso depende de condições atmosféricas e climáticas perfeitas e de um posicionamento ideal do observador. "Considerando que a maioria das pessoas irá observar de suas casas, nos centros urbanos, com poluição luminosa, temos de ser realistas. Acredito em uns 5 meteoros por hora", diz Julio Lobo, astrônomo do Observatório Municipal de Campinas Jean Nicolini.

Como observar?

"Saibam que vocês não vão ver apenas 'simples' meteoros. Vocês terão uma experiência única. São pedacinhos da cauda do cometa Halley, que nos visitou pela última vez há 35 anos, em 1986", comemora Lobo. Ele dá algumas dicas:

  • Torça por um céu sem nuvens. Procure um lugar com pouca luz, como uma varanda ou quintal. Quanto menos poluição luminosa, mais chances de observar mais meteoros;
  • Fique confortável. Sente em uma cadeira (de preferência uma reclinável ou de praia), proteja-se do frio e evite usar o celular (para não se distrair ou ter a visão ofuscada pela claridade da tela);
  • Tenha paciência. Seus olhos demoram cerca de 20 minutos para se acostumar com a baixa luminosidade e a diferenciar o brilho dos diferentes corpos celestes (estrelas, planetas, meteoros);
  • Olhe para o leste (onde o Sol nasce). Procure pela Lua e o planeta Júpiter, o segundo ponto mais brilhante do céu, que estará acima dela;
  • Formando um triângulo com os dois, para a esquerda, estará o radiante da Eta Aquáridas, na constelação de Aquário. Os meteoros vão aparentar surgir ao redor dela. Um software de observação dos céus (como Stellarium, Star Walk, Star Chart, Sky Safari ou SkyView) pode te ajudar a encontrar este ponto;
    Imagem com o app Stellarium feitas por Julio Lobo para mostrar posicionamento da Eta Aquáridas - Julio Lobo - Julio Lobo
    Imagem com o app Stellarium feitas por Julio Lobo para mostrar posicionamento da Eta Aquáridas
    Imagem: Julio Lobo

  • Observe atentamente e espere pelos meteoros. O melhor momento de observação é partir das 3h, quando a chuva estiver mais alta no céu. Os meteoros poderão ser vistos até o amanhecer;
  • Faça um pedido a cada estrela cadente vista, como manda a tradição;
  • Se não der certo hoje, observe também nos próximos dias. A Eta Aquáridas continua até o final do mês, com atividade cada vez menor. Até o final de semana, ainda são ótimos momentos;
  • Com uma câmera em modo de longa exposição, é possível fazer belas imagens dos rastros dos meteoros.

"É praticamente certo que vocês conseguirão ver alguns meteoros riscando o firmamento. A quantidade depende do local onde estiverem. O melhor de tudo? Vocês podem observar de suas casas e respeitar as medidas de isolamento social, imprescindíveis em meio à pandemia da Covid-19", conclui o astrônomo.

Veja este incrível vídeo estilo timelapse do pico da Eta Aquáridas do ano passado, registrado na Austrália:

A Eta Aquáridas acontece todos os anos no início de maio, quando a Terra, em seu movimento de translação em torno do Sol, cruza a órbita do cometa, onde flutua uma trilha de destroços e poeira - derrubados nas passagens anteriores do Halley ao longo de milhares, talvez milhões, de anos. Ao entrar em nossa atmosfera em alta velocidade, eles queimam deixando o belo - e inofensivo - rastro luminoso.

Nosso planeta atravessa a "estrada" do cometa duas vezes por ano, em dois pontos diferentes. Ele também é responsável pela chuva de meteoros Oriônidas (na constelação de Órion), que vemos todo mês de outubro, quando a Terra passa pela segunda "perna" de sua órbita.

O Halley visita nossa região do Sistema Solar a cada 74-79 anos. A última vez que conseguimos vê-lo da Terra foi em 1986, e seu retorno está previsto para 2061. É o único cometa regularmente visível a olho nu. E nos deixa bons - e brilhantes - motivos para nos lembrarmos dele todos os anos, mesmo quando está longe.