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Quer vender muito na internet? Estas mulheres dão as dicas rumo ao sucesso

Julia Soares, Beatriz França e Andréa Cosentino; pequenas empreendedoras web, grandes negócios - Acervo pessoal
Julia Soares, Beatriz França e Andréa Cosentino; pequenas empreendedoras web, grandes negócios Imagem: Acervo pessoal

Bárbara Therrie

Colaboração para Tilt

21/03/2021 04h00

Júlia Soares, 33 anos, largou uma carreira de dez anos em administração para investir em seu blog de culinária. Beatriz França, 32, transformou sua bonequinha de frases motivacionais em negócio. Andrea Cosentino, 45, teve a ideia de criar uma cama suspensa dobrável para gatos e viu na web a melhor forma de vendê-la. Em comum, as três são mulheres empreendedoras que tiveram a manha de entender como fazer negócios online, algo que ficou ainda mais evidente na pandemia de covid.

Em conversa com Tilt, as três contam como começaram seus negócios e dão dicas de como vender melhor e ganhar mais dinheiro. A boa notícia é que as plataformas e redes sociais estão com soluções cada vez mais completas para ajudar nisso, e testar essas ferramentas, segundo elas, vai ajudar bastante.

"O Que Vai Ter Na Janta?"

Júlia Soares, 33, começou a vender aventais e outros itens, luvas de fornos e lenços - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Júlia Soares, 33, começou a vender aventais e outros itens, luvas de fornos e lenços
Imagem: Arquivo pessoal

"Eu não queria cozinhar e vender comida. Meu objetivo era crescer como uma marca relacionada à gastronomia e desenvolver um conteúdo bacana", diz Júlia Soares, que trocou a carreira em admnistração pela sua grande paixão, a culinária.

Em 2016, ela criou o blog "O Que Vai Ter Na Janta?" e passou a divulgar no Facebook e no Instagram (@oquevaiternajanta) suas receitas, produzir vídeos e dar dicas de restaurantes. Com a nova carreira, investiu em cursos de marketing digital, design, fotografia e culinária.

O hobby da cozinheira virou negócio quando ela apareceu nas redes sociais com um avental florido. "Comprei a pedido do pessoal do curso de culinária, que exigia que a gente usasse uniforme, mas não gostei de nenhum modelo. Comprei o tecido, minha irmã costurou, os seguidores curtiram e ali eu visualizei uma oportunidade de negócio", diz.

Soares começou a vender aventais e outros acessórios como jogos americanos, luvas de fornos e faixas de cabelo. Inicialmente, vendia pelo Facebook —grupos, Messenger e a plataforma de vendas Marketplace —, além do Instagram, e recebia por transferência bancária.

Empreendedora Júlia Soares, 33, em estande da @oquevaiternajanta - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Empreendedora Júlia Soares, 33, em estande da @oquevaiternajanta
Imagem: Arquivo pessoal

Com o aumento no número de pedidos, a administradora criou uma loja virtual (oquevaiternajanta.com.br) e aderiu a ferramenta Shops do Facebook e do Instagram, que permite a lojistas criar um catálogo de seus produtos.

"Usar essa função do Shops foi importante para estabelecer minha loja como uma empresa de acessórios de cozinha. Em dezembro de 2020, 40% dos pedidos vieram do Shops do Instagram", afirma.

Uma outra estratégia foi trocar espaço de divulgação no Instagram com outras empreendedoras. No final de 2020, ela e três amigas criaram um kit contendo produtos de todas elas, e cada uma divulgava nos seus perfis e sites, o que ampliou o alcance e representou um aumento de 25% do faturamento no fim de ano.

Três dicas para vender melhor:

  • Fazer produção de conteúdo nas redes sociais relacionado ao universo do que você vende
  • Usar a ferramenta Shops para dar visibilidade aos produtos e aumentar a chance de venda
  • Fazer parcerias com outros empreendedores com troca de espaço de divulgação para atingir um público maior

BiaPOF

Beatriz França, 32, a criadora da BiaPOF - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Beatriz França, 32, a criadora da BiaPOF
Imagem: Arquivo Pessoal

Beatriz França trabalhou com publicidade e moda, mas foi com a ilustração da bonequinha BiaPOF e as frases motivacionais que postava no Facebook e no Instagram (@biapof) que ela viu uma oportunidade de negócio. Ao ilustrar a personagem em quadros como opção de presente de Natal, ela postou nas redes e as pessoas começaram a fazer encomendas.

França percebeu que poderia monetizar com a personagem usando o Instagram como uma ferramenta de vendas. "No início, eu fazia personalizados em geral, a pessoa pedia a ilustração da BiaPOF com características específicas, eu fazia, enviava a arte digital e o cliente usava onde quisesse."

Com o crescente número de pedidos, a designer passou a fazer canecas com frases de efeito, calendários, cadernos, bloco de anotação e planner semanal com o desenho da bonequinha.

Em 2016, França criou o site (www.biapof.com), mas em 2020, trocou a antiga plataforma pelo Nuvemshop por vários fatores. A principal causa foi um recurso em que é possível enviar uma mensagem ao destinatário ao finalizar a compra.

Beatriz França, 32, criou a personagem BiaPOF, que agora aparece estampada em canecas, cadernos e blocos de anotação - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Beatriz França, 32, criou a personagem BiaPOF, que agora aparece estampada em canecas, cadernos e blocos de anotação
Imagem: Arquivo Pessoal

Um teste ocorreu no Dia das Mães do ano passado, já sob o isolamento social. "Além de comprar um produto meu, queria que o cliente tivesse a oportunidade de escrever uma carta para a mãe. Acredito que essa ideia deu certo porque as pessoas têm sentido a necessidade de demonstrar mais amor e carinho nessa pandemia independentemente de datas comemorativas", diz.

A empreendedora passou a criar coleções de canecas para outras datas, como Dia dos Namorados, Dia da Amizade e Natal. Com a mudança de plataforma e as demais estratégias, a marca cresceu 600% em 2020 na comparação com 2019.

França também fez um manual com ilustrações de como lidar com a ansiedade e um kit de desenhos de colorir para crianças. Ela conta que, ambos foram disponibilizados de graça no site, mas isso gerou identificação e engajamento do público com a marca, além de novos clientes.

Três dicas para vender melhor:

  • Teste novas plataformas de ecommerce que tenham recursos que possam agregar mais ao seu produto;
  • Transforme algo negativo em positivo, usando a criatividade como diferencial para os negócios;
  • Não basta apenas divulgar o produto nas redes: crie um público e faça-o se identificar com a sua marca.

Bigodiva

Andrea Cosentino, 45, criou a Bigodiva, que produz camas suspensas para gatos - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Andrea Cosentino, 45, criou a Bigodiva, que produz camas suspensas para gatos
Imagem: Arquivo pessoal

Com poucas opções no mercado de pets para gatos, em 2016 a empresária Andrea Cosentino, 45, começou a buscar referências na internet e criar produtos no método "faça você mesmo" ao ver acessórios no Pinterest e no Google. "Eu comprava os materiais e tentava fazer igual. O primeiro produto que eu fiz foi uma cama de janela que vai grudada no vidro com ventosa", lembra.

Convidada por uma ONG para participar de um bazar, ela vendeu as 110 caminhas em poucas horas. Vendo o potencial negócio, entrou no programa de demissão voluntária da empresa onde trabalhava, abriu a Bigodiva (@bigodiva), patenteou o produto como cama suspensa dobrável e continuou a fazer os produtos da garagem de casa.

Sem nenhum conhecimento em redes sociais, Cosentino fez parcerias com contas de cat influencers (influenciadores que fazem conteúdo sobre gatos) no Instagram. Os administradores propuseram um esquema de permuta; ela enviava as caminhas de graça, e eles divulgavam o produto nos seus perfis.

Vendendo pelo direct do Instagram e pelo WhatsApp, Andrea criou um site para potencializar as vendas. Além de comercializar para varejistas em todo o Brasil, a empresária contratou representantes em várias cidades do país, que ofereciam seus produtos em pet shops.

Andrea Cosentino, 45, no espaço onde cria as camas suspensas para gatos - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Andrea Cosentino, 45, no espaço onde cria as camas suspensas para gatos
Imagem: Arquivo pessoal

Com o fechamento de vários comércios por causa da pandemia, Cosentino teve que repensar o relacionamento com o cliente pois a maior parte das suas vendas era indireta, para outros lojistas. Contratou uma assessoria de marketing para gerenciar as redes sociais, mudou a plataforma do site, reformulou a identidade visual e o plano de comunicação.

"Passamos a usar ferramentas como o Google Analytics, o Pixel e o Ads de forma consistente e profissional. Quando eu fazia um anúncio patrocinado eu não tinha nenhum retorno, mas com a empresa de marketing isso mudou", resume. Um único anúncio seu custou R$ 138, alcançou 41,6 mil pessoas e converteu-se em 23 vendas. "Uma publicação qualquer de produto sem impulsionar alcançou só 6.900 pessoas e só um cliente comprou", recorda.

Ela diz que o desafio para 2021 é encontrar o caminho para um modelo de negócio mais híbrido, com o retorno das atividades presenciais sem perder o foco no espaço que a empresa conquistou com as vendas online.

Três dicas para vender melhor:

  • Se você não tem habilidade com redes sociais, contrate uma pessoa ou empresa que saiba fazer;
  • Invista em anúncios patrocinados de forma profissional;
  • Faça permuta com influenciadores no Instagram para dar mais visibilidade aos seus produtos.