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"Apagão de notícias": após acordo com Austrália, Facebook volta com links

Briga por remuneração deixou australianos sem notícia no Facebook - Reprodução
Briga por remuneração deixou australianos sem notícia no Facebook Imagem: Reprodução

De Tilt, em São Paulo

23/02/2021 08h19Atualizada em 23/02/2021 19h36

Após dias de negociações, o Facebook e o governo da Austrália avançaram num acordo. A empresa de Mark Zuckerberg anunciou nesta terça-feira (23) que vai suspender nos próximos dias o bloqueio das páginas jornalísticas, depois que o governo aceitou fazer emendas à lei que pretende obrigar as plataformas a pagar aos meios de comunicação por seus conteúdos.

Depois de dizer que não mudaria nada do código, a Austrália cedeu em alguns pontos. O principal, que fez a negociação avançar, foi o fim da mediação mandatória entre as big techs e agências de notícias caso não seja atingido um acordo sobre valores. Ficou acertado que Facebook e Google não serão penalizados desde que combinem parcerias com os grupos de imprensa em troca do uso de seus conteúdos.

"O governo esclareceu que poderemos decidir se a notícia aparecerá no Facebook, para que não sejamos automaticamente forçados a uma negociação", disse a vice-presidente de parcerias globais da empresa, Campbell Brown.

Outro ponto foi dar um período de mediação de dois meses antes que um negociador nomeado pelo governo intervenha. A arbitragem fica como "um último recurso", quando tanto o publisher quanto a plataforma apresentam suas propostas a um mediador independente, que escolhe uma.

Na quinta-feira, o Facebook forçou um "apagão" de notícias ao retirar links de veículos de mídia australianos da rede social. A atitude provocou revolta generalizada e teve um efeito colateral sério: além de deixar milhares de pessoas sem jornalismo de qualidade no feed, derrubou sites governamentais com serviços de saúde, meteorologia e bombeiros.

Em resposta, o primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison, considerou a postura da empresa "tão arrogante quanto decepcionante" e chamou Mark Zuckerberg, CEO e fundador do Facebook, que retornasse "à mesa [de negociações]".

"Como resultado das mudanças, agora podemos trabalhar para estimular nosso investimento em jornalismo de interesse público e restabelecer nos próximos dias as notícias no Facebook para os australianos", declarou o diretor geral do Facebook Austrália, Will Easton, depois de passar o fim de semana negociando com o ministro de finanças da Austrália, Josh Frydenberg.

"O Facebook fez amizade novamente" com o país, declarou o representante do governo.

Apesar de ceder, a Austrália conseguiu demonstrar que o Facebook confirma as preocupações que um número cada vez maior de países sobre o comportamento "tóxico" das grandes empresas de tecnologia.

Pelo lado do Facebook, o recado foi de que vai "resistir aos esforços de conglomerados de mídia" para forçar regulamentos que não refletem como eles usam seu site.

O mundo todo está de olho nessa briga, que está pautando o debate em torno do monopólio das big techs, do futuro do jornalismo e do acesso à informação de qualidade.

O Google, que também havia ameaçado suspender sua ferramenta de busca na Austrália, já recuou e fechou um acordo para pagar "quantias significativas" pelas notícias do grupo de imprensa News Corp., do empresário Rupert Murdoch. (Com agências internacionais)