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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Como é ter um Pixel 4a, celular do Google que não tem no Brasil?

Reprodução
Imagem: Reprodução

Lucas Santana

Colaboração para Tilt

24/04/2021 04h00

Se pudesse definir meu perfil de consumidor de celulares, diria que sou exigente, com orçamento limitado, atento a novidades e muito, muito detalhista. Procuro por aparelhos sólidos, bonitos, com excelente custo-benefício, uma câmera parruda e que seja a melhor opção de compra dentro da faixa de preço que quero pagar.

Há dois meses, quando decidi trocar de celular, não tive dúvidas: o Pixel 4a seria meu novo telefone. Sou um grande entusiasta do sistema operacional Android, por isso sempre quis ter um aparelho com o selo de qualidade do Google. Depois de muita pesquisa, leitura e infinitos vídeos de análise, me convenci de que era um dos melhores smartphones intermediários do mercado.

Vendido por US$ 350 nos EUA (350 euros na Europa), o aparelho disputa o ranking na faixa intermediária com outras feras, como o Nord, da chinesa One Plus, e o iPhone SE, da Apple.

Embora não seja tão bonito quanto seus concorrentes, nem o mais poderoso em termos de processador, bateria e qualidade da tela, o Pixel 4a usa o sistema operacional Android mais puro, estável e atualizado que você pode ter hoje. Nem vem com aquelas modificações irritantes comuns em celulares de outras fabricantes.

Além disso, o próprio Google garante pelo menos três anos de atualizações. Em apenas dois meses de uso, recebi quatro importantes melhorias no meu aparelho, como o sistema de alerta para quando você caminha distraído utilizando o celular.

Lançado em agosto de 2020 lá fora, o 4a é o irmão mais novo da linha Pixel de smartphones desenvolvidos e produzidos pelo Google. Há ainda uma versão do aparelho com 5G, um pouco mais cara e com mudanças sutis de hardware.

O Pixel já teve cinco versões desde que foi lançado, em 2016, com algumas variações maiores e opções intermediárias, como é o caso do 4a. Os aparelhos da linha são considerados herdeiros naturais dos antigos celulares Nexus, como eram chamados os dispositivos com selo Google no passado. Esse selo significa que o próprio Google desenvolveu a sua versão do que seria o aparelho Android ideal.

A série Nexus foi produzida em parceria com fabricantes conhecidas do mercado, como HTC, Samsung e LG. Até então, o Google desenvolvia os aparelhos e as parceiras eram responsáveis por produzi-los. Com a série Pixel isso mudou, e a própria criadora do Android passou a produzir seus celulares, sem intermediários. Nenhuma delas chegou oficialmente ao Brasil.

Estudando na Alemanha, comprei o meu Pixel 4a pela loja oficial do Google de lá. Meu último aparelho foi um Xiaomi Mi 6, modelo importado da fabricante chinesa que virou febre no Brasil nos últimos anos por seus preços convidativos. Só havia um problema: o Mi 6 era coberto de vidro, frente e verso. Por mais que eu adorasse o celular, sempre tive medo que uma queda brusca o destruísse por inteiro.

Depois de quatro anos de uso, senti que era hora de atualizar para outro celular mais resistente e moderno, levando em consideração o custo-benefício.

Assim que recebi meu Pixel 4a, percebi que não precisaria me preocupar tanto. Sua traseira é feita de um plástico fosco, simples, mas elegante. O design é minimalista, lembrando muito o formato do iPhone 11, com apenas uma cor, chamada pelo Google de um sugestivo "Just Black". Ele é leve e confortável para usar com uma mão só, e a traseira de plástico fosco tem boa pegada, prevenindo deslizes.

A tela é boa, brilhante, com pouquíssimas bordas. A câmera frontal fica no canto superior esquerdo, destacada por um pequeno recorte circular no visor.

O sistema é fluido, rápido, sem travamentos aparentes, o que mostra a potência do seu Snapdragon 730, um processador avançado, mas longe de ser o melhor disponível no mercado. O Android puro, otimizado e atualizado faz o melhor uso possível dele.

Uso o aparelho para trabalhar, para estudar e, principalmente, para fazer fotos e vídeos. Eu me importo muito com a qualidade das fotos do celular. Neste quesito, fica difícil bater o 4a nesta faixa de preço. Ele tem um conjunto de câmeras excelentes, muito parecidos com os do seu irmão mais velho, o Pixel 5, que custa bem mais caro.

Comparando as imagens do Pixel 4a com cliques do iPhone de colegas, não consigo identificar grandes diferenças de qualidade que justifiquem o investimento em um aparelho da Apple. Os resultados são incríveis.

Foto feita com a câmera do Pixel 4a, do Google - Lucas Santana/UOL - Lucas Santana/UOL
Imagem: Lucas Santana/UOL

O segredo do Pixel está no software de processamento de imagens, que "trata" automaticamente as fotos por meio de um avançado algoritmo de inteligência artificial, com resultados impressionantes. Em vários testes e comparações pela web, vi que as fotos do Pixel 4a não deixam a desejar para aparelhos topo de linha, como os melhores iPhones.

Outro destaque do Pixel, o sistema Android atualizado e puro, é funcional e eficiente. Gosto de saber que as últimas melhorias do sistema, como o mecanismo de alertas para quem caminha e usa o celular ao mesmo tempo, chegam primeiro no meu celular. Sinto que terei um aparelho moderno por um bom tempo.

Foto feita com a câmera do Pixel 4a, do Google - Lucas Santana/UOL - Lucas Santana/UOL
Imagem: Lucas Santana/UOL

Infelizmente o Google não vende nenhum aparelho Pixel oficialmente no Brasil. Mas é possível encontrar o celular por aqui na mão de alguns importadores no Mercado Livre e outros sites menores por algo em torno R$ 3.000.

Se você optar por comprar fora do país pode conseguir um preço melhor, mas preste atenção às taxas alfandegárias sobre o produto.

Vale lembrar ainda que aparelhos comprados no exterior, seja em uma viagem ou por importação, não têm garantia de assistência técnica no Brasil. Pese bem o custo-benefício da sua decisão.

Ficha técnica: Google Pixel 4a

  • Tela: OLED com 5,8 polegadas, resolução Full HD+ e proteção Gorilla Glass 3
  • Processador: Snapdragon 730 octa-core
  • Câmeras: principal 12.2 MP (abertura de ?/1.7) + selfie 8 MP (abertura de ?/2.0)
  • Memória RAM: 6 GB
  • Armazenamento interno: 128 GB
  • Bateria: 3.140mAh
  • Sistema operacional: Android 11
  • Recurso extra: Sensor biométrico na traseira para desbloqueio do aparelho

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL