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Por que investigação contra Facebook por monopólio de GIFs é importante

Lucas Santana

Colaboração para Tilt

30/04/2021 04h00

A compra do Facebook da plataforma de GIFs animados Giphy, maior biblioteca de GIFs animados do mundo, atualmente é alvo de uma investigação contra formação de monopólio da rede social no Reino Unido. Apesar de um "supercontrole de GIFs" parecer algo sem importância, o tema envolve ganhos com publicidade e controle de dados pessoais.

O Giphy (cujas imagens ilustram esse texto) foi vendido ao império de Mark Zuckerberg no ano passado por cerca de US$ 400 milhões (mais de R$ 2 bilhões), segundo analistas do mercado de "big techs".

A compra da Giphy teria como principal objetivo aumentar a oferta de conteúdos em GIF para os serviços que já pertencem hoje ao Facebook, como o WhatsApp e o Instagram. A plataforma possui uma biblioteca com 10 bilhões de imagens animadas e pelo menos 700 milhões de pessoas que acessam a plataforma diariamente. Suas maiores concorrentes no setor, o Tenor e a Gfycat, não chegam nem perto desse número, com 300 milhões e 180 milhões de usuários ativos respectivamente.

Por que os britânicos abriram a investigação?

A ACCC (Comissão Australiana de Competição e Consumo), autoridade australiana que avalia esse tipo de compra, levantou, em junho do ano passado, dúvidas sobre a legalidade da operação e a possível formação de monopólio.

Em seguida, o Reino Unido também acendeu um sinal de alerta, o que levou recentemente à abertura de uma investigação capitaneada pela CMA (Autoridade de Competição e Mercados, em inglês), entidade reguladora britânica.

Segundo o órgão, há evidências de que a compra da Giphy pelo Facebook possa gerar uma "potencial perda de competitividade na região". Antes da aquisição, a Giphy tinha planos de expansão pelo mundo, incluindo o mercado de publicidade digital britânico, onde o Facebook já está presente com mais de 50% de participação. O setor rende 5,5 bilhões de libras esterlinas por ano (quase R$ 42 bilhões).

O regulador do Reino Unido acredita ainda que, como resultado da compra do Giphy, o Facebook pode prejudicar o compartilhamento de GIFs em outras redes sociais e empresas de tecnologia. Hoje a Giphy está presente não apenas nos serviços proprietários do Facebook, mas também em aplicativos concorrentes, como o iMessenger, da Apple, além do Snapchat, Telegram, Twitter e TikTok entre outras.

Outra preocupação diz respeito à privacidade dos usuários, tópico bastante sensível para Mark Zuckerberg. O CMA desconfia que o Facebook pode passar a exigir que as concorrentes entreguem dados pessoais de seus clientes para que tenham GIFs da Giphy à disposição.

Para a autoridade, isso "poderia reduzir potencialmente a capacidade de escolha dos usuários e aumentar o poder de mercado do Facebook em relação ao mercado de redes sociais". As próprias concorrentes já emitiram notas à imprensa afirmando que adotarão as medidas necessárias para "prevenir que o Facebook espione seus usuários por meio da Giphy".

"Muitas pessoas usam GIFs quando se comunicam online, por isso é importante que as plataformas não restrinjam o que elas têm a oferecer e as pessoas tenham uma variedade de opções para escolher", afirmou Andrea Gomes da Silva, diretora-executiva do órgão regulador do Reino Unido.

Em que pé anda a investigação?

Tilt entrou em contato com a CMA, que informou que durante a fase de investigação, um painel de analistas independentes vai conduzir os trabalhos sobre os efeitos da operação Giphy-Facebook sobre a economia do país.

Caso sejam identificados problemas reais, a autoridade pode recomendar desde o bloqueio à compra da Giphy quanto a venda de algumas partes da empresa para evitar monopólio.

O que diz o Facebook?

Em resposta à reportagem, a rede social apenas disse que vai colaborar com as investigações do CMA. "Essa fusão é positiva para a competição e os interesses de todos no Reino Unido que usam Giphy e nossos serviços, sejam desenvolvedores, provedores de serviços ou criadores de conteúdos", respondeu o porta-voz.

O regulador britânico tem até o meio de junho para realizar as investigações e até 15 de setembro para entregar um relatório final sobre a operação.