PUBLICIDADE
Topo

Superlua? Lua Rosa? Entenda o fenômeno que vai rolar este mês

Termo "superlua rosa" se popularizou, mas não deve mostrar nada de diferente de uma lua cheia - NASA/Bill Dunford
Termo "superlua rosa" se popularizou, mas não deve mostrar nada de diferente de uma lua cheia Imagem: NASA/Bill Dunford

Marcella Duarte

Colaboração para Tilt

12/04/2021 15h08

A Lua terá um abril agitado. Quando entrar na fase cheia, no dia 26, também estará em seu perigeu, ou seja, o ponto de máxima aproximação com a Terra. Por isso, recebe o nome popular de superlua. Este mês, ela será uma "superlua rosa", como é chamada em certas tradições.

Teremos um alinhamento triplo: de um lado da Terra, o Sol; do lado oposto, a Lua, mais próxima. Isso fará com que ela apareça mais brilhante. Mas apesar do nome, é praticamente impossível para o olho humano diferenciar uma Lua cheia "comum" de uma "superlua". E ela não terá nenhuma cor especial.

O que acontece?

A órbita da Lua ao redor da Terra —assim como as dos planetas ao redor do Sol— não é um círculo perfeito, mas sim uma elipse (um círculo um pouco achatado). Por isso, ela se afasta e se aproxima de nosso planeta durante sua movimentação pelo universo. O ponto mais distante é chamado de apogeu; o mais próximo, perigeu.

Isso não é raro, pois ocorre todos os meses. A Lua demora aproximadamente 28 dias para dar uma volta completa na Terra, passando por suas quatro fases. Nosso satélite não tem luz própria; brilha porque reflete a luz do Sol. E, como está sempre girando, nós a vemos de diferentes formas com o passar dos dias.

Quando está no perigeu, ela nos parece até 15% maior e 30% mais brilhante. Isso pode ocorrer em qualquer uma das fases; se coincide com a Lua cheia, temos a chamada superlua, um termo controverso.

"Os astrônomos não usam a palavra superlua. Falam apenas de Lua no perigeu. Mas, principalmente com as redes sociais, esse termo viralizou. Na verdade, foi criado por astrólogos", conta Julio Lobo, astrônomo do Observatório Municipal de Campinas.

Sem parâmetros comparativos, o que veremos no céu no dia 26 será uma Lua cheia normal. "Essa história de superlua é meio factoide astronômico. Só com instrumentos, como um telescópio, ou comparando por meio de fotografias, será possível notar alguma diferença", acredita Naelton Araújo, astrônomo do Planetário do Rio.

Superlua rosa?

A Lua cheia de abril é chamada de "rosa" por povos nativos norte-americanos, pois marca a chegada da primavera no Hemisfério Norte —no Sul, iniciamos o outono. Mas isso não quer dizer que a Lua estará de fato rosa ou de qualquer outra cor; é somente uma metáfora.

"Ao nascer, a Lua pode ficar amarelada, alaranjada ou até vermelha (ou rosa), depende somente das condições atmosféricas do lugar de onde olha. Não tem a ver com a época do ano", explica Araújo. "É sempre um belo espetáculo ver a Lua cheia nascendo, mas esses nomes têm origem cultural, e não astronômica."

A primavera era fortemente comemorada pelas tribos do Hemisfério Norte como uma espécie de renascimento após o inverno tenebroso.

"Os nativos norte-americanos e europeus nomearam as 12 luas do ano. A de janeiro, por exemplo, é a Lua de Neve. Mas no Brasil nem temos neve", ressalta Lobo. "São tradições antigas que apenas reproduzimos. Lua rosa, Lua de sangue, Lua da colheita, Lua do verme... esses nomes faziam sentido para nossos ancestrais. E agora fizemos como eles e criamos um novo nome: superlua."

Como ver?

A Lua cheia de 26 de abril nascerá logo após o pôr do sol, por volta das 18h —o horário exato em sua cidade pode ser consultado em apps ou sites de observação astronômica, como o Heavens Above. No dia 27, ela nasce um pouco mais tarde, por volta de 18h30, e assim sucessivamente.

O melhor horário para observar é a primeira hora após nascer, pois a Lua pode mostrar belas variações de tonalidade. Lobo afirma que também teremos a impressão de que ela está ainda maior devido ao efeito da refração atmosférica e aos referenciais terrestres, mas é mais um efeito ótico e psicológico.

Quando estiver mais alta no céu, continuará igualmente ou até mais brilhante, mas nos parecerá menor. Segundo Araújo, quando olhamos a Lua no horizonte ela fica maior porque comparamos com objetos como casas e árvores. No alto do céu, só com o pano de fundo das estrelas, ela parece menor.