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Como a lua cheia deu o "empurrãozinho" que liberou navio do Canal de Suez

Sarah Alves

Colaboração para Tilt

30/03/2021 14h15Atualizada em 30/03/2021 21h37

O Canal de Suez, que estava bloqueado pelo navio cargueiro Ever Given, foi liberado na manhã de segunda-feira (29), após uma intensa operação que durou seis dias. Isso só foi possível com uma ajudinha da astronomia.

Um fenômeno conhecido como marés de sizígia, quando há alinhamento de três corpos do mesmo sistema gravitacional, foi determinante para que as equipes tivessem êxito. As marés são influenciadas pela interação gravitacional da Terra e ficaram mais intensas quando ela se alinhou com a Lua e o Sol na noite de domingo (28).

Segundo o jornal "The New York Times", a maré no Canal de Suez subiu cerca de 46 centímetros. A resposta na intensidade das águas ocorre porque os objetos celestes são os que mais exercem atração gravitacional sobre o planeta.

Quando a Lua está nas fases nova e cheia o efeito é ainda maior. No dia, havia uma superlua cheia, que nesta terça-feira (30) deve alcançar seu perigeu — quando o satélite se encontra no ponto da órbita mais próximo da Terra.

À agência de notícias Associated Press, Peter Berdowski, executivo-chefe da empresa responsável pelo resgate, afirmou que a equipe foi "enormemente ajudada pela maré".

"Na verdade, você tem as forças da natureza empurrando com você, e elas empurraram com mais força do que os dois rebocadores do mar poderiam puxar", disse.

Navio encalhado

O navio cargueiro Ever Given, de 400 metros e 220 mil toneladas, encalhou no quilômetro 151 do Canal de Suez, no Egito, no último dia 23. A rota comercial é uma das mais movimentadas do mundo e concentra 12% da economia global. Havia mais de 400 embarcações na fila quando o local foi liberado.

Na Estação Espacial Internacional (ISS), o engenheiro e cosmonauta russo Sergey Kud-Sverchkov compartilhou registros inéditos do Ever Given encalhado e escreveu que o assunto era um dos mais comentados do mundo: