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Xô, mau tempo! Startup monitora direção dos ventos para te ajudar a velejar

Serviço ajuda velejadores no Canal de São Sebastião (SP) - Guilherme Andrade/UOL
Serviço ajuda velejadores no Canal de São Sebastião (SP) Imagem: Guilherme Andrade/UOL

Hygino Vasconcellos

Colaboração para Tilt

02/05/2021 04h00

Sem tempo, irmão

  • Startup paulista criou serviço que diz direção dos ventos em tempo real
  • Ele é ideal para quem usa o vento para navegar ou praticar esportes
  • Dá para saber como anda o tempo em Ilhabela, no litoral paulista
  • Plataforma está sendo ampliada para outras regiões de SP e RJ

Um sistema tem facilitado a navegação de velejadores no Canal de São Sebastião, entre Ilhabela e São Sebastião, no litoral de São Paulo. Lançado em 2015, o serviço monitora a direção dos ventos em tempo real e permite ao público escapar do mau tempo.

A plataforma é gerenciada pela startup Muito Bons Ventos. Agora a função está sendo testada para operar também na lagoa de Araruama, no Rio de Janeiro, e em outros locais da região Sudeste.

A ideia do sistema é de Marcelo Barbosa, fundador e sócio da empresa. Ele conta que o estalo sobre a necessidade do serviço surgiu enquanto ele navegava em alto-mar.

"Passei muitos anos velejando ao norte do canal, e sempre tinha a incerteza de como estava o vento. Sabendo da disponibilidade tecnológica para este tipo de serviço, eu comecei a pesquisar para instalar uma estação de medição", conta.

Dois anos depois, a estação ficou pronta, e Barbosa começou a desenvolver a plataforma. Segundo ele, entre 2015 e 2020, foram investidos R$ 600 mil no serviço. Neste ano, é esperado um aporte de pelo menos R$ 150 mil.

Plataforma da startup Muito Bons Ventos - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Como funciona?

Para disponibilizar os dados ao público, a plataforma conta com quatro estações espalhadas nos 25 km do Canal de São Sebastião. As estruturas foram colocadas sobre a água em faroletes da Marinha, erguidos longe de casas e prédios para evitar interferências. Todo o sistema é automatizado.

As estações dispõem de sensor por ultrassom, que opera junto com um microcontrolador. As informações são repassadas minuto a minuto a um servidor que projeta o comportamento dos ventos para as próximas horas e também dá um panorama do que aconteceu nas últimas horas.

Além de dados próprios, coletados pelas torres, o sistema usa informações de outras empresas de meteorologia parceiras. No Canal de São Sebastião, o cliente tem acesso a informações da correnteza a partir de um controlador de outra empresa.

"Em Ilhabela, temos uma estação meteorológica de um projeto que nos deu autorização do acesso de dados e que nos serve muito. A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) também coleta semanalmente a balneabilidade das praias, e compartilhamos estes dados", explica Marcelo Barbosa.

O site da Muito Bons Ventos também fornece ainda informações sobre a fila das balsas em Ilhabela e São Sebastião. Ainda faltam estações ao Sul do Canal de Sebastião, mas, segundo Barbosa, já há estudos em andamento para ampliação do sistema na área.

Chega de imprevisibilidade

O velejador Atila Bohm, 60, já navegou em inúmeros lugares do mundo nos últimos 40 anos. Natural de Porto Alegre, ele mora atualmente no Canal de Sebastião e tem aproveitado o sistema.

"Para mim, a informação da direção dos ventos é muito importante. Antes do serviço, fazíamos nossa medição olhando pro céu, ou ligando para alguém da praia", comenta.

A ausência de monitoramento pode comprometer o planejamento da viagem e o velejador pode se deparar com as temidas nuvens cúmulo-nimbos, que podem provocar tempestades, raios e até neve: "Quando o velejador não estava no barco, antes do serviço o proprietário ficava preocupado com o que os ventos que estas nuvens traziam, agora há previsibilidade", finaliza.

O professor de kitesurf Eder Corrêa, 45 anos, também mudou a forma de se informar sobre as condições do tempo antes de entrar no mar. "Antes, calculávamos com a visão que se tinha do lugar, mas com esse monitoramento temos uma previsão mais completa. Hoje saio de casa com a certeza de que vou encarar no mar."

O professor usa o sistema há dois anos e faz a consulta em casa, o que o ajuda a organizar o agendamento das aulas de kitesurf.

Paga para usar?

É possível ter acesso a uma versão gratuita da plataforma, mas ela não é em tempo real. As informações são apresentadas com uma hora de atraso. Quem quer acompanhar ao vivo como andam os ventos tem duas opções de planos, que variam de acordo com a área de abrangência da plataforma.

Um dos planos é restrito a uma região específica, por exemplo, apenas no Canal de São Sebastião. Neste caso, a mensalidade é de R$ 9,30. Já o outro não tem restrições de área e custa R$ 16,70 por mês.

Ampliação no RJ

A empresa está com planos de ampliação nacional e quer instalar 100 estações de medição em represas, lagos, rios e litoral de todo o Brasil até o final deste ano. Antes de chegar ao Rio de Janeiro, a startup montou uma estação na represa de Guarapiranga no limite entre os municípios de São Paulo, Itapecerica da Serra e Embu-Guaçu.

A aparelhagem está em funcionamento em um pier do Corpo de Bombeiros, mas a leitura apresentada na estação tem divergido da situação encontrada pelo público. Por isso, a empresa planeja mudar o equipamento de lugar, provavelmente para uma das ilhas.

Na Lagoa de Araruama, está sendo instalado inicialmente uma torre também em um farolete da Marinha. "Em Araruama, eu fui procurado por um cliente. É um lugar espetacular para a prática de vela, kitesurf e windsurf, lugar muito procurado nos fins de semana por estar próximo do Rio de Janeiro. Nestes quase dois meses de assinatura, a principal adesão está sendo com os praticantes de kitesurf", afirma Barbosa.

Além da Lagoa de Araruama, devem entrar em operação até maio outras quatro estações no Rio de Janeiro: na Ilha dos Coqueiros (região de Angra dos Reis), na Barra da Tijuca, na Marina da Barra e na Baía de Guanabara. Em São Paulo, deve começar em Ubatuba (SP). Ainda não há data prevista para o início da operação.

Barbosa já pensa no aperfeiçoamento do sistema: "Estamos em uma parceria com uma empresa de Israel para previsão meteorológica, e no futuro queremos retroalimentar a previsão dos ventos, em método de machine learning [aprendizado de máquina]", aponta.